A capa do Autosport desta semana

A edição desta semana do Autosport, que estará nas bancas daqui a algumas horas, tem uma capa apropriada para a ocasião: o Rali de Portugal, que foi marcado pela primeira vitória de sempre de Sebastien Ogier no WRC, que conseguiu bater Sebastien Löeb. E o título pode ser promonitório: “Löeb batido pelo seu sucessor“.

Num “Duelo vibrante no Vodafone Rali de Portugal“, “Ogier segurou a vitória no photo-finish“, referindo-se à vantagem de pouco mais de sete segundos sobre Löeb à entrada da última especial. E claro, o rali atraiu “Milhares de adeptos à ‘manif’ do Algarve“, que também aplaudiu os pilotos portugueses. “Armindo Araujo foi o melhor português (14º)” é a referência.

No canto inferior direito, a referência à Formula 1, onde a “Red Bull borrou a pintura na Turquia” graças ao incidente entre Sebastien Vettel e Mark Webber. “Sobrou para Hamilton“, que subiu ao lugar mais alto do pódio,a companhado por Jenson Button, numa dobradinha da McLaren, e a terceira vitória do ano para a equipa de Woking.

No final, duas referências a outras provas. As 500 Milhas de Indianápolis, onde “Dario Franchitti vence a clássica americana“, e o Todo o Terreno, onde “Carlos Sousa regressa à competição no Estoril-Marraquexe“.

Sobre o acidente de Conway e aquela fina linha vermelha…

Esta madrugada, comentei no Twitter que provavelmente, o acidente do Mike Conway teria sido mais mas espectacular do ano. Imediatamente me perguntaram se ainda era mais espectacular que a do Ricardo Teixeira na Formula 2, em Marrakesh. Fui dormir com essa dúvida na cabeça, e quando acordei, pensei um bocado na coisa até chegar aqui a escrever estas linhas.

A conclusão que chego é que ambos são espectaculares. São incidentes de corrida, nos quais eles não são totalmente culpados, nem totalmente inocentes. Um acidente destes, há dez ou vinte anos, teriam caudado ferimentos muito graves ou a morte dos pilotos. Conway fez lembrar, por exemplo, o acidente de Kenny Brack no Texas, onde o piloto sueco sofreu ferimentos muito graves, que levaram ao final da sua carreira competitiva. E já vimos mortes por muito menos. Ainda se lembram de Henry Surtees?

E se ambos os acidentes foram muito mais espectaculares que o disparate que Sebastien Vettel fez ontem em Istambul, ao se autoeliminar do GP da Turquia e tirar uma vitória certa à sua equipa a Mark Webber, faz-me pensar na velha história: pedimos aos pilotos para serem agressivos nas manobras, mas queremos que estas sejam seguras. Não gostamos da demasiada agressividade, porque pode ser perigosa, até mortal, e como sabem, morrer perante milhões de pessoas não é boa para a publicidade… estranho. Onde estará o meio, que deveria ser uma virtude?

Chego à conclusão de que esse “meio” não existe. Se for um acaso e todos sobreviverem para contar a história, é um espectáculo e veremos isso nos anos a seguir, num daqueles programas do Canal Discovery. Se acontecer o pior cenário possivel, andaremos todos a lamentar enquanto que outros levantarão a voz para que se implementem mais medidas de segurança, ainda mais estritas das que existem agora. A histeria pós-Imola 1994 foi um exemplo de que certas coisas foram levadas longe demais, por exemplo. No final, temos de confiar na sorte e consciencializar de que existe uma fina linha vermelha entre o espectáculo e a tragédia…

500 Milhas de Indianápolis: Franchitti vence num final acidentado

Nas 500 Milhas de Indianápolis, o vencedor será sempre decidido no momento em que cruza a meta. Literalmente. E como prova de que tudo pode acontecer até ao último metro, e a melhor prova disso foi o que sucedeu com o inglês Mike Conway, que voou na última curva devido a uma colisão com o americano Ryan Hunter-Reay. Neste momento, sabe-se que está magoado, mas que os ferimentos não são graves.

Mas para chegarmos a este resultado final, devemos recuar duzentas voltas, até ao inicio. Com Helio Castro Neves como “poleman”, após as habituais três voltas de aquecimento, a partida da corrida mais importante do ano no calendário da agora IndyCar Series, dada pelo veterano ator de Hollywood, Jack Nicholson, começou com Franchitti a ultrapassar o brasileiro, mas três curvas depois eram mostradas as primeiras bandeiras amarelas, quando o carro de Davey Hamilton bateu no muro à saída da Curva 2.

