GP Memória – Alemanha 1971

Um ano depois do Grande Prémio da Alemanha ter sido disputado em Hockenheim, depois dos pilotos terem ameaçado boicotar Nurburgring devido aos seus problemas de segurança, o pelotão da Formula 1 estava de volta ao Nordschleife, totalmente renovado com guard-rails ao longo dos 23 quilómetros de pista. Para além disso, foram criadas áreas de escape em alguns sitios e o asfalto fora renovado noutros, fazendo do circuito um pouco menos perigoso.
No pelotão, havia algumas novidades. A BRM trazia o veterano Vic Elford para o lugar de Pedro Rodriguez, morto três semanas antes, enquanto que na Matra, não havia substituto para Jean-Pierre Beltoise, suspenso devido às suas ações no inicio do ano que levaram ao acidente mortal de Ignazio Giunti nos 1000 km de Buenos Aires. Assim sendo, a Matra iria correr em Nurburgring somente com Chris Amon. E na Ferrari, Mario Andretti estava de volta à Ferrari, depois dos seus compromissos com a USAC.
Enquanto isso, na Ecurie Bonnier, um jovem austriaco iria ter a sua chance para estrear na Formula 1 ao volante de um McLaren M7C. O seu nome era Helmut Marko e tinha dado nas vistas algumas semanas antes, quando venceu as 24 horas de Le Mans ao volante de um Porsche 917. Contudo, a sua passagem não durou muito – pois ficou sem combustivel na sua primeira volta – e zangou-se com Jo Bonnier. Assim, foi o veterano piloto sueco que pegou no carro, mas não conseguiu qualificar-se.

E enquanto Bonnier e Marko se desentendem, Jackie Stewart marcava a pole-position da corrida alemã, com o Ferrari de Jacky Ickx a seu lado e o BRM de Jo Siffert no terceiro lugar da grelha. O segundo Ferrari de Clay Regazzoni foi o quarto, seguido pelo segundo Tyrrell de Francois Cevért. Dennis Hulme, no McLaren-Cosworth conseguira o sexto lugar, na frente do March de Ronnie Peterson e do Lotus de Emerson Fittipaldi. A fechar o “top ten” estavam o Brabham de Tim Schenken e o March de Henri Pescarolo, inscrito por Frank Williams.
Na partida, Ickx conseguiu superar Stewart no arranque, mas depois, no meio da primeira volta, o escocês conseguiu passar, com Regazzoni atrás de Ickx e na frente de Hulme, Siffert, Peterson e Cevért. A meio da segunda volta, na curva Wippermann, Ickx tem um despiste e abandona de imediato, mas prejudicando a performance de Regazzoni, que tem de se desviar pela berma para evitar bater no seu companheiro de equipa. Isso fez com que Stewart conseguisse um avanço enorme e praticamente sentenciasse a corrida, pois o segundo era Siffert, que tinha passado Hulme na luta pelo terceiro lugar.

Pouco depois, Hulme era superado por Peterson e Cevért, caindo para sexto, enquanto que Regazzoni tinha voltado à pista no terceiro lugar. As coisas iriam manter-se até que na sexta volta, Siffert tem problemas e entra na boxe pelo lado errado. O resultado é que os comissários decidem desclassificá-lo, da mesma forma que três voltas antes tinham feito com o March de Mike Beuttler.
Com isso, Regazzoni fica com o segundo lugar, mas é ameaçado pelo segundo Tyrrell de Francois Cevért, que tinha se livrado de Ronnie Peterson e aproximava-se rapidamente do piloto suiço. Na 11ª volta, o francês conseguiu ultrapassá-lo e ficou com o segundo lugar, colocando-se assim a caminho da segunda dobradinha da equipa naquele campeonato.

