WRC 2012 – Rali de Portugal (Dia 3)

Depois da tempestade no primeiro dia, os pisos ficaram secos este Sábado para o terceiro dia do Rali de Portugal, onde Mikko Hirvonen decidiu gerir a vantagem que conseguiu no primeiro dia do rali, e onde o norueguês Petter Solberg venceu a maioria dos troços do dia, chegando até ao quarto lugar antes de ter problemas na parte final, com a direção assistida do seu Ford Fiesta, sendo passado por Nasser al-Attyah.


Atrás de si, a uma distância mais ou menos controlada, estão o norueguês Mads Ostberg e o russo Evgueny Novikov. Este teve alguns problemas a nivel da ignição do seu Ford Fiesta, mas manteve-se nos lugares do pódio. Quem subiu lugares devido aos azares alheios foi o qatari Nasser Al-Attiyah, que lutou pelo quarto posto com Solberg, mas deu espectáculo devido á sua rapidez, a caminho de provavelmente o seu melhor desempenho no Mundial de Ralis.

O checo Martin Prokop, apesar de estar a fazer um rali sofrido, tem conseguido levar o seu carro até ao sexto lugar, na frente de Dennis Kuipers e do Skoda Fabia S2000 de Sebastien Ogier, o melhor da categoria. A fechar o “top ten” estão o holandês Peter van Marksteijn e o finlandês Jari Ketomaa.

Em relação aos Mini, Dani Sordo demonstrou andamento para os mais rápidos, vencendo duas especiais, mas à tarde teve problemas com os gases dentro do seu habitáculo, sendo origado a partir o vidro do seu habitáculo para poder respirar melhor. Pior sorte teve o sueco Patrik Sandell, no segundo Mini da Prodrive, quando andava na quinta posição. um toque numa perda na 14ª especial o obrigou a abandonar.

Quanto a Armindo Araujo, foi um mau dia para o piloto do Mini. Depois de ter feito uma grande recuperação na sexta-feira, chegando muito perto dos pontos, o dia de sábado não foi grande para o piloto de Santo Tirso, que lutou para conseguir boas prestações até à 15ª especial, a segunda passagem por Vascão, quando bateu numa pedra, danificando a suspensão frente-direita do seu Mini JCW WRC.

A meio da especial, devido a algum impacto mais forte, partiu-se um amortecedor e um braço da suspensão e não havia mais nada a fazer. Entramos bem na segunda ronda pelas especiais de hoje e estávamos confiantes que iríamos subir mais lugares. Infelizmente fomos vítimas desta contrariedade e agora só nos resta esperar por amanhã para voltar a alinhar no nosso rali”, começou por dizer o piloto de Santo Tirso.

É sempre amargo perceber que não conseguiremos chegar ao objetivo que traçamos à partida mas estamos a correr no nosso país e vamos regressar amanhã esperançados em dar o nosso melhor. Somos a melhor dupla portuguesa em prova e queremos passar pelo pódio no final”, afirmou.

O Rali de Portugal termina amanhã, com mais quatro classificativas feitas durante a manhã, incluindo a Super Especial.

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Noticias: Jackie Stewart revela participação em dois filmes sobre a sua carreira

