Löeb vs Ogier: os pilotos Citroen em rota de colisão

Desde que Sebastien Ogier se juntou à equipa oficial da Citroen no inicio desta temporada que se falava na hipótese de dois bons talentos, do mesmo pais e com idades diferentes – Ogier tem 27 anos, Löeb anda pelos 37 -, poderiam causar tensões entre si nessa equipa. Esperava-se que tal pudesse nem acontecer durante esta temporada, dada a ideia de que Löeb estaria a preparar a sua retirada dos ralis com mais um título no bolso, mas aparentemente, e a acreditar no que vêm na imprensa especializada em terras francesas, essas tensões já começaram. A razão para isso foram uma série de incidentes que aconteceram, quer no México, quer agora em Portugal.
Segundo diz esta quinta-feira na Autosport portuguesa, a crispação já começa a ser grande entre os dois e já vem desde a prova anterior, o Rali do México. Aparentemente, no final do segundo dia da prova, Olivier Quesnel deu ordens para que os dois pilotos, que na altura lideravam o rali, mantivessem as posições até ao final da prova, algo que Löeb recusou, pelo fato de nesse dia estar atrás de Ogier e o piloto vindo da região da Alsácia querer vencer a prova para diminuir a diferença que tinha sobre Mikko Hirvonen na classificação geral.
Assim sendo, Löeb atacou Ogier, aumentando o ritmo e forçando-o a cometer um erro que lhe custou no mínimo o segundo lugar da classificação geral, mas deu a vitória que o piloto da Alsácia procurava. Quando questionado sobre o que se passara, Ogier respondeu com um enigmático: ‘Um dia falarei sobre o Rali do México.

Agora em Portugal, as coisas pareciam ir pelo mesmo caminho, mas aqui, Ogier já tinha uma vantagem maior sobre Löeb no inicio da segunda etapa, de quase trinta segundos. Löeb tentou aplicar a mesma receita do México, mas um pequeno incidente numa das classificativas, Vascão 1, quando Mikko Hirvonen se atrasou devido a um furo, voltou à estrada mesmo à frente de Löeb. Zangado como raramente se tinha visto, no final dessa etapa bateu na traseira de Hirvonen, queixando-se que o finlandês arrancou oito segundos à minha frente e fui o resto do troço no pó do seu carro‘. Desta forma, Ogier cavou uma grande diferença para o piloto da Alsácia, no qual depois só teve de gerir até ao final, vencendo pela primeira vez em 2011.
Sendo os rumores verdadeiros ou não, aparentemente só os homens da Citroen sabem ao certo o que se passou, mas para a história ficam as declarações de Quesnel: O que aconteceu no Rali do México é passado, mas o que se diz não é verdade. Mas por muito que se desmintam, parece evidente que as coisas estão crescentemente a ficar azedas. E somente estamos a caminho da quarta etapa da temporada…”

Eis algo que publiquei esta noite no site Pódium GP. Aaprentemente, as tensões entre os Sebastiens, Löeb e Ogier, que muitos achavam que poderia acontecer durante a temporada de 2011, explodiram um pouco mais cedo do que se esperava. Talvez daí se explique algo que é raro em Löeb, que é o de se zangar com outras pessoas sobre algum incidente de corrida. É certo que depois reconheceu que tinha cometido um excesso e pediu desculpa a Hirvonen.

Mas é aparente que a tensão entre os dois pilotos está instalada e muitos já comparam com o duelo entre Ayrton Senna e Alain Prost, na McLaren, ou mais recentemente, entre Jorge Lorenzo e Valentino Rossi na Yamaha. Será que vai ser assim em 2011, nos lados da Citroen? E se tudo isto que foi dito for verdadeiro, como irá acabar?
Anúncios