Na bandeira de xadrez, a ordem manteve-se: Stewart foi o vencedor, com Cevért no segundo lugar e Regazzoni no terceiro posto. Nos restantes lugares pontuáveis ficavam o segundo Ferrari de Mario Andretti, o March de Ronnie Peterson e o Brabham de Tim Schenken.
Fontes:

Youtube Rally Crash: os despistes do Rali da Finlândia

O Rali da Finlândia é um rali rápido mas muitas das vezes, um erro é fatal. E este video mostra os riscos de andar rápido demais em certa curva, na segunda classificativa do rali. Já mostrei o acidente de Matti Rantanen noutro dia, e este video volta a mostrar, mas o que não sabia – e este video da Motors TV mostra – é que houve pelo menos mais dois despistes. E foram mais arrepiantes do aque o anterior…
E para mais, também há um pião de Kimi Raikonnen que teve na sexta classificativa. Não houve estragos e como sabemos, o finlandês continuou até ao nono lugar final.

WTCC – Oscherschleben (Corridas)

O francês Yvan Muller e o alemão Franz Englester foram os vencedores das corridas de hoje no circuito alemão de Oscherschleben, em mais uma jornada dupla do WTCC. E quanto a Tiago Monteiro, as coisas poderiam ter sido melhor do que foram, caso o novo motor 1.6 começasse a colaborar mais, algo que ainda não acontece. Se na primeira corrida, um toque de um adversário o obrigou a desistir, na segunda, ficou patente a falta de potência do seu motor, que o fez cair posições, de segundo á partida para o oitavo lugar final.
É uma sensação de impotência enorme. A Sunred tem resolvido os problemas que vão surgindo, porém, corrida após corrida aparecem novos problemas. Tanto eu como os outros pilotos da equipa temos tido uma tarefa complicada. Infelizmente tenho perdido pontos importantes nas contas do Campeonato. Esta segunda metade do Campeonato tem sido infernal. Mas em Valência vou ter um motor novo e estou certo que as coisas vão mudar“, afirmou.

Na primeira corrida, que aconteceu debaixo de chuva intensa, esta começou com problemas no alinhamento que obrigaram a ser repatida por duas vezes. Só arrancou à terceira, com Muller a partir na frente, sem ser mais incomodado. Enquanto isso acontecia, Tiago Monteiro sofria um toque de um concorrente, que destruia uma das suas rodas e o obrigava a voltar às boxes no final da primeira volta.
No final, foi um duelo entre Chavrolets, com Muller a controlar a aproximação de Robert Huff, com o terceiro lugar a ser de Gabriele Tarquini. Atrás, houve um duelo entre o dinamarquês Michael Nyaeker, no seu Seat, e o sueco Robert Dahlgren, no Volvo C30, favorável às cores suecas. Foi o melhor resultado até agora da marca sueca no seu primeiro ano de WTCC.
Na segunda corrida, o hungaro Norbert Mischelisz tentou aproveitar o primeiro lugar para tentar alcançar a sua primeira vitória na categoria. Se ele ficava na frente, Tiago Monteiro ficava para trás, com um motor pouco colaborante, mas envolvendo-se nas lutas com Gabriele Tarquini, Yvan Muller e Robert Huff. Contudo, Michelisz teve um pião a meio da corrida e deu de mão beijada a liderança para o veterano Franz Englester, que não fez mais do que conservar o seu sangue frio e levar o carro até ao fim, conquistando a sua primeira vitória de sempre após 88 participações no Mundial. E uma prenda tardia, já que comemorou o seu 50º aniversário cinco dias antes…

No pódio, foi acompanhado por Alan Menu e por Gabriele Tarquini, cuja soma de idades total dá… 146 anos! Um pódio de meia idade, sem dúvida. No campeonato, a diferença entre Muller e Menu é agora de seis pontos, num campeonato que há muito se sabe estar entregue à Chevrolet. Tiago Monteiro continua na sexta posição, com 105 pontos, um pouco mais longe do BMW de Tom Coronel e o Seat de Gabriele Tarquini. A próxima jornada do WTCC tem lugar a 3 e 4 de Setembro no traçado espanhol de Valência.