Hollywood, definitivamente, descobriu o filão da Formula 1. Depois do sucesso do documentário sobre Ayrton Senna, no ano passado, e de Ron Howard estar a filmar “Rush”, o filme sobre a temporada de 1976 e o duelo entre James Hunt e Niki Lauda, agora é Jackie Stewart que revela hoje à Autosport britânica que está envolvido em dois projetos de filmes: um sobre a relação entre ele e o seu companheiro de equipa Francois Cevért, e o outro no “remastering” de “Weekend of a Champion“, feito em 1971 por Roman Polanski.
Polanski está a refazê-lo, só que em Alta Definição“, afirmou o tricampeão escocês. “Estamos a fazer as mesmas coisas que fizemos no original, só que 40 anos mais tarde. Voltamos a andar pela pista de novo, e iremos ficar na mesma suite no Hotel de Paris. Vai ser interessante“, concluiu.
Quanto ao filme sobre a relação de Stewart com o francês Francois Cevért, na Tyrrell, que aconteceu entre 1970 e 1973, terminando abriptamente a 6 de outubro daquele ano em Watkins Glen, com a morte aos 29 anos do piloto francês, o filme será produzido por Bill Pohlad, um dos produtores de “Brokeback Mountain”, e apesar de não haver nomes escolhidos, corre o rumor de que Ewan McGregor está a ser convidado para fazer o papel do próprio Stewart. 
A história será sobre dois pilotos companheiros de equipe, que em vez de se tornarem ferrenhos rivais, estabelecem uma relação de amizade bem próxima“, disse Jackie. “Contei todos os detalhes para Bill, o filme causará muitas lágrimas“, contou o escocês, agora com 72 anos. 

GP Memória – Brasil 2002

Depois de passagens por Melbourne e Sepang, a Formula 1 ia para o circuito brasileiro de Interlagos, palco da terceira prova do campeonato do mundo, onde parecia que a competição ia a caminho do equilíbrio, depois de uma vitória de Michael Schumacher na Austrália e do seu irmão na Malásia. A grande novidade no pelotão era o fato da Ferrari estrear por ali o seu novo carro, o F2002, que estaria nas mãos de Michael Schumacher, com Rubens Barrichello a guiar o carro mais antigo, pois havia apenas um chassis disponível. (…)

(…) O “warm up” ficou marcado por um acidente tão bizarro como potencialmente fatal. Quando o Arrows de Enrique Bernoldi bate forte na Curva 2, o carro fica imobilizado no meio da pista e o Medical Car, um Mercedes guiado por Alex Dias Ribeiro e que levava o Professor Sid Watkins, pára ao seu lado para o socorrer. Ele abre a porta no preciso momento em que Heidfeld aparece a toda a velocidade no seu Sauber, indo para a esquerda e dando cabo da porta do condutor, ainda com Dias Ribeiro dentro do veículo. Por sorte, ninguém ficou ferido.

A corrida começa com Montoya e Schumacher a discutirem o primeiro lugar no S de Senna, com o alemão a levar a melhor sobre ele, e metros mais adiante, ele tentou voltar à frente da corrida na Descida do Lago, mas o alemão defende-se e toca no bico do colombiano, desfazendo-o e o obrigando a voltar às boxes para fazer a troca, caindo para o último lugar. (…)

Há precisamente dez anos, Michael Schumacher aproveitou bem um erro de Juan Pablo Montoya na primeira volta para vencer um Grande Prémio pela segunda vez naquele ano, desta vez no Autódromo de Interlagos, no Brasil. Numa corrida sem grande história, para além disso, provavelmente o único momento arreepiante naquele final de semana foi o acidente de Enrique Bernoldi, no seu Arrows, que quase fez com que o Sauber de Nick Heidfeld atropelasse o condutor da máquina que levava o médico da Formula 1, o professor Sid Watkins.

Esta e outras histórias podem ser hoje lidas no PortalF1.com.