5ª Coluna: há mais vida para além de Danica

No meio de tantas competições no fim de semana passado, a Indy Car Series foi a última a arrancar em termos de horário. Quando os carros alinharam para a largada em St. Petersburg, já se dormia na Austrália, provavelmente alguns a tentar curar a ressaca que houve após os festejos pelo bom resultado que alguns pilotos e equipas tiveram nesse dia. E em Portugal, já se começava a desmontar as estruturas de mais um Rali, onde Sebastien Ogier conseguiu superar o seu companheiro mais velho, Sebastien Löeb.
A temporada de 2011 da Indy Car Series será a última “mono”: monomarca, monomotora, monopneumática. A partir do ano que vêm vai haver uma pequena liberalização em termos de chassis – apesar de serem todos feitos pela Dallara, alguns componentes poderão ser feitos por outras marcas – de motor, apesar dos pneus ainda serem propriedade da Firestone, que ficará até 2013. E claro, vai ser marcada pela famosa prova final em Outubro, na oval de Las Vegas, onde o “outsider” que bater os pilotos da competição levará uma mala com cinco milhões de verdinhas para casa. E claro, candidatos não faltarão…

Assisti à corrida, e torci o nariz ao novo procedimento de partida, por achar que leva os pilotos ao erro e ao desastre. A carambola da primeira curva pareceu demonstrar essa razão. Mas isso deu uma espécie de “bodo aos pobres”, onde vi um Tony Kanaan, que até há dez dias não tinha lugar na Indy, a segurar um terceiro lugar na sua KV Lotus contra o carro da suiça Simona de Silvestro.

Quanto a Kanaan, é bom ver que arranjou um lugar para o talento que tem e este terceiro posto é um prémio para alguém que teve apenas uns dias para se adaptar à equipa, aos engenheiros e aos mecânicos. Mas fiquei ainda mais contente por ver o bom lugar da piloto suiça e a luta que teve por aquele que poderia ser o seu primeiro pódio. E fiquei convencido que ela poderá ser o futuro das mulheres na competição.

É sabido há muito que a Indy acolhe mulheres, dá-lhes uma chance. E elas por vezes correspondem. O exemplo de Danica Patrick é o mais conhecido de todos, mas as expectativas criadas em 2005 não se concretizaram. Tem apenas uma vitória e com o tempo nota-se os seus defeitos: não se dá bem com as pistas citadinas e convencionais, é uma mulher de ovais, o seu mau feitio começa a ser lendário e vê-se que a sua enorme capacidade de gerar publicidade tem mais a ver com o fato de ser mulher do que os resultados. Agora com 29 anos, em 99 corridas espalhadas em seis temporadas, conseguiu uma vitória, três pole-positions e sete pódios. É um palmarés razoável, é certo, mas fica-se com ideia que é sobrestimada.

A sorte de Danica é que as outras mulheres, como Milka Duno e Sarah Fisher, eram piores do que ela. Mas a entrada em cena de Simona de Silvestro pode mudar as coisas. É uma jovem suiça (22 anos), mostrou ser competitiva na Formula Atlantic (cinco vitórias e o terceiro lugar na classificação em 2009) e na sua primeira época na Indy Car Series, não comprometeu. E dá-se bem nas pistas citadinas, embora tem de provar a sua capacidade nas ovais. Espero que tenha tempo.

Começo a acreditar que Simona pode ter um melhor futuro do que Danica. Mesmo a americana começa a pensar numa eventual mudança para a NASCAR, dado que este ano está a participar mais vezes na competição, embora seja ainda um part-time. Se os resultados em pista nesta temporada não forem convincentes e a imprensa continuar a chatear com o seu mau feitio, pode ser que se vire para essa categoria, que é quase toda feita em ovais, com algumas honrosas excepções.

Claro, não posso esquecer de Ana Beatriz “Bia” Figueiredo. Fez boa figura na Indy Lights, vencendo numa oval, mas a temporada de 2011 será a sua primeira completa, pois no ano passado competiu por algumas corridas. E se o resultado de St. Petersburg foi algo decepcionante, há uma razão para isso: competiu quase toda a corrida com o pulso direito partido. Mas o fato da piloto brasileira conseguir uma temporada completa, com patrocinadores brasileiros, já é um feito que merece ser aplaudido, no mínimo.