Formula 1 2011 – Ronda 11, Hungria (Corrida)

Parece que voltamos a 2006, não é? Chuva a cântaros na partida e Jenson Button vence uma corrida. E não é só uma espécie de “regresso a um lugar onde foi feliz”. Acontece num momento simbólico da sua carreira: este é o seu 200º Grande Prémio. Apenas aos 31 anos e já tem tais numeros… mas tal como em 2006, foi uma corrida memorável para aqueles que o viram e acompanharam durante as quase duas horas que a corrida durou esta tarde.
A segunda vitória de Jenson Button na temporada de 2011 começou tal como em 2006: com o boletim meteorológico. Contrariando as expectativas iniciais, a prova começou com chuva imediatamente antes da partida ser dada, logo, a pista estava molhada. Quando aconteceu, Sebastian Vettel manteve a liderança, seguidos dos McLaren de Lewis Hamilton e Jenson Button, enquanto que os Ferrari perderam posições: Fernando Alonso e Felipe Massa perderam três lugares cada um.

E logo de inicio, Hamilton atacou Vettel para sacar a liderança. A sua primeira tentativa foi na quarta volta e na quinta, Vettel sai um pouco largo na curva dois e Hamilton aproveita. Enquanto isto acontecia, havia uma recuperação sensacional: a de Sebastien Buemi, que de último – penalizado por causa do incidente com Nick Heidfeld em Nurburgring uma semana antes – já era 14º, atrás de Rubens Barrichello.
Com o asfalto a secar, na 11ª volta começavam as primeiras paragens nas boxes. As primeiras de uma longa série que no final deram para bater um novo recorde na Formula 1. Duas voltas depois, os pilotos da frente paravam, e alguns colocavam pneus supermacios para ver se conseguiam ganhar o maior numero de posições possivel, mas nada foi alterado na frente, com Hamilton a abrir vantagem, agora, sobre o seu companheiro Jenson Button.

As lutas continuavam animadas, mas na volta 25 houve drama: o Renault de Nick Heidfeld, após ter feito a sua habitual paragem nas boxes, começa a pegar fogo de traseira e o piloto alemão não tem outra hipótese que não saltar com aparato do seu carro. E com isso, a corrida fica sob bandeira amarela por quatro voltas, boa altura para os lideres colocarem um novo set de pneus, sem grandes alterações na frente, agora com Fernando Alonso no terceiro lugar, depois de ter superado os Red Bull.
Mas a partir da volta 45, o tempo volta a fazer das suas: volta a chover, com menos intensidade do que antes, mas o suficiente para que Hamilton comece a cometer erros e a deixar passar Button. Ambos alternam a liderança até à volta 55, quando acontece um dos momentos da corrida. Hamilton roda e para voltar faz um novo pião, colocando o Force India de Paul di Resta fora da pista. Resultado: os comissários de pista decidem penalizar Hamilton pela sua manobra perigosa. O britânico cai para o sexto lugar e a sua corrida fica definitivamente estragada.
Apesar da queda de água, a pista não ficou suficientemente molhada para fazer as trocas para pneus de chuva, e na frente, Jenson button fez o suficiente para manter a liderança, apesar de ser seguido por Sebastian Vettel. Lewis Hamilton, esse, atacou para chegar o mais longe possivel, e passou Mark Webber para ficar com o quarto lugar, apesar das tentativas do australiano em ripostar, mas de nada serviram.

