Nas entrelinhas das apresentações

Passadas as emoções do dia, é altura de ler o que os outros dizem. E no mar de apresentações, ler alguns dos mais importantes da nossa blogosfera automobilistica para ver o que dizem, e descortinar as “meias palavras” deles, é um excelente exercício para olhos treinados, no sentido de descortinar o futuro próximo esta Formula 1 em 2010, no meio de uma crise sem precedentes na nossa economia mundial. O desabafo de ontem teve hoje algumas respostas, mas claro, não todas. E muito desse desabafo terá a sua conclusão amanhã.

Se repararam nas apresentações de hoje, viu-se que os flancos dos carros andam virgens de patrocínios. A Renault, tirando a Total e pouco mais, nada tem nos seus flancos. Para não falar na Sauber, que se apresentou ao mundo de forma imaculada. Em ambos os casos, são sinais de que a crise atingiu bem feio no seio da Formula 1. Duro e feio, muito feio.

Se as equipas da frente nada temem (a Ferrari afirma que vai gastar cerca de 300 milhões de euros), hoje vimos as apresentações de duas equipas ditas… do meio do pelotão. Claro, vão correr sem problemas a temporada de 2010, mas o facto de, por exemplo, a Renault ter vendido grande parte do capital e ficar-se como fornecedora de motores, para além de ter contratado um piloto com uma mala cheia de rublos (apesar de ter algum talento) é um sintoma da crise. Para além dos flancos e asas sem patrocínio…

O caso da Sauber também preocupa. Apesar de Peter Sauber ter dito que tem tudo garantido em 2010, e de Pedro de la Rosa ter apoios a rondar os dez milhões de euros para conseguir o seu lugar, aquele branco virginal parece ser preocupante. E claro, apesar da confiança, Sauber não deixou de dizer que precisa de dinheiro para garantir os anos seguintes. E quem viu o carro da Williams, no “shakedown” de Silverstone, reparará que também existem espaços por preencher. E como nos outros dois, é uma equipa do meio do pelotão, lutando por pódios.

E claro, se falo assim das equipas do meio do pelotão… imaginem as novatas.

Na semana que vai começar, haverá uma reunião da comissão da Formula 1, entre FIA, FOTA e o Bernie Ecclestone para discutir a situação das novas equipas, aceites no inicio do ano passado pelo então presidente, Max Mosley. Como sabem, essas decisões foram controversas, dado que a escolha delas foi baseada em critérios políticos do que na estrutura das várias candidaturas. A USF1 criou a sua estrutura no início desse ano e a Campos Meta, só depois da sua candidatura ser aceite é que construiu a sua. Tanto assim que o chassis, como vocês sabem, está a ser construído pela Dallara.

E das quatro, mesmo a Virgin tem problemas. O facto de ser apoiada por Richard Branson implicou não a angariação de mais patrocínios, mas sim o seu afastamento. E o facto de Alex Tai, um dos directores nomeados pela empresa, ter sido rapidamente afastado pela sua manifesta incapacidade de lidar com a equipa (substituído por John Booth, o homem forte da Manor), demonstrou também que ali existe alguma desorganização. E claro, não se pode esquecer que a equipa vai correr com um orçamento de tostões: 45 milhões de euros.

Parece que a única que navega em águas calmas é a Lotus. Que entrou como “extra”, alguns meses depois das outras três, para na altura substituir a BMW Sauber. Quem diria? Parece que vão ser os últimos a rir…

Nesta “avaliação da situação” surgiu uma possibilidade, aventada esta tarde pelo Luiz Fernando Ramos, o Ico: a FIA pode considerar que as novas equipas podem falhar três corridas em 2010, no sentido de se prepararem melhor para a sua temporada de estreia. Como sabem, das quatro novas, somente Virgin e Lotus as datas de apresentação devidamente marcadas no calendário: 3 de Fevereiro para a Virgin, 12 de Fevereiro para a Lotus. Da Campos e da USF1… nada. E como diz o Ico: “Para Bernie permitir isso, é porque a situação está muito feia”.

