Timmy Mayer – 45 anos depois

Quem me “lembrou” hoje sobre Timmy Mayer foi o Daniel Médici, no seu excelente Cadernos do Automobilismo, que por estes dias está a explorar algo que ainda ninguém, pelo menos nos falantes em português, tenha feito: a Tasman Series, uma competição que desenrolava em pistas australianas e neozelandesas, e que teve as suas épocas de glória entre 1964 e 69.
Como é obvio, este nome pode não vos dizer nada, mas se puxarem um pouco pela memória das últimas semanas, certamente recordar-se-ão do seu irmão Teddy Mayer, falecido há algumas semanas. Timmy, irmão mais novo de Teddy, foi um apaixoando por automobilismo, e ajudou a montar a Bruce McLaren Motor Company Ltd. com o seu irmão, Tyler Alexander e outros entusiastas do desporto automóvel.

Teve uma passagem efémera pela Formula 1 (uma corrida, em 1962, pela Cooper), mas tinha planos para correr toda a temporada de 1964 pela Cooper, ao lado de Bruce McLaren. Nessa altura correu na Tasman Series, onde conseguiu quatro pódios, antes da corrida fatal, em Longford, na Tasmânia, quando perdeu o controlo do seu carro numa recta e bateu numas arvores que estavam no caminho, tendo morte imediata.
Algumas semanas mais tarde, McLaren escreveu um artigo de homenagem ao seu companheiro e amigo morto, como forma de tributo ao seu caractér, como uma forma de dedicar o triunfo na Tasman Series daquele ano. Foi aí que escreveu a tal frase que serve de lema a este blog, e que seis anos depois lhe serviu, tragicamente, como seu epitáfio.
Eis o artigo, traduzido na integra:
“Sentamo-nos no topo das boxes, aproveitando o sol de Longford, esperando para que começasse a primeira sessão de treinos: eu, Timy, a sua mulher Garril e os mecânicos – a nossa equipa. Dali, tinhamos a pitoresca vista do campo, e imediatamente abaixo de nós ficava o “Paddock”, com coloridos e polidos carros desportivos.
Estavmos felizes. Era o último evento da série. Nos dois meses em que nós corremos, trabalhamos e relaxamos juntos, talvez mais do que todos nós, Timmy estava gozando a temporada. Tinha confessado que adorara verdadeiramente ter estado na Austrália. Inteligente e charmoso, tinha feito dezenas de amigos. Quem não o conhecesse, não acreditava ver um corredor, tinha de o cohnhecer verdadeiramente para notar o seu desejo de competir, fazer algo melhor do que a pessoa ao lado, seja a nadar, e fazer esqui aquático ou a correr.
Então, quando durante a segunda sessão de treinos, soubemos que tinha batido a alta velocidade, soubemos imediatamente que era mau, mas sabiamos que ao menos, estava a fazer o que mais gostava. As noticias de que teve morte imediata foram um terrivel choque para todos nós. Mas quem é que nos diz que nos seus curtos 26 anos de vida fez mais, viu mais, e aprendeu mais do que muitos de nós fizeram nas suas vidas? É trágico, particularmente para nós, os que ficaram para trás. Planos que foram cancelados, e esperanças que desapareceram. Sem homens como Tim, tais planos e esperanças já não significam nada.
Fazer algo bem vale tanto a pena que morrer fazendo ainda melhor, não pode ser loucura. Não consigo dizer isto muito bem, mas sei que isto é verdadeiro. Seria um desperdicio fazer coisas com as habilidades dos outros, mas para mim a vida é medida por realizações e não por anos.
A aqueles que mostraram á sua mulher Garril, ao seu irmão Teddy e aos restantes membros da nossa equipa, as suas simpatias e considerações, quero dizer ‘obrigado’. Os vários telegramas que nos chegaram um pouco de todo o mundo são o testemunho do vasto circulo de amigos que tinha e da perda que sentiram.
Timmy era um verdadeiro amigo e um excelente companheiro de equipa”