E quando a bandeira de xadrez foi mostrada, quase duas horas depois da corrida ter começado, Jenson Button comemorava uma inesperada vitória, numa espécie de regresso ao passado, cinco anos depois de ter ganho pela primeira vez, e 200 corridas depois de ter começado. E ao seu lado tinha Sebastian Vettel no segundo lugar, e Fernando Alonso a conseguir o seu quarto pódio consecutivo. O piloto alemão pode ter voltado ao pódio e manter a liderança com vantagem considerável, mas é um fato que agora, a Red Bull não vence há três corridas.
O quarto lugar de Lewis Hamilton pode servir de fraco consolo pela corrida que fez e pela vitória que se calhar teria merecido, pela sua combatividade. Mas os erros e as ingenuidades pagam-se caro, mas ao menos ficou à frente de Mark Webber e Felipe Massa, que repetiram a sequência dos três primeiros classificados, curiosamente…

Em termos de “restos”, tem de se tirar o chapéu a Paul di Resta, que consegue aqui a sua melhor posição de sempre com o seu Force India, e ficou na frente do Toro Rosso de Sebastien Buemi, que de último acabou em oitavo, e um lugar nos pontos. E ficou na frente de outro derrotado, Nico Rosberg, no seu Mercedes, e de Jaime Alguersuari, que foi o décimo e fechou os lugares pontuáveis.
E já agora, hoje vimos mais um recorde nos anais da Formula 1: tivemos 88 paragens na boxe durante a corrida. Tempo mais uns Pirelli propositadamente esfarelados dá nisto…

Youtube Nurburgring: Como um piloto assusta outro…

É óbvio que quem gosta de conduzir, não gosta de ser conduzido. Mesmo eu, quando tal acontece, dependo da confiança que tenho com essa pessoa. Eu confio mais no meu pai do que na minha mãe, confesso…
Neste caso em particular, durante o final de semana do GP da Alemanha, Nico Rosberg conduziu David Coulthard no Nurburgring Nordschleife. Coulthard, agora comentador da BBC, aproveitou a ocasião onde a Mercedes convidou toda a gente para que fossem dar umas voltinhas no Inferno Verde a bordo do Mercedes SLS AMG. Até o Ico foi dar umas voltas nesse circuito com o Marcus Winkelhock como condutor…
Bom, é melhor ver o video para terem uma ideia do que se passou. E deu para ver que mesmo pilotos emperdenidos não gostam de ser conduzidos.

WRC 2011 – Rali da Finlândia (Final)

Aos 37 anos, Sebastien Löeb anda cada vez mais a bater recordes e a alcançar algo que parecia ser inalcançável por parte de outros pilotos não-nórdicos, pelo menos na Finlândia. Só que o heptacampeão do mundo continua a bater recordes, e hoje conseguiu mais um: o de ser o primeiro estrangeiro a conseguir vencer o Rali da Finlândia por duas vezes. Mesmo sendo assediado por Sebastien Ogier e por Jari-Matti Latvala, não cometeu qualquer erro e venceu a prova, a 65ª da sua carreira e a quarta do ano.
Sabe muito bem, foi uma prova bastante difícil. Limpámos a estrada por três dias e continuámos a ser os mais rápidos no final. Tivemos de lutar bastante até ao final, pelo que pode ser considerada a maior vitória“, referiu Löeb quando cruzou a meta.

A chave para a vitória neste rali acabou por ser a chuva. Com isso, os troços acabaram por ficar mais escorregadios e mais favoráveis para o que estava na frente, pois permitiu resistir aos ataques de quem vinha atrás dele. No final, a diferença entre ele e Jari-Matti Latvala foi de 8,1 segundos, com Sebastien Ogier a fechar o pódio, depois de se atrasar devido a um furo.
Mikko Hirvonen, depois do seu acidente no primeiro dia, que o fez mergulhar para o meio da tabela, acabou por fazer uma recuperação impressionante, acabando por passar Petter Solberg e ficar com o quarto lugar, a um minuto e nove segundos de Löeb. Logo a seguir ficou Solberg, o primeiro de três noruegueses a ficarem classificados. Depois de ele ficaram Mads Ostberg e Henning Solberg, o irmão mais velho de Petter, ambos da Stobert-Ford. Depois veio Matthew Wilson, no oitavo posto, na frente de Kimi Raikonnen, que conseguiu pontuar no seu rali natal. Juho Hanninen foi o melhor dos S2000 e ampliou a sua liderança no SWRC, além de ter conseguido um ponto para o campeonato.
O último dia do Rali da Finlândia foi marcado pelas desistências dos Mini oficiais, devido a problemas de sobreaquecimento. Dani Sordo de Chris Meeke andaram sempre nos pontos, mostrando o potencial deste carro, preparado pela Prodrive, que participou no seu segundo rali desde a sua apresentação, no inicio deste ano.