"Lap of Life", o mais recente video do Antti Kalhola

Esta semana, o Humberto Corradi escreveu no seu blog sobre Gerhard Berger. Que ele, no inverno de 1990-91, decidiu prescindir das suas férias e que testou que nem um maluco para poder estar no topo de forma para que pudesse bater Ayrton Senna. Estava no topo da sua forma e conhecia o carro como a palma das suas mãos, enquanto que Senna descansava na sua casa de férias, fazendo o essencial para ficar em forma.
Senna saltou para o carro a dez dias do começo da temporada, em Phoenix, para o conhecer minimamente antes da primeira qualificação do ano. Satisfeito com o que tinha, esperou para a primeira corrida a sério, nas ruas americanas, enquanto que Berger esperava batê-lo naquilo em que sabia fazer melhor. Enganou-se: ficou a quase dois segundos de Senna nessa qualificação. Isso praticamente desmoralizou Berger, que afirmou mais tarde que “precisou de seis Grandes Prémios para se recompôr“…
Ayrton Senna tinha um ponto forte: a qualificação. Dava tido o que tinha e o seu carro também. Ele próprio disse que parecia entrar em transe quando dava o seu melhor. Jeremy Clarkson, quando fez a sua matéria no Top Gear sobre o brasileiro, chamou a este momento de “volta-banzai”, onde ninguém queria estar presente para estragar a “volta perfeita” do piloto brasileiro. Chegou a humilhar os adversários, fazendo voltas um segundo mais rápidas do que a concorrência, muitas vezes com o mesmo carro que ele tinha. E fez 65 voltas-banzai em nove dos dez anos da sua carreira: do GP de Portugal de 1985 ao GP de San Marino de 1994.
Não recordo de ninguém tão sedento de “pole-positions” no passado, ou que existam alguém assim depois dele. Jim Clark, talvez. Michael Schumacher, Juan Pablo Montoya ou agora Lewis Hamilton e Sebastian Vettel, podem ser “polemans”, mas não andam perto do obcecado Ayrton Senna, que conseguia dar o seu melhor para ser o primeiro da grelha na corrida de domingo.
É sobre isso que se trata do mais recente video do Antti Kalhola, que hoje está disponivel no Youtube.

GP Memória – Brasil 1997

Vinte e um dias depois de Melbourne, máquinas e pilotos rumavam ao Brasil para a segunda prova do campeonato do mundo de Formula 1, onde se esperava que a Williams pudesse reagir à vitória-surpresa de David Coulthard no seu McLaren, e ao fato de Michael Schumacher ter por fim um carro à sua medida, capaz de colocar a Ferrari perto do campeonato que a Scuderia perseguia desde 1979. 

Contudo, antes disso, a Lola, que tinha feito uma participação… modesta em Melbourne, não iria participar mais no campeonato do mundo. O seu patrocinador, a Mastercard, tinha retirado o seu apoio e a equipa não tinha mais dinheiro para sustentar a aventura, e sendo assim, decidiu abandonar de vez, deixando Vicenzo Sospiri e Ricardo Rosset, os pilotos da marca, apeados. (…)
(…) Na partida, Villeneuve larga bem, mas Schumacher sai melhor e disputa o primeiro lugar na primeira curva e força o canadiano a ir para a parte suja, indo para a relva e perdendo posições. Mas atrás havia confusão: um dos Jordan, o de Giancarlo Fisichella, fazia um pião e ficava parado no meio da pista. Mas o mais grave tinha acontecido atrás, com o Stewart de Rubens Barrichello a ficar parado na pista, obrigando os comissários de pista a interromper a corrida no final da primeira volta. 

Quando a corrida parou, havia mais acidentados: Damon Hill tinha quebrado o seu nariz, Jan Magnussen tinha ficado parado numa colisão, e Eddie Irvine também tinha sofrido estragos. A grelha ficou exatamente igual ao que estava na partida e após alguns minutos, as coisas voltariam ao normal, excepto Magnussen, que ficava de fora porque Barrichello ficava com o carro de reserva. (…)
Foi ontem que fez 15 anos sobre os eventos do GP do Brasil de 1997, no circuito de Interlagos, com Jacques Villeneuve a conseguir a sua primeira vitória do ano, e a curta aventura da Lola teve um inesperado final, com o seu patrocinador a retirar-se, depois dos péssimos resultados em Melbourne. Foi uma corrida complicada no seu inicio, com alguns toques na primeira curva e o Stewart de Rubens Barrichello parado na pista, que resultou na amostragem de uma bandeira vermelha.
No final da corrida, com Villeneuve a vencer, o veterano Gerhard Berger no segundo lugar e Olivier Panis foi o terceiro, dando à Prost o seu primeiro pódio da carreira. Tudo isso e muito mais pode ser lido hoje no Portalf1.com.  