Mas não devo acreditar muito nisso porque… a ser realidade, o mais lógico seria deitar fora as corridas fora da Europa e estrear-se em Barcelona, por exemplo. Só que Espanha é a quinta prova do ano, depois de Bahrein, Austrália, Malásia e China. Como as novatas não tem o dinheiro das transmissões televisivas (é por isso que Peter Sauber deixou ficar a incrível denominação BMW-Ferrari no seu Sauber), perguntar-me-ia como é que eles vão arranjar dinheiro para levar os seus chassis para as outras paragens fora da Europa?

E ainda outro factor a ter em conta: a Stefan GP. Ninguém ouviu falar de Zoran Stefanovic antes do final do ano passado, quando este avançou para comprar os activos da Toyota: a fábrica de Colónia, os motores, o chassis TF110, e pelo menos 150 dos trabalhadores que a empresa tinha. E parece que também terá Kazuki Nakajima na equipa. Bernie Ecclestone quer “correr” com a Campos Meta, que aparentemente foi comprada este fim-de-semana pelo nosso conhecido Tony Teixeira, o “coveiro” da A1GP. Como expliquei ontem, Teixeira e Campos tem de explicar ao grupo da Formula 1 que tem pernas para andar. Caso contrário, a equipa pelo qual Bruno Senna espera estrear-se na Formula 1 corre o risco de ser uma nado-morta. E a Stefan GP entrar no seu lugar, se Ecclestone convencer o resto do pessoal de que eles têm pernas para andar…

Em suma: a Formula 1 mostra-se no meio de um emaranhado, com um enredo digno de telenovela mexicana. E a sofrer os efeitos da crise…

Fez-se história! João Barbosa vence as 24 Horas de Daytona

Pouca gente deve ter seguido isto em Portugal, tirando os mais fãs mais “hardcore”, mas há poucos momentos atrás, João Barbosa entreou na história do automobilismo português ao ser o primeiro piloto a vencer as 24 horas de Daytona, num Riley-Porsche, ao lado de Ryan Dalziel, Mike Rockenfeller e Terry Borcheller. Outro piloto português presente em Daytona, Pedro Lamy, terminou a corrida na sexta posição, depois de fazer parte da equipa que fez a pole-position, que foi conseguida por Max Angelelli. Para além disso, fez a melhor volta da corrida.

Numa corrida de 24 horas, foram muitos os incidentes ao longo da corrida da Grand-Am. Para além dos treze lideres, houve mais de vinte situações de bandeira amarela. Mas a primeira situação começou logo á partida: sob chuva e asfalto molhado, começou sob pace car e bandeiras amarelas.

A equipa de Pedro Lamy fez uma corrida tranquila nas primeiras horas, mas na sexta hora, quando o voltante estava com o piloto da Peugeot na Le Mans Series, um toque no muro fez atrasar um pouco o Dallara-Ford. Pouco depois, os carretos da caixa de velocidades deram problemas, que o fizeram arrastar até ao sexto posto final.

O carro de João Barbosa, que levava o numero nove, sempre foi considerado como um dos favoritos, mas só foi a partir da segunda metade da corrida é que disputou a liderança com o carro da Ganassi (pilotado, entre outros, por Juan Pablo Montoya) e da Crown Royal, e beneficiou os problemas do carro da Ganassi, que o fez perder uma volta nas boxes. A última parte da corrida foi guiada por Barbosa, que só teve que levar o carro tranquilamente para a meta e escrever mais uma página de ouro do automobilismo português.

Estou sem palavras.”, disse João Barbosa na entrevista após a corrida. E por uma boa razão, não é?

Apresentações, parte II: O Renault R30

No mesmo dia em que a Sauber “regressa” às lides após o final da sua parceria com a BMW, a Renault regressa a um certo passado, ao apresentar o seu R30 com as cores que o fizeram famoso nos anos 70 e 80: em amarelo e preto. E também confirmou colo segundo piloto o russo Vitaly Petrov, o “foguete de Vyborg”, vice-campeão da GP2 em 2009 e o primeiro russo na história da Formula 1.

Nesta cerimónia, que também aconteceu em Valencia, para além do polaco Robert Kubica, foram também apresentados os outros dois pilotos da marca: o belga Jerome D’Ambrosio e o chinês Ho-Pin Tung.