Pouco depois, a corrida recomeçou, mas a situação durou pouco tempo, pois na volta sete foi a vez de Bruno Junqueira bater no muro. Pouco depois, foi a vez de outro brasileiro, Mario Moraes, mas o toque foi menor, fazendo com que pudesse ir às boxes fazer as devidas reparações, embora se atrasasse muito.

Entretanto, quem vinha do último lugar da grelha, depois de uma péssiam qualificação, era Tony Kanaan, que ultrapassava tudo e todos, aproveitando uma boa afinação e chegando aos lugares intermediários. Por esta altura, já tinham acontecido outros incidentes, nomeadamente uma paragem catastrófica para o carro de Will Power, que ficou com o bocal da sua mangueira de reabastecimento no seu carro, fazendo com que tivesse de fazer uma paragem extra para cumprir um “drive through”.

Outro que fazia uma boa prova era Raphael Matos, que a meio da prova já era terceiro classificado. Contudo, uma má paragem nas boxes, no qual perdeu uma roda, fez com que se atrasasse na classificação. Pouco depois, bateu forte no muro, terminando ali a sua tarde competitiva.

Na volta 143, foi a vez de Kanaan, Franchitti e Castro Neves pararem, com o brasileiro da Penske a perder tempo quando deixou morrer o motor. Por esta altura, Marco Andretti entrava nos lugares da frente, no quarto lugar, atrás de Kanaan, Franchitti e Castro Neves. E por esta altura, nova situação de bandeiras amarelas quando o estreante colombiano Sebastian Saavedra bateu no muro. Castro Neves faz uma paragem rápida, e na volta 165, quando recomeçou a corrida, só Mike Conway, Justin Wilson, Helio Castro Neves e Graham Rahal não tinham parado, dando-lhes hipóteses de lutar pela vitória.

A partir daqui, as emoções cresciam à medida que as voltas finais se iam esgotando. O nervosismo miudinho aumentava, pois se estava a jogar um algo parecido com poquer, com o “bluff” em forma de saber se os que tinham parado iam até ao fim ou não, especialmente os carros de Wilson, Kanaan, Rahal e Casto Neves. Um por um, eles iam para a boxe e na volta 192, quando o brasileiro da Penske foi para lá, já se sabia que Dario Franchitti seria o vencedor.

Para os brasileiros, ainda havia a hipótese Kanaan, o que seria fabuloso se conseguisse levar o carro até ao fim no pódio, algo quase inédito na história da competição, mas na volta 196, isso esfumou-se com a sua rápida paragem nas boxes. E tudo indicava que Franchitti comemorasse a sua segunda vitória no Brickyard, quando Ryan Hunter-Reay e Mike Conway “roubaram” o momento, com uma espectacular colisão à entrada da curva 4. O inglês ficou ferido no pé, mas a sorte e a tecnologia de que são feitos estes carros evitaram o pior. A acompanhar Franchitti no pódio foram o inglês Dan Wheldon e o americano Marco Andretti, enquanto que Danica Patrick foi a melhor representante feminina ao terminar no quinto posto.

E foi assim a 94ª edição das 500 Milhas de Indianápolis, uma daquelas corridas que vale a pena ver, seja ele ao vivo ou na televisão. A emoção e o mito que vem de trás justificam-se plenamente.

GP Memória – Monaco 1965

Quase meio ano depois da etapa inaugural do campeonato do mundo, na Africa do Sul, máquinas e pilotos chegaram ao Mónaco para correr na segunda prova do campeonato. Na lista de inscritos havia uma ausência notada: a Lotus. Apostado nas 500 Milhas de Indianápolis, Colin Chapman levou Jim Clark para a corrida, mas contava colocar os seus carros na prova monegasca. Contudo, a equipa entrou em conflito com os organizadores e decidiu primar-se pela ausência. Outro dos ausentes nesse fim de semana monegasco era o americano Dan Gurney, que tentava a sua sorte na corrida americana.