Youtube Rally Portugal: as condições de hoje

O Rali de Portugal está a ser uma verdadeira loucura. Depois de chover a cântaros nesta sexta-feira, três meses depois da última vez que tinha acontecido, os troços estavam perigosamente enlameados, com a visibilidade reduzida, segundo conta o meu amigo Ricardo Batista, que esteve hoje nesses locais, a 10-20 metros. Daí que a organização tenha decidido a meio da tarde, anular as classificativas devido às más condições meteorológicas. As filmagens foram feitas na classificativa de Tavira 1.

Isso, acompanhado das saídas de estrada dos Ford de Mikko Hirvonen, Jari-Matti Latvala e de Ott Tanak, e claro, com a saída de estrada de Sebastien Löeb, na quinta-feira à noite, está a transformar este rali num autêntico “bodo aos pobres”, com Mikko Hirvonen na frente, seguido não muito longe pelo russo Evgueny Novikov.

Amanhã há mais Rali de Portugal, provavelmente em tempo mais seco.

WRC 2012 – Rali de Portugal (Dia 2)

O segundo dia do Rali de Portugal está a ser algo que ninguém esperava contar: o mau tempo que se faz sentir no Algarve, local onde a prova está a ser realizada, provocou uma hecatombe em termos de concorrentes. Se ontem à noite, Sebastien Löeb desistiu e Dani Sordo atrasou-se bastante, bem como o local Armindo Araujo, as condições meteorológicas dos troços fizeram com que existisse mais uma razia entre os concorrentes. Os Ford de Jari-Matti Latvala e Petter Solberg foram as vítimas da chuva, deixando o Citroen de Mikko Hirvonen na liderança, após a primeira passagem da manhã.
Os despistes dos pilotos da Ford deixaram Christian Loriaux, o diretor técnico da Ford, furioso: “Foi nos dada uma grande oportunidade e nós a desperdiçamos. Duas vezes”, lamentou. “O campeonato estava acabado para nós, mas ganhamos vida quando Seb [Löeb] jogou seu rali fora. Tudo o que nossos rapazes precisavam fazer era seguir firme.” 
Eles sabiam que podiam controlar Mikko, eles sabiam. Tudo o que precisavam fazer era continuar na pista. Tudo bem, é fácil dizer isso, mas muitos outros carros conseguiram prosseguir. Era questão de sobrevivência. Depois que Jari [Matti Latvala] saiu, Petter tinha 20 segundos de vantagem para Mikko. Ele poderia ter tomado ainda mais cuidado. Tínhamos a vitória, mas a jogamos no lixo e a queimamos.” , concluiu.
Contudo, pelo inicio da tarde, o mau tempo tinha feito grandes estragos: após a SS7, apenas 12 dos 57 carros presentes puderam chegar ao parque de assistência pelos seus próprios meios, sinal dos estragos que as más condições fizeram aos seus carros, daí que a organização decidiu, primeiro cancelar a SS10, e depois as restantes classificativas que deveriam acontecer nesta tarde, quer eram a segunda passagem por esses troços. Viaturas como a do saudita Yazeed Al Rajhi e a do irlandês Craig Breen ficaram presas num riacho em São Brás de Alportel, que galgou as margens devido à intensa chuva.
Até que o tempo fez das suas, o dia começou com os Ford a tentarem manter a liderança, com o Mini de Dani Sordo – que tinha se retirado da competição na noite de ontem devido a problemas elétricos – ao ataque, vencendo as três classificativas da manhã, com os Ford a sofrerem: primeiro Latvala, que caiu na valeta e perdeu tempo, e depois o estónio Ott Tanak, que desistira na SS8, também vitima de despiste. Solberg, esse, aconteceu na SS9, onde se despistou e perdeu imenso tempo, pois estava numa zona sem espectadores.
Assim sendo, após a SS7, Mikko Hirvonen lidera o rali, com 36,3 segundos de vantagem sobre o segundo classificado, o russo Evgueny Novikov, e 41,8 segundos sobre o norueguês Mads Ostberg, no seu Adapta Ford. O sueco da Mini, Patrik Sandell, é quarto, a uns distantes três minutos e sete segundos da liderança, seguido pelo checo Martin Prokop, a 3,25 minutos. 
Atrás, Armindo Araujo passou a manhã a recuperar posições. Partindo de uma sombria 32ª posição, conseguiu recuperar vinte lugares graças a uma postura de ataque, chegando-se perto do carro de Sebastien Ogier e à beira do “Top Ten”, fazendo tempos no “top 5”, chegando até a fazer o terceiro melhor tempo na SS6, galgando posições. Ao final da manhã, já tinha feito bem o seu trabalho de recuperação.
O Rali de Portugal prossegue amanhã com mais seis passagens pelos troços algarvios.

