GP Memória – Espanha 1989

Uma semana depois dos acontecimentos no Estoril, máquinas e pilotos deslocavam-se para o desolado Autódromo de Jerez de la Frontera, onde a Ferrari só alinhava com um carro para esta corrida, cumprindo o castigo que Nigel Mansell tinha sido punido por ter desobdecido à ordem de parar, e ter colocado Ayrton Senna fora de caminho. Mansell protestou a suspensão, ameaçando até retirar-se da competição de forma imediata, mas o bom senso apossou-se dele e obedeceu à sanção. Nesta corrida espanhola, Senna tinha uma unica chance, muito longa e quase impossivel de impedir que o campeonato caisse nas mãos de Prost: vencer as três provas que faltava, pois ainda beneficiava da regra dos onze melhores resultados, algo que não iria acontecer a Prost, que devido à sua regularidade, iria deitar pontos fora. Independentemente disso, esta era uma tarefa digna de Jim Phelps, o homem da Missão Impossivel…
Entretanto, no enorme pelotão da Formula 1, a Rial, do volátil Gunther Schmidt, trocava de pilotos. O alemão Christian Danner foi substituido pelo suiço Gregor Foitek, que tinha corrido anteriormente pela Eurobrun. Foitek não melhorou muito mais a situação da equipa alemã, e para piorar as coisas, o piloto suiço sofreu um forte embate contra os rails, devido a uma quebra no aerofólio traseiro, quase no mesmo sítio onde um ano mais tarde, o irlandês Martin Donnely terá o seu grave acidente, que acabou com a sua carreira na Formula 1. Mas desta vez, e para alivio de todos, Foitek saiu incólume.

Na pré-qualificação de sexta-feira de manhã, para surpresa de alguns, os Osella de Piercarlo Ghinzani e Nicola Larini conseguiram passar, acompanhados pelo Larrousse de Philippe Alliot e pelo Onyx de J.J. Letho, que conseguiu ser mais rápido do que o do seu companheiro Stefan Johansson, que tinha conseguido um pódio na corrida anterior, e o Larrousse de Michele Alboreto, que não conseguiram a qualificação.

No final de ambas as sessões de treinos, o melhor foi o McLaren de Senna, com Gerhard Berger, no seu Ferrari, a seu lado. Alain Prost era o terceiro, com o Minardi de Pierluigi Martini a aproveitar a boa onda e a qualificar-se na quarta posição da grelha. Na terceira fila estava o Larrousse de Alliot, que tinha a seu lado o Williams-Renault de Riccardo Patrese. Na fila a seguir estavam Nelson Piquet, no seu Lotus-Judd, e o Brabham-Judd de Martin Brundle, e na quinta fila, para fechar os dez primeiros, estava o jovem Jean Alesi, no seu Tyrrell-Cosworth, e o Benetton de Emmanuele Pirro.

Três pilotos falhavam a qualificação. Para além dos dois Rial de Foitek e Pierre-Henri Raphanel, o Ligier de René Arnoux também não conseguia ficar entre os 26 pilotos que faziam então parte da grelha de partida.

Apesar de uns ameaços de chuva na hora anterior à partida, a corrida começa com tempo seco. Senna parte na frente, seguido de Berger e Prost. A meio do pelotão, Ivan Capelli e Satoru Nakajima colidiam, com o japonês a abandonar e o italiano da March a perder cinco voltas com o incidente. À medida que as voltas eram cumpridas, via-se a longa fila de carros, numa corrida longa e extenuante, dado a sinuosidade do circuito. E não havia grandes emoções na frente, apesar dos problemas que Berger sofria no seu motor, especialmente quando curvava à esquerda. Mas nada de demais existiu nessa corrida, com a excepção de uma troca tardia de Patrese, que perdeu o quarto lugar em favor de Alesi.

No final da corrida, Senna tinha cumprido a sua missão, com Berger em segundo e Prost em terceiro. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram Alesi, Patrese e Alliot, dando à Larrousse e à Lamborghini o seu primeiro ponto do ano. Agora máquinas e pilotos arrumavam os seus carros e preparavam-se para correr dali a três semanas, no circuito japonês de Suzuka. Sabia-se que aquela iria ser a etapa decisiva do Mundial, mas desconhecia-se então até que ponto aquela corrida iria ser marcante naquele ano, e na história da Formula 1…

Fontes:

Santos, Francisco – Formula 1 1989/90, Ed. Talento/Edipromo, Lisboa/São Paulo, 1989.

http://en.wikipedia.org/wiki/1989_Spanish_Grand_Prix
http://www.grandprix.com/gpe/rr482.html

Sistema KERS pode não ser usado em 2010?