Traçar objectivos nunca é fácil, mas queremos recolocar a Renault nos lugares da frente da grelha da Formula 1. Sabemos que não o vamos conseguir da noite para o dia, mas pretendemos dar passos seguros nesse sentido. Um de cada vez! O R30 deverá ser competitivo e fiável, e nas fábricas de Enstone e Viry trabalhou-se arduamente para iniciarmos a época da melhor forma possível. Nestas fábricas há muito se conhece o sabor da vitória e certamente não se desaprendeu como vencer na Fórmula 1.”, referiu o patrão da equipa, Eric Boullier, em declarações captadas pela Autosport portuguesa.
Quanto a Petrov, a confirmação é a concretização de uma longa espera, que às vezes o deixou nervoso: “Foi um Verão muito longo para mim e me sentia nervoso quando via outros pilotos sendo confirmados. Graças à Renault, meu sonho virou realidade. Mal posso esperar para sentar no cockpit e completar minha primeira volta“, disse o russo, em declarações captadas pelo site brasileiro Tazio.

Vitaly Petrov demonstrou também perferência por corridas que normalmente outros odiariam: pistas urbanas e corridas à chuva. O russo, que conta com bastante apoio financeiro, curiosamente, afirmou que prefere corridas com chuva e em pistas urbanas, geralmente as mais odiadas pela maioria dos competidores. “Mal posso esperar para corridas com chuva e circuitos de rua, pois comecei minha carreira na Russia competindo em rali e no gelo, então me sinto confortável nessas condições. Mas antes preciso ver como o carro reage na chuva“, declarou. “Quero aprender o máximo possível com o time e com o Robert. Estou orgulhoso de estar aqui e quero fazer o melhor trabalho possível. Tentarei ficar o mais perto de Robert e somar pontos para a equipa“, completou.

Apresentações: o Sauber C29

Numa cerimónia simples, e com a presença do seu fundador, a Sauber apresentou o seu C29 no circuito Ricardo Tormo, em Valencia, com o espanhol Pedro de la Rosa e o japonês Kamui Koboyashi como pilotos. Num carro ainda sem patrocinios, acha-se estrnaho saber que a equipa ainda mantenha a designação oficial de “BMW Sauber”, sabendo-se que o carro tem este ano motores Ferrari…

No entanto, essa parte é facilmente explicada por Peter Sauber devido a… compromissos televisivos. “Não estava nos nossos planos para antes do início da temporada. Entramos em 2010 como BMW Sauber e este é o nome“, afirmou, em dedclarações captadas pelo site Tazio. Quanto ao facto de o carro não ter estampado qualquer patrocinador nesta apresentação à imprensa, Sauber desdramatiza: “Espero que vejamos mais patrocinadores. Tenho certeza de que conseguiremos mais quando começarmos a correr, ou talvez quando começar a temporada europeia“, afirmou em declarações ao site brasileiro Tazio.

Não tivemos muito tempo para procurar patrocinadores. Começamos a fazer isso perto do Natal. É um momento muito difícil para conseguir patrocínios, especialmente grandes.”, continuou, assegurando que não existem problemas de financiamento a curto prazo. “Esta temporada está segura, mas é claro que precisamos procurar patrocinadores, não apenas para 2010, mas especialmente para 2011 e os outros anos.”, concluiu.

Quanto aos pilotos, a dupla Pedro de la Rosa e Kamui Koboyashi é um misto de juventude e experiência. De la Rosa, que regressa à competição quatro anos após a sua última corrida, sente-se mais completo neste seu regresso, depois de vários anos como piloto de testes: “Sentia-me incompleto no meu papel anterior, mas ao mesmo tempo acumulava capital e conhecimentos técnicos que espero que sejam muito uteis nesta equipa“, declarou o veterano piloto de 38 anos ao jornal espanhol El Pais.

Kamui Koboyashi quer mostrar serviço, desejando continuar o bom serviço que demonstrou nas duas últimas corridas de 2009: “Estou muito orgulhoso porque Peter Sauber depositou sua confiança em mim e estou determinado a não desapontá-lo“, disse o japonês de 23 anos, proveniente da Toyota.