Ecos de Silverstone – O novo Force India VJM02

Um pouco inesperadamente, a Force India divulgou esta tarde as imagens oficiais do seu novo monolugar de 2009, o primeiro com motores Mercedes. De uma certa forma, as cores do novo monolugar eram as aque toda a gente esperava, depois de se ter visto o novo calendário da marca, com as cores da bandeira indiana, e os pilotos são os mesmos: o veterano italiano Giancarlo Fisichella e o alemão Adrian Sutil, com o italiano Vittantonio Liuzzi como terceiro piloto.
Esteticamente, o monolugar indiano segue as tendências gerais dos restantes projectos, embora o destaque seja uma asa dianteira muito trabalhada, bem como pelos suportes dos espelhos bastante originais. Mas por debaixo dela é que podem estar as armas com que vão combater ao longo da temporada: motor, KERS e caixa de velocidades, todas provenientes da Mercedes-Benz, uma forma de concretizar a parceria indiano-alemã, assinada no final do ano passado.
Outra grande novidade revelou-se em termos de equipa técnica. Colin Kolles e Mike Gascoygne foram demitidos por Mallya no final do ano passado, e foram substituidos por Mark Smith e James Key, os desenhadores do novo carro, e Simon Roberts, que agora gere os destinos da escuderia.
E por causa disso e muito mais que Vijay Mallya, o bilionário dono da equipa, acredita que será possível lutar pelos pontos de forma regular, ao contrário do que sucedeu em 2008, em que não alcançaram qualquer ponto: “Do meu ponto de vista, lutar pelas vitórias, talvez só em 2010, mas para 2009 ficaria contente se acabássemos regularmente nos pontos“, disse.
O carro já fez um “shakedown” em Silverstone, e agora vão efectuar mais alguns testes até á prova inaugural do campeonato, no circuito australiano de Melbourne, dentro de um mês.

Speeder Questiona… Barbara Franzin (Velocidade.org)

O Velocidade.org é um site que acompanho desde quase os meus primórdios na Blogosfera, e achei sempre um belo local para visitar, embora ultimamente não tenha tido muito tempo para lá ir e comentar os assuntos do momento, confesso. Contudo, é um projecto válido, e as matérias são interessantes para acompanhar, na mesma linha que este blog, mas na minha opinião, é um dos melhores deste universo blogosférico.

A pessoa que entrevisto hoje é a tal que dá a cara: Bárbara Franzin, 24 anos de idade, natural de São Paulo, é jornalista desde 2005. Trabalha numa agência de publicidade, na área atendimento especializado em mídias sociais. Sempre gostou de corridas, mas passou a acompanhar mais a Fórmula 1 no momento em que Felipe Massa se estreou na Sauber. Moderadora da primeira comunidade sobre o piloto na rede social Orkut, decidiu ampliar os horizontes e criar o blog Velocidade para discutir este e outros temas. Desde então diverte-se muito… e de vez em quando, como ela diz: “arruma algumas encrencas.”

1 – Olá, é um prazer ter-te aqui, neste humilde blog, a responder às minhas perguntas. Queres explicar, em poucas linhas, como surgiu a participação no site?

Desde 2004, tenho uma comunidade no Orkut sobre o Felipe Massa. Com o passar do tempo, identifiquei a vontade de falar de Fórmula 1 e também de outras competições. Com um empurrão, acabei criando o Velocidade em setembro de 2006.

2 – O nome que ele tem, foi planejado ou saiu, pura e simplesmente, da tua cabeça?

Foi bem espontâneo o nome. Na verdade, sempre quis algo que remetesse ao automobilismo e velocidade é uma das suas principas características.

3 – Antes de começares, já tinhas tido alguma participação em outros blogues ou sites?

Há muito tempo eu aprendi na raça a fazer páginas para a web. Criei uma no geocities (pré-histórico!) sobre a cantora Melanie C e colocava algumas informações dela. Alguns anos depois tive um blog pessoal, que acabou deletado e o último que criei foi o Velocidade. Participo também do blog coletivo Nossa Via (http://www.nossavia.com.br/) e tenho planos de abrir um novo blog em breve.

4 – Em que dia é que começaste, e quantas visitas é que já teve até agora?

Começamos exactamente no dia 25 de Setembro de 2006, com um post de abertura do blog, ajustando uma coisa aqui e outra acolá. No começo não tínhamos métrica para aferir as visitas, passamos a ter quando o blog se tornou.org. Desde então já se foram mais de 212 mil visitas, número que me deixa muito feliz.

5 – De todos os posts que já escreveste, lembras-te de algum que te orgulhe… ou não?

Eu gosto muito das entrevistas que fiz no blog, algumas foram em texto e a maioria por podcast, junto com o Thiago. E um post que não gostei pela repercussão foi um quando citei Senna. O pessoal caiu em cima por um detalhe mínimo e que não fazia diferença alguma, então decidi que não falaria mais sobre ele por lá, só quando necessário.

6 – Em que é que tu, escrevendo sobre Formula 1, consegues ser diferente dos outros?

Para mim o mais importante é a opinião sobre o esporte, pois noticiar por noticiar os portais já fazem isso. Acho que um dos grandes diferenciais do Velocidade é acompanhar as corridas em tempo real, mostrando a nossa reação no momento em que os fatos acontecem. Isso deixa claro que também somos torcedores e fanáticos acima de tudo.

7 – Daqueles sites e blogues que conheces sobre automobilismo, qual(is) dele(s) é que tu nunca dispensas uma visita diária?