Quanto aos pilotos portugueses, Armindo Araujo também teve os mesmos problemas de sobreaquecimento que sofreram os Mini oficiais, mas decidiu acabar o rali, e o fez na 20ª posição, pois era esse o seu grande objetivo: aprender. E quanto a Bernardo Sousa, também chegou ao fim um pouco mais atrás, na 24ª posição, mas sexto na classificação dos SWRC, conseguindo juntar alguns pontos no campeonato.
Na classificação geral, Löeb é o lider, agora com 171 pontos, contra os 144 de Mikko Hirvonen. Sebastien Ogier tem agora 140, contra os 94 de Jari-Matti Latvala. O próximo rali do Mundial é o da Alemanha, que vai acontecer de 18 a 21 de agosto.

Formula 1 2011 – Ronda 11, Hungria (Qualificação)

Se na sexta-feira outros mostram as suas garras, no sábado, a pole-position fica com os Red Bull. Está a ser assim este ano e a Hungria não é excepção. Na luta pela pole-position, Sebastien Vettel levou a melhor sobre os McLaren de Lewis Hamilton e do “bicentenário” Jenson Button, enquanto que os Ferrari ficaram logo atrás com Felipe Massa a ser melhor do que o agora trintão Fernando Alonso.
No final dos treinos livres de ontem, Sebastian Vettel pediu aos seus mecânicos para que “caprichassem” no acerto do seu Red Bull RB7, se queriam bater os Ferrari e os McLaren. Eles fizeram esse trabalho durante a noite e o resultados estão à vista: não só conseguiu bater a todos, como também colocou distância sobre Mark Webber, que nesta qualificação ficou num pálido sexto lugar, apenas na frente dos Mercedes de Nico Rosberg e Michael Schumacher, o Force India de Adrian Sutil e o Sauber de Sergio Perez, que fecharam o “top ten” e participaram na sempre ambicionada Q3.

Atrás, os que se ficaram pela Q2, mostra-se que os Renault e os Williams estão a ter prestações cada vez mais “decadentes”, pois nenhum deles esteve na posição de discutir a passagem para a Q3. Paul di Resta andou perto, mas ficou com “a fava”, e a mesma coisa aconteceu a Kamui Kobayashi. E os Toro Rosso pouco ou nada fizeram, ainda mais que Sebastien Buemi tem uma penalização a cumprir devido ao incidente na Alemanha com o Renault de Nick Heidfeld.
E quanto às novatas, cada vez mais se vê que a Lotus está numa classe á parte. Os Renault, Williams e Toro Rosso podem estar um pouco distantes, mas está cada vez mais longe da Virgin e da Hispania-HRT. E Heiki Kovalainen ficou 0,3 segundos atrás de Buemi, o que mostra que aos poucos, apanham o meio do pelotão. E não usam o KERS…

Amanhã é dia de corrida. Veremos como acabará: mais do mesmo ou algo diferente?

