O rescaldo de Spa-Francochamps

O dia seguinte de Spa-Francochamps está a ser muito movimentado, sem dúvida. Não só porque estamos a pouco mais de duas semanas de Monza, local onde alegadamente a Ferrari anunciará a dupla de pilotos para 2010, mais ainda se desconhece a aptidão de Felipe Massa, as águas andam um pouco agitadas nos lados de Maranello. Para além disso, a aposta de Luca de Montezemolo em Badoer está a ser encarada como um enorme “flop”, logo em Monza poderemos ter outro piloto no lugar do veterano piloto italiano.
Quem será? Fernando Alonso? O jornal “El Pais” anuncia hoje que ele não correrá pela Scuderia em Monza, apesar do italiano “La Reppublica” anunciar, também hoje… o contrário. De facto, os bastidores parece que foram tomados por rumores, qual deles o mais delirante. Tâo delirante que a semana passada, a Ferrari elaborou um comunicado enunciando todos os pilotos que “se ofereceram” ou foram dados como “certos” na Scuderia: desde Fernando Alonso até ao francês Julien Bianchi, o actual lider da Formula 3 Euroseries, passando por David Coulthard e Anthony Davidson. De facto, o disparate está em alta!
Mas para sermos mais realistas, o subsituto de Luca Badoer poderá ser… outro italiano. Giancarlo Fisichella, depois da sua performance em Spa-Francochamps, é um nome em alta, e apesar do proprietário da Force India, Vijay Mallya, ter negado qualquer contacto, o seu director comercial, Ian Philips, disse à BBC que aguarda por um contacto: “Estamos à espera do pedido, que deverá ser feito dentro das próximas 24 horas. Até agora ninguém nos contactou, mas estou certo de que alguém vai ligar a Vijay Mallya e pedir o ‘empréstimo’ para a Ferrari.” Caso isto aconteça, o substituto de Fisichella deve ser o piloto de testes Vitantonio Liuzzi.
Mas não é só na Ferrari que as coisas andam em polvorosa. A Red Bull também anda em sarilhos, mas aí é devido aos motores e a sua facilidade em rebentá-los. Depois de terem ganho duas corridas seguidas, em Silverstone e Nurburgring, tudo indicava que eles seriam a grande ameaça ao dominio da Brawn GP. Contudo, as últimas corridas não viram só a ascensão da McLaren e da Ferrari, como também viram os problemas de Sebastien Vettel e Mark Webber com os propulsores da marca do losanglo. Com a limitação dos motores esta temporada, ambos os pilotos tem apenas mais um motor até Abu Dhabi! Isto se não quiserem perder dez lugares na grelha de partida…
Entretanto, o incidente da primeira volta fez com que todos apontassem Romain Grosjean como o seu causador. Jenson Button (que andou mal durante todo o fim de semana, e isso repercutiu-se no seu estado de alma, ao responder mal numa conferência de imprensa) ficou incrédulo ao saber que o piloto francês da Renault culpou o actual lider do campeonato pelo acidente em Les Combes. “Não posso acreditar que ele está culpando a mim mas, para ser honesto, não me importo. Não é importante. O que importa é que não marquei pontos“, começou por dizer Button., para logo a seguir atacar o novato francês: “É realmente muito frustrante para todos, mas grande parte deles nem está brigando pelo título e eu estou“, disse.
Lewis Hamilton, o actual campeão do mundo, e Jaime Alguersuari, que também foram eliminados nesse incidente, concordaram com Button, dizendo que Grosjean foi “muito agressivo”. “Se você dirige desta maneira, não vai terminar a corrida“, disse o piloto da Toro Rosso ao jornal “Motor und Sport”. A agressividade do piloto francês, que tinha sido evidente na GP2, e que lhe valeu a inimizade de alguns pilotos, está agora a ser sentida na Formula 1…
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Zangam-se as comadres, dizem-se as verdades

Quando Fernando Alonso venceu a corrida de Singapura, no ano passado, o momento decisivo dessa corrida inaugural à noite (e também a 800º Grande Prémio de Formula 1) foi quando o seu companheiro, Nelson Piquet Jr., despistou-se, causando a entrada do Safety Car em pista. Recordo particularmente desse episódio, porque uns cinco mimutos mais tarde, telefonaram-me para casa. Quem me atendeu do outro lado da linha era um conhecido meu, um pouco “insider”, que me falava sobre o facto de ter sido muito conveniente o Piquet ter despistado ali, naquela altura. Insinuou que ele tinha feito de propósito, para Alonso, que tinha partido da 15ª posição da grelha, pudesse ganhar.