Essa é uma pergunta bem complicada, hein? Tenho medo de esquecer de alguém! Acompanho os feeds da maioria dos blogs de automobilismo e não dispenso uma visita ao Thiago (Café com F1), Pezzolo e Aline (Aline Multiply) logo que vejo que atualizaram suas páginas.

8 – Falamos agora de Formula 1. Ainda te lembras da primeira corrida que assististe?

Essa é uma pergunta mais difícil até do que a anterior, pois a minha memória é péssima! Olha, lembro que a família toda acompanhava as corridas na época do Senna, então por volta de 1989 ou 1990 devo ter visto a primeira imagem dos carrinhos na pista.

9 – E qual foi aquela que mais te marcou?

Apesar de não ter assistido, foi a de Ímola, 1994. Estava viajando e logo quando cheguei me falaram sobre a morte do Senna. Pensei que era brincadeira, mas infelizmente, não. Outra que vi e me emocionei bastante foi quando o Schumacher anunciou a sua aposentadoria. Foi um espetáculo lindo, digno dos tifosi e da Ferrari. Bem, como falo demais, só mais uma: o GP Brasil de 2008.

10 – Fittipaldi, Piquet e Senna. Qual dos três é aquele que mais agrada, e porquê?

Não cheguei a acompanhar muito perto a carreira deles, só mais tarde, mas tenho grande respeito por tudo que realizaram pelo automobilismo brasileiro. É difícil escolher um nome só, cada um tem as suas características marcantes: Emerson como o primeiro campeão, que mobilizou a família nessa paixão, Piquet sempre muito cerebral, porém hilário nos bastidores e Senna, que mobilizou a população brasileira criando o hábito de acordar cedo para assistir as corridas.

11 – E achas que algum dia, Felipe Massa vai fazer parte deste trio de campeões?

A primeira resposta já serve para essa também (risos). Desde 2002 eu acompanho a carreira do Felipe, sou super fã do seu trabalho, o admiro como pessoa e profissional. Tenho total e plena certeza da sua capacidade para se tornar campeão mundial. Digo isso desde quando ele estava na Sauber, quando meus amigos não sabiam quem era o tal piloto e depois de uns anos me ligaram para cumprimentar pelos bons resultados.

12 – Comparando-o aos três pilotos acima referidos, Massa é mais parecido com quem, e porquê?

Não tenho como compará-lo a nenhum. Aliás, ele mesmo sempre deixou claro que não gosta de comparações. Após Barrichello, quiseram fazer dele um novo Senna. Todas as suas entrevistas dizem: “Eu não sou o novo Senna, eu sou o Felipe Massa”.

13 – Achas que o título de 2008 foi bem entregue?

Apesar do Felipe ter perdido, foi bem entregue sim. Hamilton mostrou que é brilhante desde que chegou à F-1 e esse título vem como uma forma de esquecer a perda de 2007 e coroá-lo. Com um ano de experiência, vimos que ele correu com mais maturidade e teve a cabeça fria para não cometer erros em momento cruciais, por exemplo, quando faltavam minutos para o fim do GP Brasil e ele estava atrás de Glock.

14 – Tirando os brasileiros, qual é para ti o piloto mais marcante da história da Formula 1, e por quê?

Apesar de ter julgado algumas de suas atitudes ao longo do tempo em que competiu, devo admitir que hoje em dia considero Michael Schumacher um dos pilotos mais marcantes da Fórmula 1. Além de ser brilhante nas pistas, ele soube formar um verdadeiro esquadrão que lhe dava todo o suporte e estrutura necessários para estar sempre no topo. A Era Schumacher na Ferrari está na história do automobilismo como uma das melhores de todos os tempos. Todos possuem seus méritos, claro, mas credito boa parte deles ao alemão.

15 – Para além de Formula 1, que outras modalidades de automobilismo que tu mais gostas de ver?

Eu paro na frente da TV para assistir ao que estiver passando de corrida. Tenho costume de acompanhar com certa frequência a Stock Car, Fórmula Truck, algumas etapas da GP2 e da Superleague. E também, por morar relativamente perto do autódromo, vou assistir algumas provas da GT3, F-3 e outras categorias.

16 – E achas que vale a pena falar sobre ele no teu site?

Claro que sim! O meu desejo é justamente o de mostrar para as pessoas que existe muito mais que Fórmula 1 no automobilismo. Claro que é a categoria top, que todos adoram por seu espetáculo dentro e fora das pistas, mas há outras corridas que merecem ser observadas. Geralmente, as etapas da GP2 que antecedem as provas de F-1 nos circuitos mais travados, como na Hungria, costumam ter provas bem mais emocionantes e não podemos ignorar esse fato.

17 – E miniaturas de carrinhos, tens algum?

Tenho uma miniatura de Ferrari que ganhei e guardo com muito carinho. Eu gostaria de ter mais sim, se alguém quiser, aceito de presente, (risos).