Continental Circus – o livro do blog

Já tinha avisado desde há algumas semanas em sitios como no Twitter, mas hoje, no mesmo dia em que vimos os novos carros da Sauber e da Renault, eu e este blog deram o passo seguinte: transformou-se em livro. A partir de hoje, no site da livraria virtual Bubok (http://www.bubok.pt/) o livro está pronto a ser encomendado, quer na versão em papel, quer na versão em PDF, contendo o que de melhor foi escrito neste espaço, que no próximo dia 12 fará formalmente o seu terceiro aniversário.
O livro é, de uma certa forma, o grande feito deste aniversário. É o passo seguinte que este blog e o seu autor dão. como encaro este projecto como algo que terá existência muito longa, pois enquanto for vivo, pretendo manter e actualizar este blog a um ritmo diário, achei por bem dar o passo a seguir neste tipo de coisas. Alguns podem ter remodelado os seus blogues, eu decidi que seria melhor passar para o papel aquilo que fiz de melhor nestes quase três anos de existência.
Tem os seus defeitos: é um livro grande, com 359 páginas, e é caro, vai custar 24,95 euros em Portugal, cerca de 64 reais no Brasil, por exemplo, ou 34,60 dólares americanos. Mas pretendi com isso ser o mais completo possivel nos posts que seleccionei ao longo do tempo de existência deste blog. E como sabem, comemorei há poucos dias o meu post numero quatro mil…
Tinha prometido a alguns de vocês que este livro estaria pronto em Fevereiro. Pois bem, antecipei um bocadinho. Mas o que conta era publicar o livro assim que estivesse pronto, e apesar de ter sido um processo algo longo e por vezes complicado, o essencial está feito. Posso afirmar que isto é apenas um começo, pois ao longo dos tempos, pretendo publicar outros livros baseados no blog, e posso avançar que em principio, em meados de Novembro publicarei outro livro sobre o ano automobilistico que aí vem, pois acho que existem indicios de que vai ser fértil em acontecimentos, quer dentro da pista, quer fora dela. E aí, espero que seja um pouco mais pequeno, mas tentarei que seja o mais completo possivel.
Portanto, meus amigos, mais um passo foi dado na minha vida e na deste blog. Espero que o comprem pois afinal, uma pessoa precisa de ganhar a vida, e espero que seja do vosso agrado. Desejo-vos boas leituras, e espero que inspire algum de vocês a seguir o mesmo rumo que tomei agora. Se valer a pena, comprarei esse livro com o maior prazer.

Para chegarem lá directamente, sigam este link.

Vamos aos anuncios – Michael Schumacher no seu Mercedes SLS AMG

Na semana que passou, um dos grandes momentos foi o da apresentação da equipa Mercedes para a temporada de 2010, com o regressado Michael Schumacher ao comando, tentando esquecer a todos nós o facto de ele ter 41 anos de idade, e agora entrar na sua 17ª temporada da sua carreira.

Para comemorar o seu regresso à Mercedes (correu para eles em 1990 e 91, na sua equipa de Sport-Protótipos), a marca decidiu fazer um anuncio com o seu mais recente supercarro: o Mercedes SLS AMG, uma cópia moderna do mítico 300 SL de 1954, o primeiro supercarro do mundo.

E o teste foi simples: fazer com que desse um “loop” num túnel, algures nos Alpes bávaros, com o heptacampeão mundial. Com todo o aparato possivel, estrada fechada, técnicos a monitorizarem a arrancada, bombeiros de prevenção, lá o piloto alemão fez a manobra com sucesso, mostrando que “velhos… são os trapos”. A propósito: o carro usado neste ensaio é vermelho… digam o que disserem, ele nunca vai esquecer a Casa di Maranello.