Os vinte anos da saga da Andrea Moda, parte dois

Mas foi na corrida a seguir que surgiu um milagre: o Mónaco deu aquilo que todos julgavam impossível, uma qualificação. E o milagreiro foi Roberto Moreno, que primeiro meteu o carro nos 30 primeiros, tirando de fora o Larrousse de Ukyo Katayama, e depois conseguiu ter o carro a funcionar o tempo suficiente para fazer um tempo que o colocava na grelha de partida, superando os Brabham de Eric van de Poele e Damon Hill, o Fondmetal de Andrea Chiesa e o March de Paul Belmondo. Todos comemoraram o feito, não só na Andrea Moda, mas como no próprio “paddock” da Formula 1. 


Na corrida, a experiência de Moreno foi importante para que ele subisse até à 19ª posição na 11ª volta, quando o seu motor falhou. Acabava ali o melhor fim de semana da equipa até então, e por incrível que pareça, iria ser a melhor de sempre, porque a partir dali iria ser sempre cada vez mais baixo. E cada vez mais bizarro. (…) 

(…)No final de semana da corrida de Magny-Cours, uma greve de camionistas tinha paralisado o país e o camião da Andrea Moda tinha sido uma das azaradas, mas foi a unica que não esteve presente nesse final de semana. E o pelotão pouco importou. Voltou em “força” em Silverstone, mas nessa altura, as coisas iam de mal a pior. Sassetti teve uma das suas discotecas no Leste de Itália a arder, vítima de um incêndio suspeito, e ainda por cima, alguém tinha tentado atirar sobre ele, mas falhou o alvo. Aos poucos, ele via que a Formula 1 era uma aventura demasiado cara para o seu camião… (…)

Hoje coloco no Portal F1.com a segunda parte da saga da Andrea Moda, provavelmente a equipa mais amadora da história da modalidade, onde Roberto Moreno e Perry McCarthy foram seus pilotos. O britânico passou para a história com incidentes como o de Barcelona, onde andou meros… 18 metros, porque o seu carro quebrou o motor, enquanto que Moreno foi o contrário, ao dar o seu unico ponto alto, que foi a qualificação para o GP do Mónaco, a unica vez que a equipa alinhou num Grande Prémio.

Mas houve muitos outros motivos de farsa ao longo daquela temporada, que terminou em Spa-Francochamps, quando a policia local prendeu Andrea Sassetti devido a fraude, e a FIA aproveitou a ocasião para a excluirem do Mundial de Formula 1. Tanto amadorismo era demais para Bernie Ecclestone e Max Mosley.

WRC 2012 – Rali de Portugal (Dia 1)

O Rali de Portugal cumpriu esta noite as suas primeiras quatro especiais e já houve um resultado sensacional: Sebastien Löeb já abandonou a corrida, vítima de despiste. As primeiras quatro classificativas, três das quais noturnas, resultaram em algum caos nos lugares da frente, com alguma chuva à mistura e a Ford a capitalizar grandemente com a sua escolha em sair nos lugares mais atrás da classificação. Resultado final: Jari-Matti Latvala lidera o rali com 2,2 segundos de diferença sobre Petter Solberg, com Mikko Hirvonen na terceira posição, a cinco segundos do líder.