A história circulou nos dias a seguir, mas “morreu” entretanto. Hoje, Reginaldo Leme decidiu desenterrá-la durante a transmissão da Rede Globo, tendo como fonte provável a familia Piquet. Numa altura destas, sabia-se que esta separação litigiosa não iria acabar tão cedo, mas tocar de novo neste caso, principalmente vinda de uma personagem com craveira como Reginaldo Leme, significa que existem novas provas acerca desse assunto. E é o suficiente para que a FIA ter lançado um comunicado a dizer que “uma comissão independente irá investigar o assunto“. Flávio Briatore sempre foi uma personagem cinzenta e duvidosa na Formula 1, mas vê-lo fazer isto, acho que seria demais!

Formula Renault: o fim de semana de Felix da Costa

António Felix da Costa deu este fim de semana um passo decisivo rumo ao título no campeonato da formula Renault, categoria North European Competition (NEC), ao vencer esta tarde a segunda corrida no circuito checo de Most, após ter tido uma corrida menos bem conseguida no dia anterior, onde terminou na oitava posição.
O piloto de Cascais, conhecido também pelo apelido de Formiga, partia para esta jornada dupla da Formula Renault NEC 2.0 numa posição de vantagem, pois detinha uma vantagem de 61 pontos sobre o segundo classificado, o finlandês Daniel Aho, e tinha tudo na mão para dar o tal passo decisivo rumo ao título. Porém, um toque na partida da primeira corrida comprometeu um pouco as coisas, tendo conseguido chegar ao fim na oitava posição, apesar de lutar contra um carro inguiável. Apesar do azar dessa corrida, esta se transformou em sorte, pois largaria da pole-position na corrida seguinte. E aí, Felix da Costa aproveitou bem, ao largar na frente e dominar a corrida até á bandeira de xadrez.
Foi bom vencer em Most. Cada vitória tem um sabor especial e esta não foi excepção. Além de ter consolidado a minha vantagem na liderança do campeonato, tenho um motivo extra para comemorar os meus 18 anos amanhã. Estou muito satisfeito e espero na próxima corrida poder já festejar o título do campeonato“, contou o piloto português.
Em relação à corrida menos bem conseguida de ontem, Felix da Costa relatou: “Mais uma vez não fui muito eficaz na minha qualificação, fiz o terceiro tempo e por causa disso, vi-me envolvido numa situação complicada no início da corrida. Baixei para oitavo e defendi como pude essa posição pois sabia que assim arrancaria da Pole para a segunda prova do fim-de-semana“, afirmou.
A próxima prova de Felix da Costa será em Nurburgring, no fim de semana de 18 e 19 de setembro, e o piloto português poderá conseguir no mitico circuito alemão o título na categoria, já que está agora a 71 pontos do segundo classificado, o dinamarquês Kevin Magnussen (filho de Jan Magnussen) “Sei que estou em forma e muito motivado para que em Nurburgring, onde disputarei a próxima jornada do NEC e do Europeu de Fórmula Renault, possa lutar pela vitória das quatro corridas que disputarei no mesmo fim-de-semana“, concluiu.

Formula 1 – Ronda 12, Spa-Francochamps (Corrida)

Spa-Francochamps é um clássico. Existente desde 1921, em 1944 viu ali uma das últimas batalhas da II Guerra Mundial, a Batalha do Bulge, com cercos em Bastogne e massacres em Malmedy. Depois da Guerra, viu outras batalhas, outros duelos pela sobrevivência. Na maior parte eram em sentido figurado, noutros, a coisa foi bem real, como o que aconteceu na edição de 1960. Um dia desses conto essa história… Em 1970, máquinas e pilotos correram pela última vez no velho circuito de 14 km, para este ser profundamente remodelado. Quando a Formula 1 regressou 13 anos depois, para correr na sua configuração actual, reduzido a sete quilómetros de extensão, continuava a ser desafiador para pilotos e máquinas, ajudada pelo imprevisivel boletim meteolófico das Ardenas…