18 – Passando para a actualidade: de repente, a Honda anuncia a sua retirada da Formula 1. Como sentiste isso?

Foi um choque. Especialmente porque envolvia diretamente o destino de dois brasileiros na categoria e de um momento para o outro, ambos se viram a pé. Por outro lado, é bom para abrirmos mais os olhos durante a crise e tomarmos consciência de que até a badalada e rica Fórmula 1 corre riscos com isso. Por isso, acho que cada vez mais deveriam investir na redução de custos. São números muito altos e soam bem fora da realidade.

Agora, por outro lado, há rumores afirmando que a Honda alinhará na Austrália. Eu só acredito em sua falência caso ela não apareça no grid de Março.

19 – Se Nick Fry e Ross Brawn encontrarem comprador nos próximos tempos, achas que Jenson Button, e especialmente Rubens Barrichello, conseguem manter os seus lugares?

Jenson Button acredito que sim, mas a tendência, e muito forte, é de que Bruno Senna fique com a vaga de Barrichello. Não sei se essa é uma estratégia de marketing para conseguir mais patrocínio e exposição para a equipe, com o reforço de um dos sobrenomes mais famosos da história do esporte, mas também acho arriscado um novato começar em um cenário com tantas incertezas.

20 – Max Mosley anunciou agora que fez um acordo com a Cosworth para fornecer motores ás equipas, a dez milhões de euros por ano. A FOTA (Formula One Teams Association) concordou em reduzir os custos. Achas que é este o caminho, uma Formula 1 com custos controlados?

Totalmente. Como até falei um pouco antes, esse deve ser o caminho, pois a crise está aí para todos verem e, principalmente, as montadoras estão sendo muito afetadas. Qual é a primeira decisão delas? Cortar os gastos mais “desnecessários”, o que reflete em fechar uma equipe de F-1. Talvez com reduções mais drásticas de custos, as equipes consigam se manter e até outras menores tenham oportunidade de competir.

21 – O que achou dos novos carros de 2009?

O principal comentário que vi foi que os carros estão todos iguais. Ok, alguns até podem realmente ter as mesmas características, mas quando comparamos do ano passado para cá, quanta diferença! As equipes precisaram buscar uma série de soluções, além de lidar com o KERS e a volta dos pneus slick. Acredito ser normal todos estranharem os carros no início da temporada, não? Até os próprios pilotos declararam que sentiram bastante com essas mudanças, mas assim como nós, até a metade da temporada já estaremos plenamente acostumados. Todos os carros nesse momento de pré-temporada são uma incógnita, por isso espero, mais uma vez e bem ansiosa, o fim-de-semana do GP da Austrália.

22 – Que impressão é que ficas do novo projecto de Ken Anderson e Peter Windsor, a USF1? Achas que deve ser levado a sério?

Como costumo dizer, só acredito mesmo vendo. Assim como só confirmarei que a Honda realmente saiu da F-1 se ela não alinhar na Austrália. Nessa altura da crise no automobilismo, quanto mais os executivos se interessarem em investir na Fórmula 1, melhor. Em um primeiro momento, a USF1 me soou como um projeto interessante e que tem tudo para dar certo. O único ponto que discordo é a vontade de trazer a Danica Patrick para pilotar, pois quem a conhece, sabe que seu forte não é os circuitos mistos. Se isso realmente acontecer, para mim será apenas mais uma jogada de marketing. Por outro lado, os dirigentes já admitiram que podem contratar pilotos de outros países, especialmente nesse momento de adaptação, no qual precisam absorver o maior número de informações possíveis. Nesse caso, eles acertariam em 100%, na minha opinião. Agora o jeito é esperar e torcer para que, além dessa iniciativa, outras equipes sejam compradas, fundadas… etc.

23 – “Correr é importante para as pessoas que o fazem bem, porque… é vida. Tudo que fazes antes ou depois, é somente uma longa espera.” Esta frase é dita pelo actor americano Steve McQueen, no filme “Le Mans”. Concordas com o seu significado? Sentes isso na tua pele, quando vês uma corrida, como espectador?

Concordo plenamente! No fim de semana de GP Brasil, você acorda cedo, espera longas horas na fila, tira um cochilo, lê revista, joga videogame, não sabe mais o que fazer e quando as lanternas apagam e os carros aparecem na reta oposta é um sentimento indescritível. A 1h30 de corrida passa em um piscar de olhos.

24 – Já agora, tens alguma experiência automobilística, como karting? Se sim, ficaste a compreender melhor a razão pelo qual eles pegam num carro e andam às voltas num circuito?

Não tenho muita experiência na área, aliás, dirigir não é um dos meus passatempos preferidos! Ano passado tive duas oportunidades de andar na pista em Interlagos e foram momentos maravilhosos. É realmente uma sensação de liberdade, domínio sob a máquina e, sobretudo, uma verdadeira diversão. Ao sair do carro é comum pensar “agora entendo como eles são bons pilotos, até os que ficam em último lugar”.