Sobre a impressionante e cruel morte de Roger Williamson

Poderia ser mais um a falar sobre o aniversário de Fernando Alonso, mas o piloto de Oviedo teve o azar de ter nascido precisamente oito anos dpeois de um dos acidentes mais impressionantes da história de Formula 1. E a maneira como isso foi captado em direto, para além dos esforços – bravos, mas inuteis – de outro piloto, que decidiu abdicar da corrida para socorrer um camarada preso nas ferragens, acho que merece ser referido todos os anos, como uma forma de recordar aos mais novos o muito que a Formula 1 caminhou até chegar ao padrão de segurança que temos hoje em dia.
É estranho como posso falar constantemente uma efeméride que aconteceu antes de nascer. Mas provavelmente a morte de Roger Williamson pelo impacto que tem, mesmo após tanto tempo, acho que impressiona qualquer um, quem quer que tivesse nascido por essa altura ou não. A ideia de nos ver uma pessoa a morrer diante de nós – e foram milhões, naquele dia, em Tv’s a preto e branco e a cores – e mais do que isso, ver aquela pessoa, David Purley de seu nome, abandonar o seu carro e correr para empurrar o carro de Williamson da posição onde estava. E o mais impressionante, entre os vários factos que aconteceram nesse dia, era que ele estava vivo após o embate, e suficientemente consciente para pedir a Purley para que o tirasse dali, pois já estava a ficar sufocado com o monóxido de carbono que o iria matar.

Ao ver as imagens do desastre, via-se que bastavam três ou quatro pessoas para conseguir colocar o carro no chão, e retirá-lo dali e levá-lo para a enfermaria, e depois o hospital mais próximo. Provavelmente não teria tido ferimentos graves, mas a realidade foi que Roger Williamson morreu devido à negligência dos organizadores, dos comissários de pista, das autoridades de segurança do circuito de Zandvoort. E o irónico é que aquele circuito, palco de um acidente fatal três anos antes, com outro britânico, Piers Courage, tinha regressado ao calendário da Formula 1 em 1973, depois de ter ficado um ano de fora para profundas obras de melhoramento do seu circuito, com guard-rails e uma nova capa de asfalto.
Mas no final foi a negligência humana que matou Roger Williamson. O inquérito subsequente mostrou isso mesmo, e Ed Swarts, o diretor da corrida nesse ano, disse que “Foi tudo uma terrível má interpretação do que estava a acontecer.” E essa má interpretação custou a vida de um jovem de 25 anos.

David Purley, o homem que tentou salvar, foi condecorado com a George Medal, a mais alta distinção de bravura atribuido a um civil britânico. Poucos anos depois, em julho de 1977, voltou a ser noticia quando sobreviveu a um acidente nos treinos para o GP britânico, em Silverstone. Gravemente ferido, sobreviveu a um choque de 179,8 G’s quando desacelerou num mero espaço de… 66 centímetros de 173 km/hora a zero. Os seus restos estão no museu de Donington Park, levado por Tom Wheatcroft, que tinha sido o manager de… Williamson. Acabou por se dedicar à acrobacia aérea e morreu num acidente em 1985.
Se quiserem ler a biografia de Williamson, podem vir aqui. E sobre os eventos daquele cada vez mais distante 29 de julho de 1973, nas dunas holandesas de Zandvoort, podem também vir aqui.

WRC 2011 – Rali da Finlândia (Dia 2)

Foi um segundo dia de Rali da Finlândia muito disputado entre os Citroen e o Ford de Jari-Matti Latvala. Sebastien Löeb e Sebastien Ogier degladiaram-se entre si pelo comando do rali, contra o Ford de Latvala, que tenta defender a honra finlandesa, já que o seu companheiro Mikko Hirvonen estava em recuperação do atraso de mais de dois minutos que o seu despiste na tarde de ontem tinha causado. No final, a diferença entre os dois Sebastiões é de apenas… 1,5 segundos. “Tentei pilotar bem… sabia qual era a margem que queria ter [no final do dia]”, referiu Ogier no final da etapa aos microfones da World Rally Radio.
Latvala está mesmo atrás deles, a 2,6 segundos do lider, e quer muito vencer em casa. Com um ritmo muito forte ao longo de todo o dia, abrandou perto da meta para garantir uma posição mais favorável na estrada amanhã, porque… no meio de tudo isto, até as condições meteorológicas poderão ter uma palavra decisiva nos resultados finais.