Mas aqui neste fim-de-semana, ouvi muitas pessoas a dizer que “o fim do Mundo tinha chegado” quando viram Giancarlo Fisichella na pole-position, numa Force Índia que em duas temporadas na competição, nunca tinha sequer pontuado. A minha resposta a essas declarações algo histéricas é esta: o tão propalado “fim do mundo” já aconteceu em Março, quando os Brawn GP dominaram em Melbourne…

A corrida de hoje tinha todos os ingredientes de ser interessante. Longe do tempo ser um factor decisivo nesta corrida, o circuito de Spa-Francochamps tem um troço interessante, aquele que vai do gancho de La Source até Les Combes. Tem pouco mais de dois quilómetros e meio e passa pelo famoso troço de Eau Rouge e do Radillon, passando pela recta Kemmel, antes de chegar a Les Combes, onde abandona o circuito antigo e passa para o novo. Contudo, nunca julguei que nesses dois quilómetros e pouco mais se decidisse uma corrida, ainda mais se for na primeira volta. Mas foi o que aconteceu: depois de uma partida onde o homem melhor colocado nos da frente, Rubens Barrichello, atrasou-se perante a concorrência, numa partida catastrófica. Contudo, esse azar de Barrichello foi a sua sorte, pois safou-se dos toques que aconteciam à sua frente, primeiro em La Source, e mais tarde em Les Combes. E nesse sitio assistiu-se tudo: Jenson Button, que passava Heiki Kovalainen, foi tocado por Romain Grosjean, que por sua vez foi tocado por Lewis Hamilton e Jaime Alguersuari. Todos acabaram ali a sua corrida, e o Safety Car entrou em acção.

Nas cinco voltas que se seguiram, podíamos ver o rescaldo: O “bodo aos pobres” mostrava os Red Bull mais ou menos a meio da tabela, com Barrichello e Trulli nas boxes, só havia Kimi Raikonnen a desafiar abertamente o Force Índia de Fisichella. Quando o SC recolheu ao seu devido lugar, Raikonnen precisou apenas de chegar à entrada da recta Kemmel para alcançar a liderança. E passou por fora!

A corrida em termos de primeiros lugares ficou um pouco arrefecida, mas logo atrás tínhamos lutas próprias, como a recuperação de Barrichello e os Red Bull. Contudo, na primeira passagem pelas boxes, na mesma volta que Raikonnen e Fisichella paravam, Webber e Heidfeld também paravam, e na saída quase provocavam uma colisão. Resultado: o australiano foi obrigado a um “drive through” e perdeu tempo. Essa passagem mostrou que a Force Índia e a Ferrari tinham a mesma estratégia, e para melhorar as coisas, não só Físico não de deslocava do finlandês, como para piorar as coisas para o lado da casa de Maranello, Fisichella era por vezes um pouco mais rápido que Raikonnen! O KERS não deveria funcionar ao contrário?

Atrás dele, vinha Fernando Alonso, no Renault sobrevivente, que vinha com uma estratégia de uma só paragem, parando apenas na volta 24. Mas quando para… a estratégia vai abaixo, com a avaria da pistola de troca de pneus, nomeadamente a frente esquerda. Mas isso tinha uma explicação: na primeira curva da corrida, em La Source, um dos carros tinha tocado nessa roda, entortando-a. E quando viram esses estragos, a equipa não quis arriscar mais Budapestes, pedindo ao piloto espanhol para encostar definitivamente às boxes. E Flávio Briatore fazia as malas para embarcar no seu jacto privado, rumo para casa…

A corrida também demonstrava algo interessante: o Toyota, que tinha tudo feito para vencer hoje, graças a Jarno Trulli, ficara prejudicado com as confusões da largada, e quem era o grande beneficiado era a (futuramente retirada) BMW Sauber, que colocava Robert Kubica na terceira posição e Nick Heidfeld na quinta. Para uma equipa que vai abandonar a Formula 1 no final da época, estava a ser um belo “canto do cisne”.