25 – Tens algum período da história da Formula 1 que gostarias de ter assistido ao vivo?

Sim, a década de 1980. O Ricardo, que colabora no blog, diz que essa foi uma época mágica e dourada da categoria com brigas entre Piquet, Mansell, Prost e no fim, a chegada de Senna. Com certeza, deve ter sido emocionante. Apesar do acesso ao acervo das provas estar muito mais fácil, assistir ao vivo é sempre mais interessante.

26 – Já alguma vez viste a briga entre o René Arnoux e o Gilles Villeneuve, no GP de França de 1979? Para ti, aquelas voltas finais significam o quê?

Puro e verdadeiro automobilismo e paixão, além de um momento histórico do esporte. Uma disputa que será difícil vermos novamente, mas falando de Fórmula 1, nunca se sabe.

27 – Jeremy Clarkson, o mítico apresentador do programa de TV britânico “Top Gear”, disse que Gilles Villeneuve foi “o melhor piloto que alguma vez sentou o rabo num carro de Formula 1”. Concordas ou nem por isso?

Existe uma certa lenda em torno dos pilotos mais antigos da categoria. Como a segurança era um dos itens mais deficientes, quem corria tinha de ser homem mesmo e ter muita coragem. Hoje em dia acontecem terríveis acidentes, mas boa parte deles sem danos graves, por conta da evolução tecnológica. Gilles, ineflizmente, teve pouco tempo para mostrar o seu talento, mas se fosse para valorizar um piloto, escolheria todos de sua época, pois eram verdadeiros heróis.

28 – Costumas jogar em algum simulador de corridas, como o “Gran Turismo”, o “Formula 1”, ou jogos “online”, como o BATRacer ou o “Grand Prix Legends”?

Confesso que já tentei brincar de correr, mas também não sou das melhores! Passei vergonha em um simulador da Stock Car e um amigo até tentou me ensinar, mas eu vivia errando. Como não tenho muita paciência para treinos, prefiro ficar nos joguinhos mais fáceis e populares, como o Mario Kart!

29 – Eu sei que começaste há algum tempo, mas… que é que tu alcançaste, em termos de prémios, convites, referências, desde que iniciaste o teu percurso na Blogosfera?

O Velocidade conquistou junto com o Café com F1 o terceiro lugar na votação popular do Prêmio Podcast. Também fomos indicados para o Ibest e, recentemente, fomos escolhidos pelo júri do Best Blogs Brazil como o melhor blog de automóveis de 2008. Somos parceiros do Yahoo! Posts, ganhando destaque no portal, e também fomos convidados para cobrir eventos como o Quatro Rodas Experience e a coletiva com o Kubica em SP. Mas na verdade, o maior reconhecimento para a equipe do blog é a visita de cada leitor e os e-mails e comentários que recebemos. Esse retorno é melhor do que qualquer prêmio!

30 – E se fosses o Max Mosley, o que preferias ter na Formula 1? Uma grelha só de montadoras ou de “garagistas”?

Garagistas, que vi serem praticamente unanimadade nessa resposta da entrevista! São pesssoas que estão no automobilismo por pura paixão e não buscam apenas o dinheiro como retorno de seu investimento.

31 – Que impressão é que ficas do novo Autódromo de Portimão?

Para ser sincera, não deu tempo ainda de ver uma volta no autódromo! Pelo seu traçado, parece ser bem interessante, com muitas curvas fechadas e também uma pequena e outra longa reta para os pilotos acelerarem ao máximo bem em frente à torcida. Gosto sempre da estréia de novos traçados e autódromos e eles fazem com que o país se destaque cada vez mais no automobilismo. Tanto que Algarve já receberá a próxima etapa da A1GP.

32 – Vamos falar do futuro próximo: Bruno Senna, Lucas di Grassi, Nelson Piquet Jr. Um já está lá, os outros dois querem lá chegar. Achas que algum dos três tem estofo de campeão? Se sim, qual?

Dos três, o meu preferido é o Lucas di Grassi. O vi disputar a final da Fórmula Renault em 2002, quando perdeu o título para o piloto Alan Khodair, mas nem por isso desistiu de correr atrás de seu grande sonho. Foi para a Europa, participou do programa da Renault e mesmo chegando atrasado na GP2 fez um excelente trabalho. Infelizmente, como sobrenomes valem muito nesse momento, Piquet e Senna levam extrema vantagem, mas se o Lucas ganhar espaço um dia, acredito que surpreenderá.

33 – Tens algum plano para o site, no futuro próximo? Novas secções, meteres-te num podcast ou videocast?