Já queria falar sobre isto ainda ontem, mas só consegui arranjar tempo agora.
O sempre insuspeito site inglês de automobilismo “Grand Prix“, afirmou ontem que as equipas inscritas na FOTA poderão ter feito este fim de semana em Singapura um acordo de principio respeitante ao mal amado sistema de recuperação de energia KERS. Todas elas acordaram tácitamente que não utlizarão o sistema na temporada de 2010, mas seriam livres de desenvolver e utilizar, a partir de 2011, sistemas mais desenvolvidos e mais eficazes de recuperação de energia.
Aparentente, a FOTA queria tomar esta medida há mais tempo, mas a Williams se opôs a isso por estar a desenvolver um sistema mais eficaz de recuperação, que esperava estar pronto no próximo ano. Contudo, houve atrasos no desenvolvimento deste sistema, logo, as objecções foram agora levantadas.
Ainda não existem anuncios oficiais sobre este caso, mas o facto do sistema KERS, imposto pela FIA e por Max Mosley, ter sido algo incompreendido pelas equipas, devido ao seu peso e a sua pouca eficácia, pelo menos nesta temporada. Algumas equipas nunca o instalaram, outras retiraram-no ao fim de algumas corridas, e outras, como a McLaren, Ferrari e Renault, tem-no instalado nos seus carros, embora somente a equipa de Woking ter sido beneficiada com este sistema, dado que graças à sua crescente eficácia, Lewis Hamilton ter sido o primeiro a ganhar corridas com ele instalado.

Troféu Blogueiros – As notas de Singapura

Com um dia de atraso, bem sei (só consegui ver isto hoje…), mostro-vos agora as notas que os blogueiros deste painel deram às performances dos pilotos no monótono GP de Singapura.
Não se pode dizer que haja aberrações em termos de notas, porque aqui venceu o melhor piloto durante o fim de semana (também numa corrida monótona…) e ninguém colocou notas mais altas daquelas que verdadeiramente mereciam, digo eu!

E agora… vamos para Japão!

Já é oficial! Fernando Alonso é piloto da Ferrari

E pronto: a Ferrari anunciou oficialmente aquilo que já se sabia há eras: Fernando Alonso vai ser o seu piloto a partir da temporada de 2010, num contrato que terá a duração de três épocas. Substituirá Kimi Raikonnen na equipa, que provavelmente irá para a McLaren.
Estamos orgulhosos em poder dar as boas vindas à nossa equipa a mais um piloto ‘vencedor’, que já demonstrou o seu grande talento, ao vencer dois Campeonatos do Mundo de Formula 1. “, começou por referir Stefano Domenicali, acrescentando: “Queremos agradecer ao Kimi por tudo o que fez durante a sua estadia na Ferrari. Foi Campeão no primeiro ano com a equipa, e teve um papel primordial nos títulos de Construtores da equipa em 2007 e 2008.”, concluiu.
Já Kimi Raikonnen, se pronunciou relativamente ao anúncio da sua substituição por Fernando Alonso na Ferrari, dizendo-se “muito triste pelo desfecho“, mas resumiu a sua passagem pela Scuderia como três anos “fantásticos“.
Acordámos em terminar a nossa ligação que se estendia até ao fim de 2010. Estou muito triste por deixar uma equipa com quem passei três anos fantásticos, durante o qual venci muitas corridas e onde, juntos, vencemos 50% dos títulos mundiais. Consegui o título de pilotos em 2007, alcançando assim, a meta a que me propus no início da minha carreira. Sempre me senti como se estivesse em casa e irei ter muitas lembranças felizes deste período com a equipa.”, concluiu.
Agora que esta novela terminou, o que acho disto tudo? Para já, só explanarei isto com mais calma a partir de amanhã. Mas digo o seguinte: ainda se lembram do final de Nurburgring 2007? Vão lá ao Youtube para verem o que se passou, se já vos apagou a memória… espero que Massa seja forte, pois este vai ser o maior desafio de todos, provavelmente maior do que o seu acidente na Hungria. É o que penso, por agora.