Mas havia chassis Lotus na mesma, graças aos carros da Reg Parnell Racing, para Mike Hailwood e Richard Attwood, em dois modelos 25, e a entrada de Paul Hawkins, da DW Racing Enterprises, num modelo 33. Havia mais dois modelos inscritos pela Rob Walker Racing, dois Brabham BT7 guiados pelo suiço Jo Siffert e pelo sueco Jo Bonnier, e mais duas entradas privadas: uma do britânico Bob Anderson, num Brabham, e o do australiano Frank Gardner, John Williment Automotive, num chassis Brabham BT11.

A BRM tinha inscrito Graham Hill e o escocês novato, Jackie Stewart, enquanto que a Ferrari tinha levado dois carros para o campeão John Surtees e o italiano Lorenzo Bandini. A Brabham tinha “Black Jack” e um estreante neozelandês chamado Dennis Hulme, que substituia Gurney. Na Cooper, Bruce McLaren tinha como companheiro o austriaco Jochen Rindt, que se tinha estreado no ano anterior com um carro da Rob Walker Racing. Para finalizar, a Honda tinha dois carros, para os americanos Ronnie Bucknum e Richie Ginther.

No total, eram dezoito os inscritos mas na qualificação só passariam 17. O melhor foi o BRM de Graham Hill, seguido pelo carro de Jack Brabham e ao BRM de Jackie Stewart. Na segunda fila estavam os Ferrari de Lorenzo Bandini e John Surtees e na terceira fila estava o Lotus de Attwood, o Cooper de McLaren e o Brabham de Hulme. Para fechar o “top ten” estavam os Brabham de Bob Anderson e Jo Siffert. E quanto ao piloto ao qual “saiu a fava”, calhou ao Cooper de Jochen Rindt.

Na partida, Hill tomou a liderança, com Stewart e Bandini logo atrás, enquanto que o honda de Ginther ficou parado logo na volta inicial, devido a problemas com o diferencial do seu Honda. As coisas continuaram assim até á volta 25 quando Hill perdeu o controlo do seu carro quando tentava evitar bater no carro de Bob Anderson, que tinha abrandado devido a problemas mecânicos. Com esta manobra, Hill caiu para o quinto posto, sendo a liderança ocupada pelo jovem Stewart. Na volta 29, o escocês faz um pião em Ste. Devôte e cede o comando a Bandini, que coloca o seu Ferrari na liderança.

Mais atrás, Brabham puxa pelo seu carro para apanhar o italiano, e o consegue na volta 34, mas o italiano reage e na volta 42 recupera o comando. A seguir, Brabham encosta à berma, vitima do motor. Com isto, Bandini tinha os BRM logo atrás, mas o andamento estava controlado.

Na segunda metade da corrida, Graham Hill começou a impôr o seu ritmo, tentando apanhar carros que estavam à sua frente. Aos poucos, apanhou Stewart, depois Surtees e por fim, na volta 64, ultrapassa Bandini e fica com a liderança, de onde não mais sairia. Na volta 77, Stewart apanha Surtees e fica com o terceiro posto.

As coisas estavam calmas até à volta 79, quando Hawkins se despista na chicane do Porto e cai à água. Tal como o que tinha acontecido a Alberto Ascari, dez anos antes, o piloto britânico conseguiu sair incólume deste acidente.

E no final, o vencedor foi Graham Hill, na primeira vitória do ano para a BRM. Bandini ficou com o segundo posto, enquanto que Jaclie Stewart conseguia o seu primeiro pódio na Formula 1, logo na sua segunda corrida da carreira. Os três pilotos foram os unicos que conseguiram completar as cem voltas ao circuito. O Ferrari de John Surtees, apesar de ter ficado sem gasolina na última volta, foi o quarto, enquanto que Bruce McLaren e Jo Siffert ficaram com os restantes lugares pontuáveis.

Fontes:

http://www.grandprix.com/gpe/rr133.html
http://en.wikipedia.org/wiki/1965_Monaco_Grand_Prix

2010 Youtube Indy 500: O impressionante acidente de Mike Conway

Terminaram há pouco as 500 Milhas de Indianápolis, com a vitória do escocês Dario Franchitti, que conseguiu pela segunda vez na sua carreira subir ao lugar mais alto do pódio e saborear a garrafa de leite. Justin Wilson e Alex Lloyd completaram o pódio, num monopólio das ilhas britânicas.

Mas o piloto de 38 anos cortou a meta sob bandeiras amarelas, pois na penultima curva aconteceu um acidente arrepiante, envolvendo o inglês Mike Conway e o americano Ryan Hunter-Reay. Ambos se desentenderam e o inglês saiu catapultado para as redes de protecção, desfazendo o carro em dois.