Acabamos de alterar todo o layout do blog, está mais dinâmico e agradável. A página da cobertura Ao Vivo também passará por uma grande reformulação até o início da temporada. O pod já gravo com o Thiago há mais de um ano e é uma das coisas que mais gosto do blog. Aproveitando, no momento, fazemos uma pesquisa com os leitores para identificar o que eles gostariam de ter a mais no blog. Dependendo do feedback, podemos bolar algo completamente diferente! Ainda está em tempo de participar.

Já agora, se quiserem ver as entrevistas anteriores, carreguem nos respectivos links:

19 de Novembro 2008 – Priscilla Bar (Blog Guard Rail)
22 de Novembro 2008 – Marcos Antônio Filho (GP Series)
26 de Novembro 2008 – Vick, Ludy, Tati e Lu (Octeto Racing Team)
29 de Novembro 2008 – Hugo Becker (Motor Home)
3 de Dezembro 2008 – Fabio Andrade (De Olho na Formula 1)
6 de Dezembro 2008 – Rianov Albinov (F1 Nostalgia)
10 de Dezembro 2008 – Jorge Pezzolo (jpezzolo.com)
13 de Dezembro 2008 – Ron Groo (Blog do Groo)
17 de Dezembro 2008 – João Carlos Viana (jcspeedway)
20 de Dezembro 2008 – Felipão (Blogspot Brasil)
3 de Janeiro de 2009 – José António (4 Rodinhas)
7 de Janeiro de 2009 – Germano Caldeira (Blog 4×4)
10 de Janeiro de 2009 – Felipe Maciel (Blog F-1)
14 de Janeiro de 2009 – Daniel Médici (Cadernos do Automobilismo)
17 de Janeiro de 2009 – Thiago Raposo (Café com Formula 1)
21 de Janeiro de 2009 – Orroe (N U R B U R G R I N G)
24 de Janeiro de 2009 – Sávio Machado (SAVIOMACHADO)
28 de Janeiro de 2009 – Javi G. (Zone F1)
31 de Janeiro de 2009 – Gabriel Lima (Speed N’Thrash)
4 de Fevereiro de 2009 – Bruno Mantovani (Mantovani.zip.net)
7 de Fevereiro de 2009 – Marcel Marchesi (Marchesi Design)
11 de Fevereiro de 2009 – A Blogosfera Questiona Speeder (Continental Circus)
14 de Fevereiro de 2009 – Luiz Alberto Pandini (Pandini GP)
18 de Fevereiro de 2009 – Gonçalo Sousa Cabral (16 Valvulas)
21 de Fevereiro de 2009 – Gustavo Coelho (Blog F1 Grand Prix / Pitstop)

Um achado do Almanaque

O Alexandre Carvalho, no seu recente “Almanaque da Formula 1“, consegue sacar entrevistas excelentes, acerca dos aspectos laterais de alguma da competição do passado. Neste caso em particular, falou com Sebastien Ertl, filho de Harald Ertl, um dos pilotos que salvou Niki Lauda das chamas, em 1976.

Pilotos de corridas na Formula 1 e na DRM (antecessora da DTM), Ertl era conhecido pelo seu trabalhado bigode e barba farta, e pelo facto de durante muitos anos ter sido patrocinado pela cerveja Warsteiner. Infelizmente, morreu num acidente aéreo em Abril de 1982, quando o avião, pilotado pelo seu cunhado, sofreu uma ruptura no tanque de combustivel, e caiu ao tentar aterrar. Do acidente, em que iam seis pessoas, só a mulher e o filho de Ertl sobreviveram.

A entrevista podem lê-la neste link. Vale a pena.

Sobre a nova pintura da Williams…

Sobre a nova pintura da Williams para 2009, que querem que diga? Primeiro, era um “segredo de polichinelo”, depois de um dos patrocinadores, a Allianz, ter revelado a pintura nos seus cartazes publicitários. Segundo, a pintura em si não tem segredos, pois é sempre o mesmo padrão. O “tio” Frank não muda muito a pintura desde o inicio da década, depois de ter os carros vermelhos, quando teve a tabaqueira Winfield como patrocinadora.

No final de tudo, houve uma noticia interessante, em forma de “lapsus linguae”: Kazuki Nakajima revelou que a Toyota pondera a retirada da competição para o final de 2009. Sendo um piloto da marca, pois é a garantia de que a equipa receba os motores Toyota, isso pode ser um sinal de que as coisas andam mal…

Pequena actualização da noticia anterior

O Ivan Capelli disse esta tarde que a Honda tem um novo nome: Brawn Racing. Isso acontece depois de um site francês ter dito que um membro da BAR e da Honda, Caroline McGrory, ter registado os dominios http://www.brawnracing.com e http://www.brawnracing.co.uk/. Isso pode ser encontrado neste link.
Se for isto, até é bom. Agora espera-se que confirme (ou não) o resto das especulações do dia.