E as voltas finais assistiam a um duelo à distância: Fisichella contra Raikonnen. As diferenças eram mínimas, com Vettel na terceira posição, tentando apanhar os dois primeiros. Mais atrás, um pequeno drama: Barrichello, lutando pela sexta posição no seu Brawn com Kovalainen, deitava fumo pelo motor. Julgava-se que não chegaria ao fim, mas a sua veterania veio ao de cima e conseguiu obter dois pontos, importantes para o seu campeonato, e uma pequena recompensa pela má partida.

E quando a bandeira de xadrez foi mostrada, a Formula 1 via o seu sexto vencedor do ano, a primeira vitória da Ferrari e a segunda vitória de um carro com KERS em 2009. Com um extasiado Fisichella a seu lado, nos primeiros pontos e primeiro pódio de sempre da Force India (que numa das suas encarnações fora Jordan, e esta dava-se muito bem em Spa-Francochamps!) e um Sebastien Vettel que recuperava o terceiro lugar da classificação, era mais uma demonstração de que neste campeonato, cada vez mais convenço que o vencedor desta temporada só será conhecido no final da tarde do 1º de Novembro, em Abu Dhabi… Mas até lá temos de passar por outro clássico: Monza!

GP2 – Ronda 9, Belgica (Corrida 2)

A segunda corrida da GP2 na Belgica, que ocorreu poucas horas antes do Grande Prémio, foi movimentada como de costume, onde houve algumas carambolas e a desistência do lider, Nico Hulkenberg. Teve um novo vencedor, o holandês Gierdo Van der Garde, e viu Alvaro Parente desistir devido ao motor partido, quando caminhava para novo pódio.

Partindo da oitava posição, devido á inversão da grelha que acontece aos oito primeiros da corrida anterior, conseguiu chegar ao sexto lugar quando conseguiu realizar uma boa partida, fugindo às confusões em La Source que levaram ao abandono do líder do campeonato, Nico Hulkenberg.

Na segunda volta, mais concretamente em Les Combes, os carros de Pastor Maldonado, Edoardo Mortara (quem mais!) e Kamui Kobayashi viram-se envolvidos num incidente devido a uma oardo Mortaratentativa de ultrapassagem frustrada de Maldonado, donde só se safou Mortara. Parente aproveitou para ascender ao quarto posto, atrás de Van der Garde, o espanhol Roldan Rodriguez e Mortara. Pouco depois entrou o Safety Car (SC) de modo a que fossem removidos em segurança os monolugares de Kobayashi e Maldonado. E foi durante essa fase de permanência do SC em pista que o monolugar de Álvaro Parente ficou envolto numa nuvem de fumo, devido ao tal motor partido, obrigando o piloto português a mais um abandono.

Quando a corrida recomeçou, Van der Garde partiu rumo a uma vitória fácil, seguido por Rodriguez e o brasileiro Diego Nunes. Karun Chandhok foi sétimo, ficando à porta dos pontos, atrás do russo Vitaly Petrov. Quando ao luso-angolano Ricardo Teixeira, o piloto da Trident foi 14º e último. Em relação ao campeonato, Hulkenberg lidera imperial, com 83 pontos, seguido por Vitaly Petrov, com 56. Alvaro Parente pulou agora para a sexta posição, com 27 pontos.

The End: Frank Gardner (1930-2009)