O campeonato começou agora, é certo, mas vou olhar, quer para a Bia, quer para a Simona com outros olhos… competitivamente, claro.

As corridas do passado: Brasil 1996

Quinze dias depois da Austrália, máquinas e pilotos estavam no circuito de Interlagos para o GP do Brasil, segunda prova do campeonato. Antes da prova, havia uma mudança no pelotão, com a Minardi a receber no seu cockpit o local Tarso Marques, que na altura tinha apenas vinte anos de idade. E não foi uma grande estreia, porque os seus tempos tinham sido apagados devido ao fato de ter sido empurrado quando não devia. O mesmo aconteceria a outro piloto local, Pedro Diniz, no seu Ligier, quando falhou o controle para pesar o seu carro.

Tudo isso passou ao lado de Damon Hill, que conseguiu a pole-position, com um surpreendente Rubens Barrichello a seu lado, no Jordan-Peugeot, embora a diferença para Hill tenha sido de quase um segundo. Mas o suficiente para bater Jacques Villeneuve, o terceiro na grelha. Michael Schumacher, no seu Ferrari, ficou em quarto. Na terceira fila ficaram o Benetton de Jean Alesi e o segundo Jordan de Martin Brundle, enquanto que o finlandês Mika Hakkinen era o sétimo, no seu McLaren. Gerhard Berger, no segundo Benetton era o oitavo, e a fechar o “top ten”, na quinta fila, estavam o Sauber de Heinz-Harald Frentzen e o segundo Ferrari de Eddie Irvine. (…)”

É assim que começa o post de hoje sobre o GP do Brasil de 1996, corrida que aconteceu faz hoje 15 anos. Debaixo de chuva, Damon Hill conseguiu uma vitória, a segunda consecutiva nesse ano, sem ser perturbado pela concorrência, que degladiava entre si numa pista molhada pelo segundo posto. Jacques Villeneuve, Rubens Barrichello e Jean Alesi, todos eles fozeram o melhor para conseguir esse lugar, que acabou nas mãos do francês da Benetton, depois de Villeneuve e Barrichello terem acabado a sua corrida na berma, vitimas de despistes. E Michael Schumacher ficou com o terceiro posto, alcançando o seu primeiro pódio ao serviço da Ferrari.

Tudo isso e muito mais podem ler hoje no sitio Pódium GP.

Sobre a página do Continental no Facebook

Já deveria ter feito isto na terça-feira, que foi quando isto foi alcançado. Queria que atingisse este numero até ao final do dia de hoje, afinal foi muito mais cedo. A página do Continental Circus no Facebook já alcançou e superou mais de cem seguidores em pouco mais de duas semanas, o que me deixa com um sorriso de orelha a orelha, confesso.
Posso dizer que por agora, estou satisfeito. Claro, não deixo de convidar a todos os que leem regularmente este blog para que se juntem, bastando apenas clicar no botão “Gosto” que está na coluna à vossa esquerda, mas agora as coisas serão feitas um pouco com mais calma. E claro, agradeço a todos os que aderiram por terem feito esta marca possivel. Obrigado e… voltem sempre!