Rumor do dia: Brackley F1, Senna no DTM, Rubinho continua!

Sexta-feira quente, meus amigos! Pelo menos em termos de rumores. Depois de ontem, Ross Brawn ter dito que as coisas estão bem encaminhadas para que os carros possam estar em Melbourne, hoje vem a público que a dupla na “Brackley F1 Team” (nome ainda não confirmado), propulsionado pela Mercedes, poderá ser… a mesma de 2008: Jenson Button e Rubens Barrichello. Parece que o “management buyout” é uma realidade, e que o Rubinho vai ser o último a rir com esta coisa toda. Bem desconfiava ver o Rubinho caladinho no meio da tempestade. Acho que sabia o que estava a vir…
Uma coisa é certa: o shakedown da nova máquina ocorrerá na próxima quinta-feira, em Silverstone, com Button ao voltante.
E Bruno Senna? O jornal sensacionalista suiço “Blick” diz que o sobrinho de Ayrton Senna poderá correr na DTM ao serviço da Mercedes. Algo que outra publicação, a alemã SpeedWeek, corrobora, depois de ouvir Norbert Haug, o director-desportivo da Mercedes, afirmar que está em conversações. “Estamos em contacto. Mas ainda é muito cedo para dizer no que vai dar“, disse Haug.
As peças vão se compondo, e a novela está a chegar ao fim. Mas o final promete ser surpreendente…

Como bons pilotos se tornam maus patrões

A revista Autosport desta semana tem uma matéria bem interessante, escrita pelo Luís Vasconcelos, sobre a razão porque Emerson Fittipaldi, Alain Prost ou John Surtees foram uns fracassos como chefes de equipa, depois de serem bem sucedidos nas pistas. A resposta a isso é simples: mentalidade. Ainda pensam como pilotos, mesmo após a retirada das pistas. Claro, há notáveis excepções, como Jackie Stewart, Bruce McLaren e Sir Jack Brabham, mas estes eram simultaneamente pilotos, e no caso de “Black Jack”, quando se retirou, teve o bom senso de também vender a sua equipa para Ron Tauranac.

Eis o artigo, na integra:

BONS PILOTOS, MAUS PATRÕES
Luís Vasconcelos

Raramente o povo se engana. Lá diz o ditado portuguêsQuem te manda a ti, sapateiro, tocar rabecão?A moral da história aplica-se na Formula 1, no que respeita aos bons pilotos que decidiram montar equipas depois de colocarem termo às suas carreiras. John Surtees, Emerson Fittipaldi, Graham Hill e Alain Prost foram todos Campeões do Mundo de Formula 1,mas nem uma só corrida ganharam como patrões de equipa, apesar de terem tido meios, pessoal e pilotos capazes de conseguir grandes resultados.

John Surtees teve, por exemplo, Alan Jones e John Watson na sua equipa; Graham Hill, na sua única temporada como construtor (pois faleceu no final de 1975 num acidente de aviação), contou com Jones no seu serviço; Fittipaldi teve Keke Rosberg na sua equipa, e Prost teve Panis, Trulli, Alesi e Frentzen na sua equipa, mas também não conseguiu vitórias nem bons resultados.

O que leva, então, pilotos de topo a falharem de forma clamorosa nesta passagem do volante para o muro das boxes? Segundo Rosberg,eles olham esta mudança como a forma de se manterem na Formula 1 e serem competitivos, pois o seu tempo como pilotos acabou. Mas continuam a pensar como pilotos, a decidir como pilotos, a agir como pilotos. E para ser patrão duma equipa de Formula 1 é preciso trabalhar muito, ser bom gestor e ter capacidade para delegar e escolher bem os nossos colaboradores. E é aí que os ex-campeões falham por completo”.

Sem a mentalidade certa

Jo Ramirez, que trabalhou com Fittipaldi, tem uma teoria pertinente, fazendo a comparação entre o brasileiro e Ron Dennis: “O que é que um piloto faz enquanto não está com a equipa ou em acções promocionais? Vai para a praia, dorme, sai com os amigos, namora o mais que pode e descansa ainda mais. O que faz um patrão de equipa quando as corridas acabam? Apanha o primeiro avião para casa e no dia seguinte, às oito da manhã, está na fábrica para trabalhar 12 a 14 horas por dia até à corrida seguinte. Para o Emerson, o trabalho fora das pistas era um fardo, para o Ron era a base do seu sucesso!”

Acresce a esse desinteresse por tudo que seja organização, burocracia, trabalho em grupo e motivação dos empregados, se junta a inconsciente ideia de que os pilotos contratados lhe são interiores, para que as relações patrão-piloto sejam complicadas, como relembra Heinz-Harald Frentzen: “Até gostei de estar na Prost, apesar da falta de resultados, mais o Alain ainda pensava como piloto e em vez de se concentrar no seu trabalho, concentrava-se no meu. Por isso, raramente o carro esteve como eu gostava que estivesse acertado, e a equipa nunca fez um bom trabalho a nível da organização.”