Segundos as mais recentes informações vindas de Indianápolis, Conway foi transportado para o hospital, com dores nas costas e lesões na perna direita. Em principio, foi mais um grande susto do que inicialmente parecia.

Mais tarde irei falar da corrida.

WRC 2010 – Ronda 7, Portugal (Final)

Depois de muito insistir, Sebastien Ogier conseguiu por fim a vitória. Ao ganhar em Portugal a sua primeira vitória na sua carreira do WRC, e provavelmente se tornou no provavel sucessor de Sebastien Löeb num futuro próximo. “Vencer o meu primeiro rali depois de uma grande batalha com o Seb é perfeito para mim. Estou mais do que feliz.”, referiu, feliz, no final do rali.

O dia de hoje começou com Löeb a atacar Ogier para conseguir chegar à liderança, mas o francês mais novo conseguiu uma vantagem preciosa ao final da penultima classificativa, de 7,1 segundos, que poderia controlar na classificativa espectráculo, no Estádio Algarve. “Ele esteve imbatível“, sintetizou depois Loeb, que acrescentou: “Ele agora passa a ser mais um forte adversário.”

A fechar o pódio ficou o outro Citroen oficial, de Dani Sordo. Este monopólio da marca do “double chevron” mostra a que ponto este carro era eficaz. E podia ser melhor.. se Petter Solberg não tivesse batido na penultima especial. Voltou à estrada, mas quem beneficiou disto foi Mikko Hirvonen, que menorizou o seu péssimo rali com o quarto posto final.

O derradeiro dia de prova ficou ainda marcado pelo abandono de Henning Solberg, com problemas eléctricos no Focus WRC, fazendo com que o grande beneficiado fosse o Stobart-Ford de Matthew Wilson, que apesar de ter um andamento espectacular, continua a ser pouco eficaz. No final, terminou no sexto posto, com Mads Ostberg no sétimo lugar, que mesmo com problemas, levou o carro até ao fim. Quanto a Kimi Raikkonen, ele sabia que o Rali de Portugal era uma prova difícil e quis terminá-la a todo o custo, Acabou somente na décima posição, atrás dos seus habituais adversários como o argentino Frederico Villagra e o árabe Khalid Al Qassimi.

Quanto aos portugueses, Armindo Araujo e Bernardo Sousa chegaram ao final, com Araujo a ser 14º e melhor português, e Bernardo Sousa foi o primeiro no CPR, quarto na categoria SWRC, que foi ganha pelo finlandês Jari Ketomaa.

Tudo boas razões para o Sousa adiantar no final da prova. “Naturalmente estou muito satisfeito. O principal objectivo está cumprido. Sempre determinamos como meta principal para a temporada de 2010 assegurar o maior número de pontos para o campeonato. Isso, hoje, foi conseguido. Depois, no campeonato S-WRC ficamos a meio da tabela o que é igualmente um motivo de orgulho e muito positivo para a nossa campanha, que recordo nunca foi vencer“, afirmou.

Agora o próximo rali do Mundial será o da Bulgária, que estreia no Mundial e é o primeiro em asfalto na temporada de 2010. Acontecerá no fim de semana de 9 a 11 de Julho.

Formula 1 2010 – Ronda 7, Turquia (Corrida)

Há tilkódromos e tilkódromos. Sou daqueles que dizem que Sepang é bem feito, e também gosto de Istambul Park. Mas para que as corridas sejam emocionantes, os pilotos têm também de colaborar, mesmo fazendo disparates. E foi o que aconteceu a Sebastien Vettel, quando teve o seu momento “severe brain fade“, autoeliminando-se e impedindo o seu companheiro Mark Webber de conseguir uma terceira vitória consecutiva. Quem ganhou com tudo isto? Lewis Hamilton e Jenson Button, os pilotos da McLaren.

A corrida ficou definitivamente marcada com este incidente, que aconteceu na volta 41. Ao aproximar da curva doze, o alemão Vettel aproximou-se do australiano Webber, que estava na liderança, e fez uma manobra de ultrapassagem mal sucedida. O resultado foi um choque entre ambos e o consequente abandono de Vettel. Webber teve de ir às boxes para trocar o bico do seu carro e prosseguir a corrida, entregando o comando aos McLaren de Hamilton e Button.