Os rumores do momento, num fim de semana sem noticias…

Sabia que este fim de semana ia ser decisivo em muitos aspectos nesta Formula 1 de 2010. E as especulações que ouvi e li esta tarde, cada uma é mais louca que outra. Mas… podem ter o seu fundamento. Antes de amanhã a Sauber e a Renault apresentarem os seus carros, eis o que ouvi numa tarde sem grande inspiração, confesso:

1 – Vitor Martins, do blog Victal, afirma esta tarde que a Campos Meta foi vendida ao luso-sul-africano Tony Teixeira, que tem os direitos da extinta (?) A1GP. Mas os valores acordados podem não ser as suficientes para garantir a continuidade da Campos/Teixeira, e claro, a FIA e a FOTA reunirão esta segunda feira para debater, entre outros assuntos, a manutenção de licença da equipa espanhola. E sabe-se que Bernie Ecclestone tenta por todos os meios retirar o tapete à Campos para colocar no seu lugar a Stefan GP, que comprou os bens da Toyota, em Colónia (e manteve pelo menos 150 dos seus empregados) e esta tarde recebeu o apoio oficial da marca japonesa.

Claro, há pessoal que coloca esta troca em dúvida, como o jornalista inglês Joe Saward, que afirma que mesmo com as garantias da Toyota, o facto desta Stefan GP ser mais um gigantesco ponto de interrogação do que propriamente uma equipa com credenciais automobilisticas como duas das que foram excluidas por Max Mosley no inicio do ano passado: Epsilon Euskadi e Prodrive. Em suma, numa situação limite, na segunda-feira a FIA e a FOTA pode cancelar a licença da Campos… mas pode não aceitar o da Stefan GP. Poderemos ter 24 carros no Bahrein.

2 – Esta é mais supreendente, mas acho que não tem grande fundamento. No Twitter, um amigo meu espanhol conta uma conversa entre Robert Kubica e Sebastien Buemi em que o segundo piloto da Renault poderá ser… Jacques Villeneuve. Acho que seria um verdadeiro golpe de teatro, pois desde a semana que passou que toda a gente fala que o russo Vitaly Petrov, com a sua mala de 20 milhões de euros, tinha o lugar garantido. E não é pessoal qualquer: por exemplo, o jornalista Joe Saward é um deles que garante a pés juntos que é Petrov que se vai sentar ao lado de Kubica… e é o que se calhar vai acontecer.

3 – Mal foi mostrado à imprensa mundial, pode haver uma versão B. O Ferrari F10 ainda não deu sequer uma volta em pista e especula-se na imprensa italiana que este pode ser um carro mal nascido, logo, os engenheiros da marca do Cavalino Rampante poderão estar a desenhar uma versão bem radical do carro de 2010, provavelmente no sentido de minorar os defeitos que poderão ter sido encontrados durante as simulações. Contudo, a Ferrari afirma que esses rumores não são mais nada do que “disparates” e que o facto do shakedown ter sido cancelado apenas devido ao gelo acumulado na pista de Fiorano.

Segunda-feira, o carro estará no circuito Ricardo Tormo, em testes conjuntos com algumas equipas. Veremos se os rumores terão algum fundamento. Se sim, antevê-se um 2010 muito dificil para Felipe Massa e Fernando Alonso

Youtube F1 Classic: GP da Grã-Bretanha 1973

Esta deve ser a corrida onde muitos ficaram a conhecer um novato chamado Jody Scheckter, mas no pior dos sentidos.
Numa corrida onde havia uma luta ao rubro pela liderança, com Jackie Stewart e Emerson Fittipaldi separados por um ponto, e com os seus companheiros de equipa Ronnie Peterson e Francois Cevért à espreita, bem como os McLaren pilotados por Dennis Hulme e Peter Revson, nesta altura do campeonato, qualquer problema, despiste ou acidente poderia significar muito na luta pelo título mundial daquele ano. Especialmente para o brasileiro da Lotus, que não só estava a perder o seu impeto inicial, como via o seu companheiro de equipa, o sueco Ronnie Peterson, a ser melhor do que ele, algo que tinha a anuência de Colin Chapman, o seu patrão.

O video, que é um excerto da corrida que passou no canal de TV ESPN Classic, mostra uma entrevista com alguns dos pilotos envolvidos: Jackie Stewart, Emerson Fittipaldi, Dennis Hulme e um jovem James Hunt, então nos seus primeiros Grandes Prémios pela Hesketh e tinha conseguido o seu primeiro ponto na corrida anterior, em Paul Ricard.