Jones sem papas na língua

O australiano Alan Jones, que hoje em dia dirige a equipa de A1GP do seu país, pilotou para Graham Hill e John Surtees a meio da década de 70. E a verdade é que ele só guarda más recordações desses momentos: “Os dois piores patrões que tive foram dois ex-campeões do Mundo. Como tinham sido bem sucedidos, dez anos antes, pensavam que ainda sabiam tudo, queriam ser eles fazer o acerto dos carros, a testá-los entre as corridas. Mas quando testavam, já eram dois a três segundos por volta mais lentos do que nós e, por isso, estavam a perder o seu tempo e o nosso.” Jones preferiu mesmo ficar apeado a correr com a Surtees em 1977, pois tinha contrato com “Big John”, mas não queria cumprir. Foi salvo por Jackie Oliver, que necessitava de um piloto para substituir o malogrado Tom Pryce depois do GP da Africa do Sul daquele ano, pagando à Surtees para o libertar.

Mas o australiano ainda relembra do dia em que, para justificar a falta de andamento do TS19, “Big John” disse-lhe queo problema é que o chassis é demasiado bom e equilibrado, o que não permite que os pneus trabalhem ao seu melhor nível, porque não são forçados a isso!” A resposta de Jones, típica da sua maneira de ser, fez história: “Bom, John, se é assim, porque é que não f*** um bocadinho a afinação?”

Brabham foi excepção

Sir Jack Brabham foi a excepção a essa regra, pois aos três títulos de Campeão do Mundo de Pilotos, juntou outro como construtor, com Dennis Hulme ao volante. Mas quando parou de correr, o australiano vendeu a sua parte e voltou para casa, pois não queria estar na Formula 1 sem ser como piloto.

Para quem trabalhou com ele, como Ron Dennis: “Jack era antes de mais nada, um técnico que pilotava muito bem. Nunca foi o mais dotado dos pilotos, mas era seguramente o mais tenaz. Só que a sua verdadeira motivação era de construir carros melhores que os da concorrência e ganhar com eles”. Por isso abandonou a Cooper, com o qual venceu dois mundiais – mesmo se já trabalhara no projecto e construção dos chassis – para formar a sua equipa. Custou-lhe perder o Mundial de 1967 para Hulme, seu companheiro de equipa, mas venceu corridas até ao seu último ano como piloto, depois, virou as costas à Formula 1 e regressou à Austrália.

Onde encontrar:

Autosport – 23 de Fevereiro a 2 de Março de 2009, pgs 44 – 46

O novo cabeçalho e o trabalho que levou a colocá-lo…

Já devia isto há uns dias, mas o trabalho não deixou. Depois do aniversario do blog, fui simpaticamente contactado pelo Luiz Salomão, designer, apaixonado por automóveis e autor do excelente Saloma do Blog, onde se conta essencialmente do passado do automobilismo brasileiro, entre outras coisas.

A ideia era de corrigir o tamanho do cabeçalho deste blog, desenhado pelo meu bom amigo Tony Costa (a.k.a. Laserbombo), mas depois de vártios tamanhos que não cabiam no quadrado definido pelo desenho inicial do blog, decidi experimentar outra decoração. E a solução estava… debaixo da lingua. Explicando: a mesma decoração que usei no meu outro estaminé servia perfeitamente para o tamanho do cabeçalho que utilizava. Assim sendo, o desenho do Tony, modificado pelo Saloma, serviu para algo que também queria fazer desde há algum tempo: mudar a decoração da página. E depois de estranhar um pouco, achei que está muito melhor do que antes. E agora tem nova cor!

Ao Tony e ao Luis (e ao Ricardo Santos, pelo belo capacete) agradeço-vos por este presente. Acho que a amizade mede-se por gestos, não é? Confesso que não sei como retribuir o gesto…

Mas que belo álbum!

Isto não deve acontecer todos os dias, mas há sempre uma primeira vez. O Daniel Bacchieri mandou-me uma mensagem dizendo que tinha colocado no Flickr um álbum com mais de duas centenas de fotos tirados pelo seu pai, António Carlos Bacchieri, durante os GP’s da Argentina de 1972,73 e 74.
Fui ver o álbum, e é simplesmente fabuiloso, pois é o testemunho raro de uma época que não volta mais, de protagonistas que não estão mais entre nós, e ver como funcionavam as coisas há 35 anos atrás. Ver Colin Chapman a falar com Emerson Fittipaldi, ver as raparigas como cronometristas das equipas, ou os preparativos do Grande Prémio. A não perder!