Frank Gardner, um dos muitos pilotos que compuseram a grelha de partida nos anos 60, quer na Formula 1, quer nas provas de Endurance, morreu ontem à noite na Australia, devido a um cancro. Tinha 78 anos.
Gardner foi um dos muitos pilotos australianos que nos anos 60, seguindo os sucessos do seu compatriota Jack Brabham, foi competir na Europa. tinha sido um desportista nato na sua juventude (praticou boxe e natação) até se virar para o automobilismo em 1956, quando foi o campeão de Nova Gales do Sul, ao volante de um Jaguar C-Type. pouco depois foi para Inglaterra, tentar a sua sorte, onde foi trabalhar primeiro como mecânico na Aston Martin, e depois foi aluno da Jim Russell Racing School. Em 1963, mudou-se para a Brabham, onde o próprio Jack Brabham lhe ofereceu um volante para correr. Contudo, este recusou a oferta, tendo perferido correr na equipa de Ian Walker, que lhe oferecia um programa onde correria na Formula Junior e dos Turismos.
Em 1964, correu na Formula 2 europeia, pela John Williment Racing, e estreou-se na Formula 1, ao volante de um Brabham. Não conseguiu qualificar-se, mas isso não impediu de fazer um programa completo em 1965, também ao voltante de um Brabham BT11. A temporada não foi um sucesso, pois não marcou pontos. contudo, deu nas vistas em provas extra-campeonato, como um terceiro lugar no GP do Mediterrâneo, no circuito siciliano de Enna-Pergusa.
Em 1966, passou para os Turismos britânicos, onde foi bem sucedido. E nos sport-Protótipos, também apareciam os bons resultados, nomeadamente um segundo lugar nos 1000 km de Spa-Francochamps. Também deu nas vistas na Tasman Series, onde apesar de nunca ter vencido corridas, ficou no pódio em algumas provas importantes, nomeadamente o GP da Australia.
Foi campeão do BTCC por três vezes, em 1967 (Ford Falcon), 1968 (Ford Escort) e 1973(Chevrolet Camaro). Foi segundo classificado em 1970, e campeão britânico de Formula 5000 em 1971, ao volante de um Lola T300. Nesse tempo todo, evitou a Formula 1, excepto por uma vez, no GP de Itália de 1968, quando correu num BRM da Bernard White Racing, onde nãoi conseguiu qualificar-se.
A sua carreira prosseguiu nos anos 70, tendo obtido bons resultados na Australia, ao ser segundo nos 1000 km de Bathurst, na edição de 1975, Em 1977, foi campeão da Australian Sports Sedan Championship, ao volante de um Chevrolet Corvair. Pouco depois, retirou-se da competição a tempo inteiro, para assumir o papel de “manager” na equipa oficial da BMW no Campeonato Australiano de turismos, cargo onde ficou até 1987. quando a marca alemã regressou à competição, em 1991, voltou aos deveres de “manager”. Entre esses dois periodos, criou a sua própria equipa, a Frank Gardner Racing Team.
Gardner tornou-se num dos homens mais famosos no automobilismo australiano, e uma personagem “larger than life”, como dizem os ingleses. Escreveu um livro sobre a sua vida no automobilismo em 1980, a que deu o título de “Drive to Survive”. Provou que se pode ter uma grande carreira sem passar necessariamente pela Formula 1. Ars lunga, vita brevis.

GP2 – Ronda 9, Belgica (Corrida 1)

Como podem imaginar, andei nervoso para saber como acabaria esta corrida para as cores nacionais. Depois da pole-position de ontem por parte de Alvaro Parente, a primeira também para a Ocean Racing Tecnology, e sabendo eu a imprevisibilidade de Spa-Francochamps e a impulsividade de boa parte dos pilotos da GP2, com “pés de chumbo” inversamente proporcional à massa cinzenta existente no cérebro deles…

Foi uma prova demolidora: somente onze pilotos chegaram ao fim. Acabou com um Safety Car em pista, pois um forte acidente por parte do monegasco Stefano Coletti, a duas voltas do fim, mas dos pilotos principais, Vitaly Petrov foi o mais prejudicado, pois desistiu com um motor partido. Mas compensou: Alvaro Parente sobreviveu aos ataques de Nico Hulkenberg, à imprevisibilidade de Spa-Francochamps e aos outros, e teve a sorte do seu lado para conseguir algo histórico: a vitória.

Pois é, esta história teve um final feliz. Alvaro Parente, um piloto português, deu à Ocean Racing Technology a sua primeira vitória de sempre. Um glorioso dia para o automobilismo e para as cores nacionais! No pódio, Parente esteve acompanhado por Hulkenberg, que é cada vez mais o candidato ao título, e do brasileiro Lucas di Grassi, no seu Racing Engeneering.

Quanto a Karun Chandhok, o outro piloto da Ocean viu-se envolvido na luta pelas últimas posições pontuáveis, acabando por abandonar na sétima volta, depois de errar em Les Combes e fazer um pião, sendo abalroado por Davide Rigon, que não pôde evitar o monolugar da Ocean.