Mas antes disso já tinha havido emoção. Na partida, Webber ficou na frente, mas Hamilton tentou constestar a sua liderança, esboçando até algumas tentativas de ultrapassagem. O britânico conservou o segundo posto até à troca de pneus, altura em que perdeu o segundo posto a favor de Vettel, que por sua vez tentou um ataque à liderança do seu companheiro, com os resultados conhecidos.

De resto, a McLaren controlou os acontecimentos, mesmo com Button a pressionar Hamilton para tentar a terceira vitória do ano. Trocaram de posições por algumas vezes, mas no final a equipa, com medo de panes secas e outras colisões, pediu a Button para refrear o ritmo e garantir a dobradinha. Assim foi, com Webber a garantir o seu terceiro pódio consecutivo, à frente dos Mercedes de Michael Schumacher e Nico Rosberg, e do Renault de Robert Kubica.

OS Ferrari estiveram apagados, neste seu 800º Grande Prémio da carreira. Felipe Massa e Fernando Alonso andaram demasiado discretos, mesmo que Massa tenha garantido o setimo posto final, e Alonso, depois de uma ultrapassagem algo polémica a Vitaly Petrov, conseguiu o oitavo lugar. Para quem prometia muito no inicio da época, este seu abaixamento do ritmo, quando rumamos ao meio da temporada, significa que as coisas para 2010 não vão melhorar muito. A não ser que aconteça o contrário… a Scuderia de Maranello é a quarta força no pelotão, ameaçada pela Renault.

E por fim, a fechar os pontos, o Force India de Adrian Sutil e a Sauber-Ferrari, conseguiu o seu primeiro ponto da época, graças ao japonês Kamui Koboyashi. Que conseguiu aguentar os ataques finais… do seu companheiro de equipa, Pedro de la Rosa. Já mereciam os comandados de Peter Sauber, depois de uma temporada frustrante, com muitas quebras.

No final, esta vitória da equipa McLaren, embora tenha caído do céu, pode servir como tributo ao seu fundador Bruce, na semana em que se comemoram os 40 anos da sua morte. Mas a realidade, dura, nua e cruel, é esta: cada vez mais será uma temporada da Red Bull, no qual os outros só vão aproveitar caso haja um erro deles, o que aconteceu hoje. Não vou dizer que a normalidade será restablecida no Canadá, pois normalmente é uma “roleta russa”, mas creio que no regresso da Formula 1 à Europa, tal irá acontecer…

Youtube Indy 500 Classic: Sam Hornish Jr. e a vitória nos últimos metros

Em vez de escolher a edição do ano passado, onde falaria da terceira vitória de Helio Castroneves na “Brickyard”, fazendo-o no piloto estrangeiro com mais vitórias na competição, decidi recuar até à edição de 2006, pois é especial. Não só porque foram dois americanos a lutar pela vitória, mas foi também uma das chegadas mais curtas da história da competição.

Já houve chegadas assim. Em 1982, Gordon Johncock bateu Rick Mears no último instante, e dez anos mais tarde, foi a vez de Al Unser Jr. conseguir resistir aos ataques do canadiano Scott Goodyear para ficar quase lado a lado na meta. Mas em 2006 foi uma luta entre um piloto consagrado, Sam Hornish Jr., então com 25 anos e duas vezes vencedor do campeonato, e Marco Andretti, com 19 anos, um dos mais jovens de sempre a correr nas 500 Milhas e o mais novo descendente de uma familia ilustre: os Andretti, pois era filho de Michael e neto de Mario.

Mas a corrida, mais do que a batalha entre dois elementos da nova geração, teve o seu quê de dramático. Hornish Jr, piloto da Penske, teve problemas nas boxes devido à mangueira de reabastecimento e atrasou-se. Conseguiu recuperar o suficiente para chegar-se ao pé de Andretti neto, que tinha passado o seu pai e defendia-se dos ataques dos seus adversários.

Com a corrida a chegar às suas voltas finais, parecia que Marco Andretti estava a caminho da vitória e de se tornar no mais jovem piloto de sempre a ganhar a mais importante prova em monolugares. Passa o seu pai a três voltas do fim e aguenta os ataques de Hornish Jr, especialmente na penultima volta. Contudo, Hornish Jr. tem uma última chance e aproveita-a… nos metros finais. E foi assim que se tornou no último americano a vencer na Brickyard.