Youtube Motorsport classic: Quando a Formula 1 era uma guerra

Entre algumas coisas que tenho a mão e que preparo para amanhã, dei de caras com isto quando abria a página do Youtube. Trata-se de um documentário que passou este domingo na BBC Four britânica sobre os anos 60 e 70 da Formula 1 e das inumeras mortes que exisitram nesse tempo. De como era a mentalidade naquele tempo, e da luta que personagens como Jackie Stewart tiveram para mudar este tipo de coisas.
O documentário, de seu nome “Grand Prix – The Killer Years” mostra como eram as coisas 40 anos antes, pelo menos. Tem depoimentos de quase todos os sobreviventes dessa era. Digo bem: sobreviventes. Jacky Ickx, John Surtees, Tony Brooks, Emerson Fittipaldi, Jackie Oliver e Jean Pierre Beltoise, entre outros. E claro, Jackie Stewart.
Mas há outros depoimentos que merecem ser vistos. Jacqueline Beltoise, mulher de Jean-Pierre – e irmã de Francois Cevért – e Nina Rindt, a viúva de Jochen Rindt, falam nesse documentário, bem como dois organizadores de Grandes Prémios. René Bovy, o organizador do GP da Belgica em 1966, quando a pista de Spa-Framcochamps tinha 14 quilómetros e foi corrida à chuva, onde Stewart teve o tal acidente que mudou a sua mentalidade em relação à segurança nos circuitos, e Ben Huissman, que fazia parte da organização do GP da Holanda de 1973, a corrida onde Roger Williamson morre. Provavelmente a ultima vez que deixaram uma pessoa morrer. Inconscientemente, quero acreditar.
Um documentário que recomendo vivamente para que vejam. Coloco em cima a parte 1, mas as outras três partes podem ver aqui, aqui e aqui.

As andanças do processo Team Lotus vs Lotus Cars

Nos últimos tempos posso não andar a falar da luta “Team Lotus vs Lotus Cars“, mas como é óbvio, ando a ler e a ouvir tudo o que se tem dito sobre ela no processo em tribunal, cuja primeira audiência começou na semana passada. Tudo indica que as coisas podem estar à beira do fim, porque em principio a sentença será dita nesta sexta-feira. E pelo que ando a ler… não há nada que salve Dany Bahar e o Grupo Lotus, pelo menos neste caso em concreto.
Parte da coisa pode ser lida na edição desta semana do Autosport português. Numa das sessões em tribunal, o juiz chamou Dany Bahar de… mentiroso. Segundo um jornalista que assistiu à sessão, Max Mosley, o ex-presidente da FIA, foi chamado como testemunha e desmentiu com todas as letras, a versão dada por Bahar acerca dias suas intenções do Grupo Lotus. Para piorar as coisas, Bahar disse que se conheciam e tinham um bom relacionamento, e Mosley respondeu que aparte uma breve conversa, nunca se conheceram! Resultado: o juiz repreendeu os advogados do Grupo Lotus e Dany Bahar por prejurio.
Para piorar as coisas, o bom resultado de Vitaly Petrov na Austrália apenas disfarçou o mau ambiente entre Gerard Lopez e o Grupo Lotus. Esta ainda não efetuou qualquer pagamento relativo ao contrato de patrocínio assinado no final do ano passado, e Lopez mexe-se para arranjar desesperadamente contratos de patrocínio vindos da “Mãe Rússia”. Aliado a isso, o Grupo Proton está também em maus lençois devido aos resultados negativos resultantes do forte investimento – 400 milhões de euros, congelados enquanto o processo correr em tribunal – nos planos loucos de Bahar para revitalizar a marca fundada por Colin Chapman. A banca está relutante em emprestar esse dinheiro, as garantias não são muitas e a confiança dos mercados na Proton – uma empresa estatal com prejuízos constantes – é baixa.

Em suma, tudo aquilo que tinha falado nos últimos meses parece confirmar-se. Claro, falta saber como é que o juiz britânico irá decidir-se no caso. Aparentemente, a história e os fatos estão do lado de Tony Fernandes, mas só depois da sentença do juiz é que se verá. E o engraçado, segundo li o que Joe Saward escreveu sobre esta matéria na semana passada, é que o juiz poderá decidir, num extremo, que as cores que a Renault usa no seu chassis – o negro e dourado da John Player Special – poderão ser mudadas porque poderá achar que são propriedade… da Team Lotus.
O final da novela aproxima-se. E pode não ter um final feliz para Dany Bahar e Gerard Lopez.

Duarte Ferreira, quem é ele?