GP Memória – Canadá 1979

Depois do pelotão da Formula 1 comemorar os títulos de pilotos e construtores da Ferrari, na sua casa de Monza, era a altura de correr as duas etapas finais deste campeonato, em paragens americanas. A primeira dessas corridas era em Montreal, no Canadá, onde o agora vice-campeão do mundo, Gilles Villeneuve, se sentia em casa, e queria repetir o feito do ano anterior, onde venceu a corrida.

Na lista de inscritos havia algumas alterações significativas. A Fittipaldi inscrevia um segundo F6 para Alex Dias Ribeiro, enquanto que a Tyrrell tinha um terceiro carro para o irlandês Derek Daly. A Alfa Romeo tinha levado para Montreal os seus dois carros, para Bruno Giacomelli e Vittorio Brambilla, preparando-se para a temporada de 1980, onde apareceriam em força. Ao todo estavam 30 carros, para 24 lugares, e os problemas começaram a surgir para os organizadores. Assim sendo, pediram à Alfa Romeo para que participassem sozinhas numa pré-qualificação, onde o melhor entraria. A equipa recusou, dizendo que tinham direito a correr da mesma forma que os outros pilotos. A organização impediu inicialmente que os Alfa Romeo corressem em pista, mas no final chegou-se a um compromisso, deixando apenas um carro, o de Brambilla, enquanto que o outro carro, o de Giacomelli, ficava de fora.

Com este compromisso alcançado, máquinas e pilotos foram para a pista correr, mas na sexta-feira à tarde, o paddock da Formula 1 é abalado pela inesperada notícia da retirada de Niki Lauda. Após nove anos de competição e dois títulos mundiais, o piloto austríaco, que estava a ter uma má temporada nesse ano, decidira que era altura de retirar-se da competição e dedicar-se ao seu projecto aéreo, a Lauda Air. Apanhado de surpresa pela decisão (mas não tanto, como veio a saber-se mais tarde), Bernie Ecclestone foi buscar o argentino Ricardo Zunino para correr no seu carro para esta corrida. Chegou a pedir pelos altifalantes do circuito se havia algum piloto disponível para correr, e Zunino apareceu.

Depois disto, a qualificação prosseguiu, com Alan Jones e conseguir superar o ídolo local Gilles Villeneuve e fazer a “pole-position”, com Villeneuve logo a seu lado. Na segunda fila estava o segundo Williams de Clay Regazzoni, que tinha a seu lado o Brabham-Alfa Romeo de Nelson Piquet. Na terceira fila estava o Ligier-Cosworth de Jacques Laffite e logo atrás o Tyrrell-Cosworth de Didier Pironi. A quarta fila tinham os Renault de Jean-Pierre Jabouille e René Arnoux, e para fechar o “top ten” estavam o Ferrari de Jody Scheckter, agora campeão do Mundo, e o Lotus-Cosworth de Mário Andretti.

Ricardo Zunino portou-se bem e ficou com o 19º tempo na qualificação, imediatamente atrás de Vittorio Brambilla e o seu Alfa Romeo oficial, enquanto que havia cinco pilotos não-qualificados: o Arrows-Csoworth de Jochen Mass, o Wolf-Cosworth de Keke Rosberg, o Ensign-Cosworth de Marc Surer, o Merzário-Cosworth de Arturo Merzário e o Copersucar-Coaworth de Alex Dias Ribeiro.

No início da corrida, Villeneuve leva a melhor sobre Jones e passa para a liderança. Regazzoni é terceiro, seguido por Piquet. Na volta seguinte, o brasileiro fica com o terceiro lugar, enquanto que Jones persegue Villeneuve. A corrida foi um constante perseguição entre Jones e Villeneuve, com o canadiano, graças ao poder do seu Ferrari, a conseguir superar um Williams que era melhor em termos aerodinâmicos. Esta perseguição durou mais de metade da corrida, até à entrada da 50ª volta. No final da virada do Casino, Jones atacou a liderança do canadiano, e conseguiu superá-lo, com uma ultrapassagem louca, pois ambos os pilotos tocaram nas rodas. Aparentemente esta estava a ser uma manobra usual nas pistas nessa temporada…

Após isso, Jones passou a caça e Villeveuve era o caçador. Perseguido a partir dali, o canadiano quis reempossar a liderança que a tinha tirado no inicio da corrida, mas Jones conseguiu segurar o piloto local, e estava disposto a fazê-lo até ao final da corrida. Mais atrás, Piquet estava num sólido terceiro lugar e a caminho de um pódio mais do que certo. Contudo, a poucas voltas do fim começou a ter problemas com a caixa de velocidades do seu Brabham e começou a perder posições. Mais tarde, acabou por abandonar. Assim, o terceiro lugar ficou nas mãos de Regazzoni.