Já um pouco mais distante, a 29,2 segundos, está o norueguês Petter Solberg, no seu Citroen DS3 WRC, e está a rodar de forma algo isolada, pois o seu compatriota Mads Ostberg é o quinto classificado, a cerca de meio minuto de Solberg e a um minuto da liderança. E a sexta posição é ocupada por um dos pilotos do dia: Mikko Hirvonen. O piloto da Ford venceu cinco das especiais que compunham o dia de hoje depois de ontem ter sido atrasado em dois minutos pelos seus problemas com o carro.
Dani Sordo e Chris Meeke rodam algo juntos no sétimo e oitavo postos, com os seus Mini John Cooper Works oficiais, a fazer uma prova consistente e cuidada, mas não perdendo a sua velocidade. Juho Hanninen, recém-vencedor da prova açoriana do IRC, é o nono classficado da geral com o seu Skoda Fabia S2000 e lidera a classe SWRC. A fechar os lugares pontuáveis está Henning Solberg, no seu Ford Fiesta WRC, a dois minutos e seis segundos do lider, e tem Matthew Wilson e Kimi Raikonnen à sua perna.

Já em relação aos portugueses, Armindo Araujo conquistou algumas posições na sua toada cautelosa, e agora está na 20ª posição da geral, enquanto que Bernardo Sousa está cinco posições mais abaixo, e é o sexto classificado na categoria SWRC. “Foi mais uma etapa em que conseguimos superar as dificuldades do rali. Estamos em sexto, e apesar de termos procurado subir o ritmo, temos sempre em mente que terminar é obrigatório para as nossas pretensões no campeonato, e como já disse, os riscos maiores vão ter de ficar reservados para as próximas provas do WRC“, referiu.
O Rali da Finlândia termina amanhã.

Rumor do dia: Pau Gasol pode ser um dos priprietários da Hispania

Pode ser treta publicitária, dado que a fonte desta noticia é o jornal “As”, mas bem vistas as coisas, é uma história que merece ser contada, dado o fato da Hispania ter novos proprietários e saber que anda à procura de dinheiro fresco. Assim sendo, parece que Pau Gasol, um dos desportistas mais bem pagos da NBA, tinha investido dinheiro na Hispania, no tempo dos Carabantes, e tem uma clausula que poderá exercer até ao dia 22 de agosto, caso queira investir mais na equipa. E caso não queira, ainda pode haver chineses no negócio. Eis a noticia que apareceu na edição de hoje do jornal “A Bola”.
PAU GASOL PROPRIETÁRIO DA HISPANIA?

Estrela dos Lakers tem prazo até 22 de agosto para exercer direito de compra da equipa.

Pau Gasol, estrela dos Lakers, da NBA, pode vir a tornar-se no principal acionista da Hispania, agora conhecida como HRT, a primeira equiopa espanhola de Formula 1. Gasol, considerado como o melhor basquetebolista espanhol de todos os tempos, já detêm açoes na equipa na sequência da amizade com os primeiros proprietários da Hispania [José Ramon Carabante] e por isso foi um dos principais investidores no projeto logo de inicio, com pouco mais de um milhão de euros.

Como acionista, Gasol tem até ao dia 22 de agosto para exercer o direito de compra da equipa, que atualmente vale 46 milhões de euros. Porém, de acordo com o jornal AS, o dinheiro não sairia do bolso de Gasol quando há interesse do Wasserman Media Group, que gere os direitos de imagem de Gasol, em avançar com o negócio em função de uma parceria com a empresa chinesa Erdos, que, por sua vez, estaria interessada em colocar o primeiro piloto chinês na grelha do Mundial de F1, sendo o principal candidato Ho-Pin Tung, atual piloto de reserva da Renault e já participou na Superleague Formula.

Por outro lado, transformar a HRT na primeira equipa chinesa era projeto que agradaria a Bernie Ecclestone.