Andava a ver a classificação da Indy Lights neste domingo quando reparei em algo que me surpreendeu bastante: um angolano na América. Tinha lido o nome no ano passado, na Formula 3 Sul Americana, mas pouco mais, e agora, vendo-o na antecâmara da Indy Car Series, mais curioso fiquei. Portanto, para saber se é outro Ricardo Teixeira, fui pesquisar para saber algo mais sobre ele.
Nascido a 1 de Novembro de 1992 em Luanda, Duarte Ferreira cresceu na Belgica, onde se iniciou no karting, a sua primeira temporada em monolugares foi na Belgica foi aos 14 anos, na Formula Renault 1.6. E é por aí a razão pelo qual esteja a correr pelas cores angolanas: um problema com a FPAK devido à licença de condução, que eles não concediam antes de ele completar os 16 anos fez com que os pais decidissem inscrevê-lo com a licença do pais onde nasceu.

Minha criação é europeia. Corri com motores 1.6 litros, depois 2 litros, e agora temos a intenção de fazer a F3 Light neste ano, para em 2011 tentar a principal“, contou Duarte numa entrevista ao site brasileiro Grande Prêmio em Maio do ano passado. A mudança de continente, segundo ele, foi decidida em conjunto pelos pais. “Decidimos tudo em conjunto. A F3 Sudam é uma Formula 3 prestigiosa, que além de ter criado pilotos que chegaram à Indy e à Formula 1, tem o motor de Formula 3 mais rápido do mundo, então é muito prestigioso estar aqui“, disse.

E a mudança de nacionalidade só lhe fez bem a ele. Para além de andar com a camisola e o boné angolanos, tem também atrás de si o patrocinio da petrolifera Sonangol, que o levou não só para a Formula 3 Sul-Americana, onde na categoria Light conseguiu três pódios e duas pole-positions, como também o levou para a Indy Lights na equipa de Bryan Herta, um ex-piloto da categoria. E apesar dos seus tenros 18 anos e da inexperiência nesta categoria, conseguiu um oitavo lugar em St.Petersburg, a primeira corrida do ano.

Se ele tem a ver com Ricardo Teixeira, atualmente piloto reserva da Team Lotus? Ainda no ano passado, respondeu: “O Ricardo tem 29 anos, eu tenho 17. A gente teve escolas muito diferentes: eu tive escola europeia, ele não teve. Somos diferentes“.

Robert Kubica viu a corrida e… gostou

A recuperação de Robert Kubica aparenta estar a correr bem. Já em fase de reabilitação, poderá faltar algumas semanas antes que comece a andar, por exemplo. E como sendo o grande ausente do Mundial de 2011, acompanhou com redobrada atenção as incidências do GP da Austrália, especialmente o terceiro lugar de Vitaly Petrov, que provavelmente foi o resultado mais surpreendente de todo o fim de semana.
Daniel Morelli, o manager de Kubica, disse ao jornal italiano La Stampa sobre como é que o polaco viu a corrida, acompanhado por ele e por Edytia, a namorada de Robert: “O Robert viu a corrida como uma criança a ver o mais divertido dos desenhos animados da Disney. No final, já com os resultados definidos, disse que a Lotus Renault mostrou prestações certamente superiores às esperadas. Mas ele já tinha dado conta nos testes de Barcelona que o carro poderia ser competitivo. E quis dar os parabéns ao Petrov pela sua soberba prestação na qualificação e na corrida“, afirmou.

Segundo Morelli, Kubica destacou “a frieza e calculismo de Petrov, que não cometeu o mínimo erro“.

Para além de ter apreciado a corrida e as batalhas que existiram em pista, não esqueceu as mensagens de apoio que continuaram a ser-lhe direcionadas: “Aparte a supremacia mostrada por Vettel e Hamilton e a posição conquistada por Petrov, houve uma bela batalha pelo quarto posto. E claro que ficou impressionado e comovido com as muitas mensagens e cumprimentos enviados de todo o paddock. Sente que tem muitos amigos e ficou feliz“, acrescentou.