Agora, depois desta tarde histórica para o automobilismo português, Parente partirá amanhã da oitava posição da grelha de partida, pois esta é invertida para os oito primeiros. Umna coisa é certa: o dia de hoje está marcada a letras de ouro na história do automobilismo nacional!

Formula 1 – Ronda 12, Spa-Francochamps (Qualificação)

Em 2009, a temporada de Formula 1 está completamente imprevisível, com a hierarquia totalmente virada ao contrário. E a melhor prova disso é o facto da Brawn GP, a ex-Honda, liderar os campeonatos de pilotos e construtores, graças a Jenson Button e Rubens Barrichello, dois pilotos (principalmente o brasileiro) dados por acabados por muitos do panditas que andam por aí. Button, e agora Barrichello, estão a aprovar que com um excelente carro nas mãos, também podem ser vencedores. E Ross Brawn provou que era um génio, ao usar brilhantemente a interpretação dos novos regulamentos para este ano, especialmente no capítulo dos difusores.

Ao longo desta temporada vimos duas situações distintas: na primeira parte, o domínio dos Brawn GP, contrariados somente pela Red Bull. Mas a segunda parte da temporada começa com o ressuscitar da McLaren, graças ao KERS, os fogachos da Renault e Ferrari (apesar do acidente de Felipe Massa na Hungria) agora, em Spa-Francochamps, provavelmente o circuito mais imprevisível do calendário deste ano (depois do sr. Bernie Ecclestone ter-nos tirado Montreal), tivemos a mais recente surpresa: um Force Índia na pole-position!

É verdade, a Formula 1 desta temporada é como a vida segundo Forrest Gump: uma caixa de chocolates, pois nunca saberemos o que vem lá dentro. A qualificação nem foi em molhado, mas sim em tempo seco, e eventualmente com o depósito no limite, o piloto Giancarlo Fisichella, um veterano na sua 14ª temporada na Formula 1, aproveitou a potência do seu motor Mercedes para fazer algo incrivel, aos olhos da maior parte dos observadores. Uma pole-position, numa equipa que nunca conquistou um ponto na sua história!
É incrível, nunca esperei conseguir a ‘pole-position’. É incrível, é fantástico“, afirmou um extasiado Giancarlo Fisichella logo após a sessão. “Estou muito feliz. Tenho de agradecer a toda a equipa, porque eles fizeram um excelente trabalho“, acrescentou. Quanto à corrida de amanhã, Fisichella afirmou que está “muito confiante para a corrida mas temos de esperar para ver como tudo vai acontecer“. Querem apostar que ele vai reabastecer à quinta volta? Spa é o circuito mais longo do Mundial…

Há outras surpresas na grelha: Jarno Trulli é o segundo a partir, no seu Toyota, e Nick Heidfeld é o terceiro, no seu BMW. Com uma equipa a anunciar a sua retirada, e outra a repensar o seu futuro mais próximo, até convêm mostrar algum serviço na Formula 1. E ambos os pilotos, que estão com uma situação delicada para 2010, este resultado até pode ser um belo cartão de visita.
Obviamente que este é um resultado muito importante para a equipa. Dissemos que a BMW queria sair em alta, mas este terceiro posto é ainda mais importante para as pessoas que trabalham em Hinwill. Estamos a trabalhar para garantir que mantemos a equipa e é bom mostrar uma boa performance“, afirmou um surpreso Nick Heidfeld.

É um mistério. Nao fizemos nada ao carro comparado com as últimas corridas e, subitamente, somos competitivos. É fantástico, porque estamos a atravessar um peiodo difícil“, começou por referir Jarno Trulli. “Não percebemos porque temos dificuldades por vezes e depois somos competitivos, como aconteceu hoje. Estou muito confiante para amanhã“, revelou o italiano.
Mas no meio das surpresas, uma confirmação: Rubens Barrichello é o quarto classificado, e nesta altura do campeonato, provavelmente tornou-se no melhor candidato ao título, principalmente quando o seu rival, e companheiro de equipa Jenson Button, vai apenas partir da 14ª posição da grelha de partida. E os unicos candidatos ao título que entraram na Q3 foram os Red Bull de Sebastien Vettel e Mark Webber, que foram respectivamente oitavo e nono classificados. Lewis Hamilton foi apenas 12º.
E os Ferrari? Kimi Raikonnen parte do sexto posto, atrás de Robert Kubica no seu segundo BMW. E Luca Badoer? Bom… já fez melhor, sem dúvida, mas vai partir do último posto. É definitivamente o mundo de cabeça para baixo, esta temporada de 2009! Veremos como será o desfecho desta aventura na corrida de amanhã.