Depois, na corrida propriamente dita, transmitida a cores e narrada pelo mitico jornalista inglês Raymond Baxter, pode-se ver a primeira volta da corrida, onde Stewart salta de quinto para a liderança em duas curvas, depois de superar o Lotus de Peterson. Atrás, Jody Scheckter saltava de oitavo para quinto, superando o americano Peter Revson, Fittipaldi e Cevért, encostando-se atrás de Hulme, tentando superá-lo através do seu estilo agressivo. Demasiado agressivo, como se iria ver depois.

No inicio da segunda volta, Stewart liderava sobre Peterson e o Brabham de Carlos Reutmann, quando Scheckter exagera na Curva Woodcote e perde o controlo do seu McLaren, atravessando de um lado para o outro da pista, causando a maior carambola até então: onze carros ficam eliminados na recta da meta, e a sorte no meio disto tudo esteve ao lado dos pilotos naquele dia: nenhum dos carros pegou fogo e o ferido mais grave foi o italiano Andrea de Adamich, que no seu Brabham BT42, ficou preso no seu carro e ficara apenas com uma perna partida. A corrida foi interrompida, e na segunda largada, apenas 19 dos 28 carros presentes é que alinharam.

A propósito: se conseguirem ver o carro que está danificado à frente do McLaren de Scheckter, digo-vos que é o March numero 30 de Roger Williamson, que se estreava na formula 1 nesta corrida. Dali a 15 dias, acabaria por morrer em Zandvoort…

Feliz 60º Aniversário, Baby Bear!

Hoje, Jody Scheckter comemora o seu 60º aniversário natalicio. O unico sul-africano que venceu um campeonato do mundo, e que hoje se encontra radicado na Grã-Bretanha, cuidando dos seus negócios de agricultura biológica, foi no inicio da sua carreira um dos mais selvagens pilotos de automobilismo. A sua alcunha de “Baby Bear” foi lhe dada para o comparar a Dennis Hulme, o neozelandês da McLaren, que tinha a alcunha de “Bear” (Urso).

Entre 1972 e 73, Scheckter correu no terceiro carro da McLaren, dando bom uso do chassis M23, que na altura conseguia ser um grande rival do Lotus 72 e do Tyrrell 006. E no ano de 1973, correu por cinco vezes com esse carro, ganhando fama com as suas proezas em pista. Para o bem e para o mal.

Em Paul Ricard, palco do GP de França e no carro que era de Peter Revson, que tinha ido correr nos Estados Unidos, conseguiu um surpreendente segundo lugar na grelha, ao lado de Emerson Fittipaldi e Jackie Stewart. E nessa corrida, lutou fortemente pela liderança até que perdeu o controle do seu carro e levou o brasileiro consigo. Na altura foi acusado de condução perigosa, mas o pior estava para vir.

Na corrida seguinte, em Silverstone, Scheckter correu no terceiro carro da equipa, com o numero 30. Mas uma vez surpreendeu nos treinos, conseguindo o sexto posto. um feito com um terceiro carro… mas quando foi dada a largada, o sul-africano partiu bem e passou para quinto no final da primeira voltas. Mas na curva Woodcote, o sul-africano exagera e perde o controlo do seu carro, causando a maior carambola até então: onze carros destruidos, incluindo o dele. A sorte é que somente um piloto, o italiano Andrea de Adamich, é que sofreu ferimentos numa perna, que depois ditaram o final da sua carreira na Formula 1.

Com isto, a fama de “Wild Man” espalhou-se, e muitos pilotos o queriam ver banido do automobilismo. Alguns chefes de equipa aconselharam Teddy Mayer a dispensar o sul-africano, pelo menos até que soubesse dosear a sua agressividade. Aparentemente acedeu, pois só o chamou para as corridas americanas. Portou-se bem, mas continuou a dar nas vistas pelas piores razões. No Canadá, envolveu-se num acidente com Francois Cevért, poucos dias antes de ser anunciado como piloto da Tyrrell em 1974, ao lado do piloto francês.

Na corrida seguinte, em Watkins Glen, Scheckter tinha sido ultrapssado por ele metros antes do seu acidente fatal. Muitos consideram o facto de a visão do sul-africano à sua frente, combinado com o asfato naquela zona do circuito, a distância entre eixos do seu Tyrrell e o facto do piloto francês estar a puxar pelos seus limites, tendo até abordado aquela zona do circuito em quarta velocidade, em vez de uma recomendável quinta velocidade, sido factores mais do que suficientes para o seu acidente fatal.