É muito cedo para cantar derrota, parte dois

Ontem dizia que era muito cedo para as pessoas começaram a cantar o que quer que seja. Derrotas ou vitórias. Da mesma maneira que ainda não acredito que a Red Bull vá dominar a temporada, apesar do sinais latentes, também não acredito que a concorrência esteja derrotada em toda a linha logo após Melbourne. Digo isto depois de ler as preocupações sobre o projeto da Virgin e depois de ler as declarações de Flávio Briatore sobre a Ferrari:
Pode parecer absurdo, mas a Ferrari deveria concentrar-se no monolugar de 2012. A equipa tem os meios e os recursos necessários, mas meio segundo de diferença para os Red Bull é uma eternidade“, afirmou o ex-diretor da Renault em declarações ao diário finlandês Turun Sanomat.

Sobre a Virgin, Timo Glock não esconde o seu desânimo à Autosport portuguesa: “Porque esperávamos muito deste projeto e a verdade é que não progredimos nada e os nossos adversários diretos, a Lotus, deram um claro passo em frente“.

Por isso, o alemão só espera que “as modificações que vamos levar para a Turquia surtam efeito, mas a diferença é muito grande e será difícil atingir os objetivos a que nos tínhamos proposto no início deste ano“.

Vamos lá fazer de advogado do Diabo: primeiro que tudo, continuo a dizer que é prematuro dizer algo sobre os carros e sobre a época em si. Ninguém tem bolas de cristal para adivinhar o futuro e o que temos são tendências, nada mais. Segundo: Flávio Briatore nunca foi e nunca será um especialista. É um “alien” que nunca se interessou verdadeiramente sobre os aspectos técnicos da Formula 1, que certo dia, ainda na Renault, considerava como “demasiado chatos para serem entendidos”. Nesse aspeto, é como Bernie Ecclestone: sempre que abre a boca, sai asneira. Portanto, tudo aquilo que diz é quase um insulto aos especialistas.

Claro, podemos dizer que tudo isto poder servir para o seu plano de regresso à Formula 1, cujo objetivo seria o ingresso na estrutura dirigente da Ferrari. Se ele for inteligente, a ideia pode ser essa. Mas mesmo assim, tais declarações continuam a ser prematuras e descontextualizadas. O fato da Ferrari ter sido a terceira equipa em Melbourne, atrás da Red Bull e da Ferrari, e que, por exemplo, o sétimo lugar de Felipe Massa se deve à desclassificação dos Sauber, não quer dizer absolutamente nada, pelo menos neste inicio da época. O ano passado, os Ferrari eram pouco considerados até meio da época, e depois recuperaram ao ponto de quase alcançarem o título. Lembram-se?

Portanto… Briatore perdeu uma boa oportunidade para estar calado. Tivesse um pouco mais de paciência e talvez dentro de algumas corridas poderia ter razão no que dizia.

Sobre a Virgin, diremos que estão a pagar o preço de usarem uma estratégia diferente. Desenhar carros por computador pode ser uma boa ideia no papel mais precisa ainda de tempo para dar certo. E parece que neste ano dois da agora Marrussia Virgin nas pistas, pelo menos na Austrália andaram muito perto do limite dos 107 por cento, o que é perigoso para Timo Glock e Jerôme D’Ambrosio. Ver escapar a Team Lotus pode ser frustrante, e para piorar as coisas, há rumores de que a pífia Hispania poderá ter um bom chassis, quando conseguirem afiná-lo.

Quem conta essa é o James Allen: o fato de Vitantonio Liuzzi ter ficado 1,7 segundos atrás da pior das Virgin significa que mesmo com todas as trapalhadas dentro daquela equipa, alguém poderá ter feito o trabalho de casa e combinado o que de melhor se fez da Williams (a caixa de velocidades) com o motor Cosworth. Se aquilo que o Colin Kolles anda a arrotar para fora for verdade, então temo que haja muita gente a engolir sapos vivos a meio do ano…