Löeb começou bem o rali, vencendo a especial dos Jerónimos, e depois tentando abrir uma vantagem, que no final da SS2 já era de 6,1 segundos. Contudo, na SS3, a de Santa Clara, Löeb bateu numa pedra e capotou, ficando com o carro bastante afetado pelo acidente. “Eles saíram de estrada num ponto em que o troço curvava numa lomba para a direita e o Sebastian virou para a esquerda. A nota era boa, mas ele não seguiu a indicação [do navegador], mesmo antes da lomba a estrada virava um pouco para a esquerda e pensamos que ele estava mais a olhar para a estrada e não seguiu a indicação. O Sébastien disse que o impacto não foi forte. Não sabemos quantas cambalhotas o carro deu, mas deu as suficientes para o carro não recomeçar amanhã“, referiu Yves Matton, diretor da Citroen Racing.

Isso tudo ao mesmo tempo em que o espanhol Dani Sordo, com o seu Mini JCW WRC, também abandonava, vítima de problemas elétricos. Com isto, o grande beneficiado eram, obviamente, os Ford, bem como o estónio Ott Tanak, que venceu uma especial e é o quarto classificado, a 15 segundos do líder.

O belga Thierry Neuville, no seu Citroen Junior Team, é agora o quinto da geral, na frente de Mads Ostberg e do russo Evgueny Novikov. A fechar o “top ten” estão Jari Ketomaa, o neozelandês Hayden Paddon, num Skoda Fabia S2000, e o Ford Fiesta do holandês Dennis Kuipers.

Outro piloto que teve uma má noite foi Armindo Araujo. O piloto de Santo Tirso saiu de estrada na segunda especial, quando interpretou mal uma nota no “roadbook” e saiu de estrada, perdendo cinco minutos na geral e caindo para a 22ª posição. “Cometemos um erro numa nota e quando percebi, já não havia muito a fazer. O carro deslizou demasiado e ficamos fora de estrada. Felizmente conseguimos voltar mas perdemos quase cinco minutos nesta especial. Não era este o arranque que queria”, começou por dizer no seu site oficial.

Apesar do objectivo de terminar dentro dos dez primeiros da geral estar aparentemente distante, o piloto de Santo Tirso não pretende baixar os braços: “Vamos andar num ritmo forte e tentar chegar o mais possível ao grupo da frente. Sabemos que não será nada fácil mas muita coisa pode acontecer. O carro não ficou afectado com a saída de estrada e agora é levantar a cabeça e lutar com todas as forças”, concluiu. 
O Rali de Portugal prossegue amanhã, com mais seis especiais de classificação, disputados na zona de Tavira.