No final da 72ª volta, a bandeira de xadrez era mostrada e Jones tinha levado a melhor sobre Villeneuve, em solo canadiano, com Clay Regazzoni a acompanhá-los no pódio, na terceira posição. Aquele que viria a ser o último pódio do piloto suíço na sua longa carreira na Formula 1. Nos restantes lugares pontuáveis focaram o novo campeão do Mundo, Jody Scheckter, o Tyrrell-Cosworth de Didier Pironi e o McLaren-Cosworth de John Watson. Agora, máquinas e pilotos rumavam a Watkins Glen para um devido encerramento da temporada.

Videos do Mantovani – GP de Singapura

O video desta semana do Bruno Mantovani, sobre o GP de Singapura deixa-nos a penasr: quem serão os que se escondem na sombra? Alguns falam no retorno de Briatore e Symmods, mas outros, a ver pelo aparecimento da última persongaem neste video, pode julgar que tem a ver com os pilotos que espreitam as novas vagas para 2010. Regressos e algumas coisas mais… é bem capaz.

Enfim, cada um que tire as suas conclusões.

"Guerilla Marketing" em Singapura!

Ponham-se a pau, meus amigos, que momentos destes não faltarão até ao dia 23 de Outubro, dia das eleições para a presidência da FIA. Se muitos acreditam que Jean Todt tem a eleição na mão, creio que se deve pensar maus algumas vezes. Depois de ontem ter lido que Todt desprezou o representante sul-africano e este ter reagido furiosamente (don’t mess with South Africa, Jean!), no Domingo, as câmaras seguiam a “entourage” de Todt, que vinha acaompanhado de Bernie Ecclestone.

Só que não contavam com o “raid” de Ari Vatanen, o outro candidato à presidência, qual Emplastro (no bom sentido), que decidiu entrar ali sem pedir autorização a ninguém, para sacar um cumprimento a Todt. Pode-se ouvir Ecclestone a dizer algo como “watch it!”, mas ele nem se importava… Confesso que dei as minhas risadas, nesta pérola que vi no site da RTP dedicado a Formula 1!

Noticias: Alonso na Ferrari, Raikonnen a caminho da McLaren

Os sites de hoje acordam com duas noticias perfeitamente relacionadas: Kimi Raikonnen vai para a McLaren, e no seu lugar entra Fernando Alonso, proveinente da Renault.

Esta manhã, a BBC Sport anuncia no seu site de que asturiano Alonso assinará um contrato por dois anos, com um valor anual de 19 a 25 milhões de euros por ano, com mais uma extensão de contrato de dois anos, e ainda uma sexta temporada como extra, dependente de várias circunstâncias. No final, Alonso poderá ficar na marca do Cavalino até 2014, altura em que terá 33 anos, ideal para encerrar a sua carreira na Formula 1. Segundo o próprio site, apesar do anuncio oficial ser feito este fim de semana, durante o GP do Japão, Alonso poderá ter chegado a um entendimento com a marca de Maranello desde Julho de 2008.
Quanto ao seu substituto na Renault, o grande candidato ao lugar é o polaco Robert Kubica, que viria da BMW Sauber.
Quanto a Kimi Raikonnen, o seu destino na Formula 1 é mais um regresso. Alguma imprensa desportiva aponta que o piloto finlandês de 29 anos poderá ir para a McLaren, fazendo parelha com Lewis Hamilton, mais uma “dupla de sonho” que a marca de Woking já nos habituou, desde os tempos de Lauda/Prost, em 1984/85, que teve como auge a relação tempestuosa entre Senna/Prost, em 1988/89. Raikonnen quis cumprir o contrato até ao final, mas com a Ferrari a indicar-lhe o caminho de saída, ele não teve outra hipótese que negociar a sua saída.
Quanto a Heiki Kovalainen, o seu destino ainda é desconhecido. Mas com o “engordamento” da Formula 1 previsto para 2010, lugares não faltarão.

Noticias: Glock dispensado da Toyota

Depois de duas temporadas na Toyota, Timo Glock foi libertado pela sua equipa para procurar novo poiso na Formula 1. A noticia surgiu primeiro na imprensa alemã, mas depois foi o próprio que o confirmou este fim de semana em Singapura, antes do piloto alemão conseguir igualar o seu melhor resultado de sempre, o segundo lugar no circuito citadino noturno.