GP Memória – Belgica 1999

Depois da vitória de Mika Hakkinen na Hungria, o campeonato esta ao rubro com a luta entre ele e Eddie Irvine. Ambos estavam separados por escassos dois pontos – 56 contra 54 – e qualquer um não se podia dar ao luxo de errar, se queria ter hipóteses de lutar verdadeiramente pelo título. Ainda por cima com a ausência forçada de Michael Schumacher, definitivamente o melhor piloto do pelotão, essa era uma chance que não podia ser desperdiçada.

Máquinas e pilotos chegavam a Spa-Francochamps para disputar a 12ª prova do Mundial de 1999, e os McLaren eram os claros favoritos. Disputado sob tempo seco em todo o fim-de-semana, isso foi bem aproveitado por Hakkinen para conseguir a sua quinta pole-position consecutiva do ano e teria a seu lado o companheiro de equipa, o escocês David Coulthard.

A segunda fila da grelha era toda da Jordan: Heinz-Herald Frentzen era melhor do que Damon Hill, e ambos tinham batido Eddie Irvine, que iria somente largar da sexta posição, batido ainda por Ralf Schumacher, no seu Williams. Rubens Barrichello, no seu Stewart, era sétimo, e Alex Zanardi, no segundo Williams, conseguia o oitavo melhor tempo. A fechar o “top ten” estava o Ferrari de Mika Salo e o segundo Stewart de Johnny Herbert.

Sob céu limpo e sol, e perante mais de cem mil pessoas, máquinas e pilotos preparavam-se para o GP da Bélgica, esperando que não existisse uma nova repetição dos acontecimentos do ano anterior. Não aconteceu, mas esteve quase. Na partida, a embraiagem de Hakkinen teve problemas, o que foi aproveitado por Coulthard para ficar à frente dele. Hakkinen não se intimidou e travou mais tarde para tentar recuperar a posição perdida, só que ambos tocaram no gancho de La Source. O toque foi sem consequências, mas as recordações de Zeltweg, mês e meio antes, vieram à tona. Contudo, o escocês passou para a frente, e não mais largou o lugar até ao final da corrida.

No final da corrida, Hakkinen justificou o que se passou na partida: “Quando as luzes vermelhas se acenderam, precisamos de sentir a embraiagem para saber onde ela está pegando. Só que pegou quando eu não esperava, e o carro deu um pequeno pulo para a frente. Consegui parar imediatamente e pus de novo o pé na embraiagem. Só que nesse momento, as luzes vermelhas acenderam…

Coulthard disparou na liderança, e Hakkinen limitou-se a segui-lo, enquanto que mais atrás, Frentzen tinha a corrida controlada, mas em ritmo elevado, pois aspirava o segundo posto de Hakkinen. Mais atrás, Irvine estava a ser pressionado por Ralf Schumacher, mas depois do primeiro reabastecimento, perdeu muito tempo atrás de Salo, enquanto que na luta pelo último lugar pontuável estavam Hill e Zanardi. No final, um segundo reabastecimento mais prolongado deu o sexto posto ao veterano piloto da Jordan. Para Hill, este viria depois a ser o seu último ponto na Formula 1.

Quando David Coulthard cortou a meta pela última vez, a McLaren podia celebrar uma dobradinha, mas com a ordem invertida. E se Hakkinen tinha ganho em pista três pontos a Irvine, a falha de ordens de equipa impediu-o de conseguir mais quatro, e assim, o finlandês era o novo líder do Mundial, mas apenas com um ponto de vantagem, em vez de quatro pontos, caso tivesse ganho. E Monza estava ali à esquina…

Fontes:

Santos, Francisco – Formula 1 1999/2000, Ed. Talento, Lisboa, 1999

http://en.wikipedia.org/wiki/1999_Belgian_Grand_Prix
http://www.grandprix.com/gpe/rr642.html