5ª Coluna: Grandes corridas e mentalidades tacanhas

Domingo passado valeu a pena levantar da cama para ver o GP da Malásia. Tivemos a chuva a cair incessantemente, tivemos emoção na pista e a demonstração de que mesmo com um mau carro entre mãos, Fernando Alonso conseguiu um milagre: vencer um Grande Prémio com um carro muito mau entre mãos. Uma performance que fez lembrar Gilles Villeneuve em 1981, com o “Cadillac sobre rodas” que tinha à mão, devido mau chassis que tinha entre mãos, mas que foi capaz de vencer duas corridas, no Mónaco e em Jarama.
As performances do piloto espanhol demonstraram que é – se alguém ainda tinha dúvidas em relação a isso – um piloto excepcional, feito da massa que são feitos os campeões do mundo ao longo da história, como Juan Manuel Fangio, Jim Clark, Jackie Stewart ou Ayrton Senna. Mas também foi a corrida em que assistimos à excepcional performance do jovem mexicano Sergio Perez, que aos 22 anos, consegue o seu primeiro pódio da Sauber desde 2009, nos tempos da BMW.
Houve alturas na corrida em que se ficou com a sensação de que Perez iria apanhá-lo e passá-lo, para conseguir algo que o México espera desde os tempos de Pedro Rodriguez: uma vitória na Formula 1. Mas após um aviso do seu engenheiro para que tivesse cuidado, e que o segundo lugar já era muito bom, Perez sofre um despiste, quando já começava a esboçar uma ultrapassagem a Alonso. Imediatamente surgiram as teorias da conspiração: que Perez tinha feito aquilo de propósito para que a Sauber não perdesse os motores que a Ferrari lhes fornece desde há muitos anos.
Acho que todas essas “teorias da conspiração” são perfeitamente idiotas. Por imensas razões: a Sauber não é a equipa B da Ferrari, apesar de Sergio Perez ter testado um carro da Scuderia em 2010. Trouxe imensos patrocinadores do México, mais concretamente da Telmex de Carlos Slim, logo, o piloto não está dependente da Scuderia para nada. Não é a Ferrari que lhe paga o salário, ou o salário da Sauber. Segundo, a Ferrari já ganhou como “carro-cliente”, recorde-se o GP de Itália de 2008, palco da única vitória da Toro Rosso, com Sebastian Vettel, e terceiro, as pessoas tendem a esquecer que Alonso é um homem que sabe resistir à pressão, obrigando outros a cometerem um erro. Já se esqueceram de Pastor Maldonado, na semana anterior, na Austrália? Se sim, só justifica aquilo que digo quando afirmo que muita gente por aí tem “memória de peixe”…
A Ferrari tem um mau carro nesta temporada, e é somente Fernando Alonso que está a disfarçar esse mau carro. Se fosse o contrário, muito provavelmente dominaria o campeonato com muito mais à vontade e o seu companheiro de equipa não estaria muito longe dele. As diferenças gritantes de andamento entre Fernando Alonso e Felipe Massa demonstram isso: que os resultados são mais devido ao piloto do que ao carro. Todos os 35 pontos que a Ferrari têm devem-se a ele.
Mas claro, nunca nos livraremos do “cuspir no ar”, das adivinhações, dos “achismos”. Nada do que dizem está certo, mas numa era da Internet e de redes sociais, toda a gente tem uma opinião e esta se espalha como fogo em mata seca. É preciso ter uma mente treinada para poder separar “o trigo do joio”, e nem toda a gente tem esse treino. 
Na mentalidade futeboleira que existe, a corrida malaia definiu em muitas cabeças de que Felipe Massa deveria ser já despedido e que Sergio Perez deveria imediatamente tomar conta do lugar. Mais um disparate pegado, que esconde o óbvio: a culpa é do carro, e não tanto do piloto. Mesmo que isso acontecesse, quer Perez, quer Alonso não são santos milagreiros. São muito bons pilotos de Formula 1. 
E há outra coisa mais: Alonso não quer pilotos que ameacem o seu domínio. Em todas as equipas que passa, é o “deos ex machina” da equipa, do qual tudo se centra sobre ele. E Sergio Perez demonstrou que é um piloto excepcional, que é capaz de igualar Alonso, quando for mais maduro. Alonso preferirá um Massa mais secundário, mas prestativo, do que Perez. Pode ser que vá para a Ferrari, mas não esta temporada. Aliás, acho que não haverá troca de pilotos este ano, porque não se ditam sentenças, nem se definem campeonatos após a segunda corrida. 
Aliás, este vai ser um ano em que se pode esperar… o inesperado. Creio até que teremos um ano parecido com 1982 em que tivemos onze pilotos vencedores em dezasseis corridas. Não direi que chegaremos a isso, mas se eu achava que no inicio da temporada existiam cinco equipas com reais hipóteses de pódio, pelo menos, não tinha colocado a Sauber nessa equação. Agora… se calhar acho que das doze equipas presentes no campeonato, oito irão ao pódio, e dez conseguirão pontos. Não fiquem admirados se no final do ano isso acontecer.