Agora, tenho de procurar alternativas. Tenho várias possibilidades e estou muito confiante. Vamos ver o que acontece esta semana“, afirmou Timo Glock.

Esta noticia poderá ser para muitos analistas um sinal de que a Toyota poderá anunciar a sua retirada neste fim de semana, no Japão, para se concentrar de novo em Le Mans, mas ainda nada se sabe sobre o destino de Jarno Trulli, o outro piloto da marca, que está lá desde o final de 2004. Outra hipótese que se fala é que marca nipónica poderá colocar no lugar de Glock um piloto da casa, nomeadamente Kazuki Nakajima, que em principio ficará sem lugar na Williams no final desta temporada, uma vez que esta irá trocar os seus propulsores Toyota a favor de Renault ou Cosworth.

Glock, actualmente com 27 anos, está na sua terceira temporada na Formula 1, depois de uma estreia a meio gás em 2004, ao serviço da Jordan. Correu na CART e na GP2, onde foi campeão da categoria em 2007, para correr na marca nipónica a partir da temporada seguinte. Ao serviço da Toyota conseguiu três pódios, uma volta mais rápida e 56 pontos no total. Esta temporada está na nona posição do campeonato, com 24 pontos.

Historieta da Formula 1 – Como Bernie Ecclestone arranjou um substituto para Niki Lauda

Faz agora 30 anos sobre a primeira saída de Niki Lauda da Formula 1. Dois dias antes do Grande Prémio do Canadá de 1979, um Niki Lauda frustrado e saturado chegava-se ao pé de Bernie Ecclestone, seu patrão da Brabham, e dizia que não queria mais correr, perferindo dedicar-se à sua companhia aérea, a Lauda Air.

De repente senti um vazio, uma total falta de interesse no que estava fazendo. Fui para as boxes e acabei com tudo. Havia outro mundo lá fora. Foi uma decisão que tomei sozinho, só depois falei com Ecclestone e com os patrocinadores. Eles entenderam. Afirmei muitas vezes que um bom piloto de Formula 1 tem que ter um coração e uma cabeça muito especiais. Não sei qual dos dois mudou em mim, se o coração, se a cabeça”. (…)

Foram basicamente dez anos felizes para mim. Perfeitos. Fiz algo que gostei e me tornou rico. Que mais poderia querer? Digo que me enriqueceu, mas acima de tudo, enriqueceu a minha alma, não a minha carteira. De repente tinha o suficiente. Por isso a minha necessidade de outras coisas, o meu interesse pela aviação. Talvez daqui a dez anos, talvez mais cedo, procure outra coisa, outros objectivos. Rotina não faz o género de pessoas como eu”, afirmou semanas mais tarde, quando justificou a sua retirada das pistas.

Ecclestone aceitou a decisão do seu piloto, mas via-se a braços com um problema: quem e onde iria arranjar um substituto naquele momento, de perferência a tempo de alinhar na corrida de Domingo? Ainda por cima, iria estrear ali o novo modelo BT49, que entraria em força na temporada de 1980…
Conta-se que Ecclestone pediu a alguém para que anunciasse no sistema de altifalantes do circuito para que alguém com experiência de automóveis, fosse ter à boxe da Brabham… para pilotar o carro. O argentino Ricardo Zunino, que era piloto e que estava em Montreal como espectador, habilitou-se a aparecer na boxe… e foi ele o escolhido! E esta é a versão oficial da coisa.

A verdade não anda muito perto disso. É certo que Zunino estava lá como espectador, mas ele já tinha testado na Brabham a meio desse ano, e tinha corrido na Formula Aurora, a série britânica de Formula 1 onde se corria em chassis mais antigos. A sua estadia em Montreal não era só ver os seus companheiros andarem em circulos, mas provavelmente dentro da Brabham, Ecclestone já sabia que Lauda estava desmotivado, e Zunino estava lá como alternativa, caso o piloto austriaco o deixasse na mão numa situação inesperada, como acabou por acontecer.
Zunino foi correr no chassis novo e até se portou bem. Foi 19º na grelha e terminou a corrida na sétima posição, à porta dos pontos. Era até um bom começo, e ficou na equipa para a temporada de 1980, mas o seu andamento era claramnte inferior que o seu comapnheiro de equipa, o brasileiro Nelson Piquet. Após o GP de França, Zunino foi dispensado dos seus serviços e substituido pelo mexicano Hector Rebaque.