WRC 2010 – Ronda 6, Portugal (2º dia)

O segundo dia do Rali de Portugal fica marcado pela resistência de Sebastien Ogier aos ataques do outro Sebastien, Löeb de apelido, à liderança do rali. Demonstrando maturidade e uma grande vontade de conquistar o seu primeiro rali da carreira, apesar de ser o primeiro carro na estrada, Ogier conseguiu ser tão ou mais rápido do que o seu compatriota heptacampeão do mundo, numa consistência digna de campeões. Graças a esse andamento, com um ritmo controlado que lhe permitiu poupar os pneus, Ogier chegou ao final das classificativas de hoje com uma vantagem de 21,1 segundos sobre o piloto francês.

Consegui defender-me bem ao longo do dia e mantive uma boa vantagem. Amanhã, sei que vai ser difícil mas vamos ver como vai correr. Loeb vai ter menos vantagem já que será o segundo na estrada“, afirmou Ogier. Para amanhã, Ogier está em boa posição para conseguir a sua primeira vitória na prova, mas isso poderá depender, também, da hipótese da existência de eventuais ordens de equipa da equipa principal da Citroën.

Sebastien Löeb estave ao ataque no dia de hoje, como lhe é tipico, mas desta vez, os segundos dias, que normalmente lhe são favoráveis, está agora ter dificuldades devido à resistência de Ogier. No terceiro lugar na classificação geral está o norueguês Petter Solberg, que teve um bom dia e terminou com uma vantagem de 13,5 segundos sobre o espanhol Dani Sordo. Amanhã, o norueguês pensa em controlar o seu andamento para manter o seu lugar no pódio, pois atacar Loeb é uma tarefa muito difícil, já que existe 31,1 segundos de diferença para o piloto francês. Desta forma, o norueguês poderá amanhã tentar calcular melhor o seu rendimento para defender-se dos ataques de Sordo e segurar o terceiro posto.

Se na Citroen, tudo corre bem, o contrário se pode dizer no caso da Ford. Mikko Hirvonen é quinto, batido por Ogier, Löeb, Sordo e Solberg, demonstrando que os carros da marca da oval estão a ter uma jornada difícil. Para piorar as coisas, Jari-Matti Latvala desistiu a meio da segunda etapa, quando o piloto da Ford despistou-se perto do início da 18ª especial, embatendo a traseira do seu Focus WRC numa árvore e abandonando a competição logo de seguida.

Atrás de Hirvonen, o norueguês Henning Solberg, no seu Stobart-Ford, é sexto, num dia atribulado para ele, devido a problemas na direcção e na bomba de gasolina do seu Ford. Logo a seguir vem o outro Stobart-Ford de Matthew Wilson, ao passo que a seguir vem o Subaru Impreza do norueguês Mads Ostberg, no oitavo posto.

Pouco dado a conversas ao longo de toda a prova, Kimi Raikkonen ocupa o nono posto da geral, com o finlandês a registar um ritmo de aprendizagem num rali que se está a provar muito duro em termos de elementos mecânicos dos carros. Federico Villagra encerra o lote dos dez melhores, com mais um Ford Focus.

Em relação aos portugueses, para Armindo Araujo, o dia que não começou da melhor forma. O campeão do PWRC contou com problemas a nível da suspensão da parte da manhã, mas na secção vespertina, já com os problemas resolvidos, Armindo Araújo pôde adoptar uma toada mais rápida e terminar o dia na 17ª posição da geral, a mais de 15 minutos do lider. Bernardo Sousa, numa toada bem calma, pois aqui está a correr pelo campeonato, vem logo a seguir no 18º lugar da geral, a mais de dois minutos de Araujo.

O Rali de Portugal termina amanhã.

The End: Dennis Hopper (1936-2010)

Foi considerado um dos melhores da sua geração. Foi também considerado como um actor maldito, especialmente nos anos 70, após ter feito “Easy Rider“. Esteve no fundo do poço, mas recuperou. Era um amante da arte e teve uma carreira prolifica na pintura. Para a história ficará como dos mais conhecidos actores da segunda metade do século XX, e Dennis Hopper morreu esta tarde, aos 74 anos, após uma longa batalha contra um cancro da próstata.