Uma coisa é certa: após a sua entrada na equipa de Ken Tyrrell, a sua fama de piloto louco deu lugar à rapidez e consistência, tanto que cinco anos mais tarde, já na Ferrari, serviu-se dessa consistência para bater outro “wild man”, Gilles Villeneuve, e tornar-se no unico campeão africano até aos dias de hoje.

Feliz Aniversário, Jody!

Apresentações: o McLaren MP4-25

A terceira apresentação do ano aconteceu esta manhã em Woking e foi o da McLaren-Mercedes, que mostrou o seu MP4-25 na sua sede, com a dupla de pilotos Lewis Hamilton e Jenson Button a serem apresentados à imprensa mundial. Apesar de terem colocado bico “à la Red Bull“, a grande novidade deste modelo é o “sharkfin” do carro a ficar unido á asa traseira do carro, algo que não é unico, mas que raramente foi visto noutros modelos. De uma certa forma, este é um projecto mais arrojado do que o Ferrari F10, que foi ontem mostrado.

Na conferência de imprensa que se seguiu, o patrão da marca, Martin Whitmarsh, mostrou-se confiante com o carro e com “uma das duplas mais fortes” do pelotão, formada por dois campeões do Mundo: Jenson Button e Lewis Hamilton.

Na McLaren, nós demonstramos que a força em se aprofundar é a melhor abordagem para seguir na Formula 1″, começou por comentar. “Este grupo de engenheiros, designers e estrategistas nos demonstrou o quanto podemos alcançar com uma equipe operacional muito focada nos limites de suas capacidades. Em Jenson, vimos um piloto campeão com fome de mais sucesso. Nós também já havíamos visto estas qualidades em Lewis, também.”

Estou convencido de que temos uma das duplas de pilotos mais fortes da Formaula 1 e de que tanto Jenson quanto Lewis estão empenhados em trabalhar juntos para melhorar as perspectivas da equipe no que promete ser uma temporada muito competitiva“, completou Withmarsh, em declarações captadas pelo site brasileiro Tazio.

Já Jenson Button, o homem que leva o dorsal numero 1 no seu carro, mostrou-se feliz por estar prestes a iniciar seu primeiro campeonato como detentor do título mundial. “Estou muito orgulhoso de estar aqui hoje, sabendo que vou carregar o número 1 por toda a temporada. Isso é uma grande responsabilidade, mas também uma grande honra. É algo que estou apreciando“, começou por afirmar o campeão do mundo.

Desde o primeiro dia de testes, vou trabalhar com a equipa para saber mais sobre o carro e desenvolvê-lo para a primeira corrida. Já disse antes: o ritmo do desenvolvimento dos carros até a abertura da temporada pode determinar o resultado do campeonato. Tenho uma grande equipa à minha volta e já me sinto em casa. Simplesmente mal posso esperar para entrar no carro e começar a finalmente pilotá-lo. Realmente espero que seja o mais depressa possivel!”, concluiu.

Quanto a Lewis Hamilton, campeão em 2008, espera que a competitividade do seu carro seja o suficiente para lutar por um segundo título mundial. “Vi a quantidade de esforço e atenção que foram dispensados para construir este carro“, começou por afirmar o piloto inglês de 25 anos.

Pressionamos como loucos para encontrar um bom desempenho. O resultado é algo que parece ser muito especial. Jenson e eu somos campeões do mundo e desejamos deixar nosso legado a esta marca vencedora. Acho que uma forte dupla de pilotos será muito importante para este ano. Há um grande número de equipas e pilotos muito competitivos. Se pudermos ser mais fortes, teremos mais hipóteses de vencer corridas. Todos nós sabemos disso.”

Obviamente, desejo ser campeão mundial. Isso é claro. Mas, mais importante do que isso, quero ajudar a McLaren a ganhar o Mundial de Construtores. Acho que temos tudo para ter um grande ano na Formula 1. Deve ser brilhante!”, encerrou.

Na próxima segunda-feira, em Valencia, o MP4-25 fará os seus primeiros testes competitivos.