Nascido a 17 de Maio de 1936 em Dodge City, no Kansas, mudou-se para Kansas City aos nove anos. Aos treze, mudou-se para San Diego, na California, onde se interessou por teatro. Passou pelo Actor’s Studio, onde fez amizade com um dos mestres do horror, Vincent Price, que fez despertar o amor pela arte e lhe introduziu os classicos, como William Shakespeare. Em 1955, aos 19 anos, fez os seus primeiros filmes. E não foram uns quaisquer: “Rebelde sem Causa” e “O Gigante“, com James Dean, no qual tiveram uma grande amizade, terminada abruptamente pela morte de Dean, num acidente de carro.

Nos anos 60 teve papéis em filmes como “Os Quatro Fillhos de Katie Elder” (1965), com John Wayne e Dean Martin, “O Presidiário” (1967), com Paul Newman, “Velha Raposa” (1969), de novo com John Wayne. Desenvolveu amizades com a velha lenda do Oeste e com Elvis Presley, quando este tentou a sua sorte no cinema.

Mas o seu momento de glória foi com “Easy Rider”. O filme tratava da viagem sem destino, pelas estradas americanas, de quatro amigos. Hopper foi actor, argumentista e realizador do filme, em conjunto com Peter Fonda e Jack Nicholson. Por esta altura, Hopper debatia com os seus famtasmas: o seu primeiro divórcio, o abuso de alcool e drogas, e as disputas criativas com Fonda. Mas quando o filme estreou nas salas de cinema, foi aclamado pela critica e tornou-se num clássico.

Hopper tornou-se numa personalidade prestigiada, mas pouco depois, em 1971, fez “The Last Movie“, com Peter Fonda, Michelle Philipps e Kris Kristoferson. Apesar de ter ganho em Veneza, o filme foi atacado pelos criticos e tornou-se num fracasso de bilheteira. Isso fez piorar as coisas a Hopper, tornando-se em “persona non grata” em Hollywood e o afundou mais no alcool e nas drogas. O seu segundo casamento, com Michelle Philipps, foi um dos mais curtos do entretenimento: divorciaram-se uma semana depois de se casarem.

Hopper andou o resto da década a fazer filmes de baixo orçamento, e voltou à ribalta com um papel secundário, mas marcante, em “Apocalypse Now“, um dos filmes mais impressionantes da história do cinema, com Martin Sheen e Marlon Brando, e realizado por Francis Ford Coppola. No ano seguinte realizou “Out of the Blue”, que ganhou elogios da critica, mas o seu comportamento errático ainda era noticia. Por esta altura, Hopper snifava três gramas de cocaina por dia, mais algumas gramas de marijuana, trinta cervejas e Cuba Libres. Só em 1983 é que entrou num programa de reabilitação, após ter estado desaparecido durante algumas semanas no deserto mexicano.

Em 1986, volta à ribalta ao protagonizar o vilão Frank Booth no filme “Veludo Azul“, de David Lynch. O seu desempenho foi elogiado pela critica e no final do ano é nomeado para o seu primeiro Oscar, como actor secundário. E nos anos 90, fez papéis de vilão como “Speed” (1994), com Sandra Bullock e Keanu Reeves, e “Waterworld” (1995), com Kevin Costner.

Também fez vários trabalhos na TV, algo que fazia desde os anos 60. Participou como convidado em séries desde “Bonanza” e “5ª Dimensão”, nos anos 60, até à série “24”, onde foi o vilão Victor Drazen, na primeira série.

Para além do cinema, Hopper foi aclamado noutras artes. Fotografia, escultura, pintura foram algumas artes em que colaborou. Foi também um ávido colecionador de arte, tendo sido um dos primeiros comparadores das obras de Andy Warhol. Fez também a capa de “River Deep, Mountain High”, de Ike & Tina Turner.

Hopper foi também conhecido pelos seus casamentos. Casou-se por cinco vezes e teve quatro filhos e o seu último casamento, com Veronica Duffy, estava a falhar, pois no inicio do ano ele entreou os papéis para o divórcio. Este estava a ser bem amargo, pois tinham sido dadas várias ordens de restrição à sua mulher, alegando o seu “comportamento errático”. Por esta altura, já Hopper batalhava contra um cancro da próstata, detectado em finais de 2008, e que se tinha mestatasizado para os ossos. Quando apareceu na sua última aparição pública, em Março deste ano, para receber uma estrela no Passeio da Fama, estava tremendamente magro e se deslocava numa cadeira de rodas.

No final, pode-se dizer que soube viver a vida. Cheia de altos e baixos, no final teve o reconhecimento que merece. Ars lunga, vita brevis.