WSR: Bianchi vence em Nurburgring, Felix da Costa foi nono

A estreia de Antonio Felix da Costa na World Series by Renault, na estrutura da Red Bull Junior, correu bem, ao conseguir dois pontos logo na sua primeira corrida do fim de semana, na pista alemã de Nurburgring, numa prova vencida pelo belga Jules Bianchi.
Numa prova onde a ameaça de chuva pairou ao longo dos cerca de 45 minutos de prova, a mesma decorreu com o piso seco. Aí, Jules Bianchi partiu em primeiro na grelha e o manteve até á meta, ganhando uma vantagem confortável sobre os demais concorrentes. O alemão Nico Muller foi o segundo a quase nove segundos, seguido do holandês Robin Frijins, que conseguiu o lugar mais baixo do pódio depois de uma luta com o francês Arthur Pic. O dinamarquês Kevin Magnussen foi o quinto.
Quanto a Antonio Felix da Costa, ele que partia da 11ª posição da grelha, saltou logo para o nono posto, posição que manteve até à meta, sem nunca ter de preocupar com ataques dos pilotos que rodavam atrás de si. Com este resultado, o piloto português conseguiu desde já os seus dois primeiros pontos do campeonato, conseguindo algo que o seu antecessor, o britânico Lewis Williamson, não tinha conseguido nas provas anteriores.

GP Memória – França 1997

Duas semanas depois do GP do Canadá, em Montreal, e do seu caótico final, máquinas e pilotos estavam de volta à Europa para correr o GP de França, disputado no circuito de Magny Cours. A Prost, sem contar com os serviços de Olivier Panis, que iria passar todo o verão a curar-se das suas lesões, decidiu procurar um substituto, escolhendo o italiano Jarno Trulli, que estava a correr na Minardi, no seu primeiro ano de Formula 1. Para o lugar de Trulli, a equipa de Faenza foi buscar o brasileiro Tarso MarquesOutra alteração no pelotão tinha acontecido na Sauber, que trocara o italiano Gianni Morbidelli – que tinha quebrado o seu braço esquerdo devido a um acidente – pelo jovem argentino Norberto Fontana, que fazia aqui a sua estreia na Formula 1.


As coisas na Ferrari estavam a correr muito bem, dado que com a vitoria de Michael Schumacher em Montreal, tinha alcançado o comando do campeonato, contra um Jacques Villeneuve que tivera um maus fim de semana “em casa”. E parecia que as coisas continuavam a correr bem para os lados de Maranello, pois o piloto alemão coneguiu fazer a pole-position, tendo a seu lado o Williams de… Heinz-Harald Frentzen. O Jordan de Ralf Schumacher era o terceiro na grelha, conseguindo bater o segundo Williams-Renault de Jacques Villeneuve. Aliás, pela primeira vez, os três primeiros da grelha eram alemães… Eddie Irvine, no segundo Ferrari, era o quinto enquanto que Jarno Trulli adaptava-se sem problemas ao seu Prost e era o sexto na grelha de partida. Alexander Wurz era o sétimo, no seu Benetton-Renault, à frente de Jean Alesi, e a fechar o “top ten” ficavam os McLaren de David Coulthard e Mika Hakkinen.

O tempo estava nublado no dia da corrida e as previsões de que a chuva podia fazer a sua aparição durante a competição eram bem reais. Aliás, tinmha chovido no “warm up” e as afinações para a corrida também tinham sido feitas para o molhado… Na partida, Schumacher saiu melhor do que Frentzen enquanto que mais atrás, Damon Hill sai de pista com o seu Arrows e parte a sua asa frontal, fazendo com que fosse às boxes.


Com o passar das voltas, Schumacher começou a afastar-se de Frentzen, ao impressionante ritmo de odis segundos por volta, mas a corrida não tem muita história até aos primeiros reabastecimentos, altura em que o piloto alemão aumenta ainda mais a sua diferença sobre Frentzen e Villeneuve, que tinha uma afinação para chuva e lutava para os acompanhar. Após o segundo reabastecimento, Irvine conseguiu passar Villeneuve e ficou com o terceiro posto.


Contudo, a partir da volta 55, o tempo fechou-se e começou a cair alguns pingos. A partir da volta 60, já chovia na meta, o suficiente para que começassem a trocar para pneus de chuva. alguns trocaram, mas aparentemente, Schumacher e Frentzen decidiram ficar na pista o tempo suficiente, apesar da pista estar crescentemente escorregadia. Na volta 62, Schumacher despista-se, mas consegue continuar em pista, e gere tudo com pinças até à linha de chegada, para vencer pela segunda vez consecutiva e a terceira naquela temporada. 

Contudo, na última volta, houve emoção: Coulthard tinha-se aproximado de Ralf Schumacher, e o escocês tinha tentado passá-lo, mas ambos tocam-se e o escocês desiste. Villeneuve aproxima-se de Irvine e tenta passá-lo, mas na última curva, roda e quase perde o quarto lugar para Jean Alesi. E Michael Schumacher, nos metros antes da meta, deixa passar Ralf Schumacher, que assim desdobra-se do irmão e consegue… um ponto. 


No final, Schumacher ganha, Frentzen é segundo e Irvine é terceiro, enquanto que nos restantes lugares pontuáveis ficam Jacques Villeneuve, Jean Alesi e Ralf Schumacher.

GP de Londres, ou o Primeiro de Abril a 28 de junho

Causou alvoroço nesta quinta-feira o anuncio da apresentação, na imprensa britânica, de um “GP de Londres”, com o apoio da Santander, e acompanhado de um video com a participação de Lewis Hamilton e Jenson Button, os pilotos da McLaren. O circuito, desenhado em pleno centro da capital britânica, com passagens por alguns dos grandes marcos da cidade, como o Big Ben e o edificio do Parlamento, entre outros, passou a ilusão de que num futuro próximo, á noite, haverá carros de Formula 1 rolando a 300 km/hora por aquelas bandas.
Mas quando a poeira assentou, os mais atentos notaram a razão pelo qual este anuncio, tão inesperado e tão bem feito – afinal de contas, falamos de patrocinador e com declarações dos dois pilotos da McLaren – escondia algo mais: desviar as atenções em relação à sentença dita no dia anterior, no Tribunal de Munique, que condenou o banqueiro alemão Gerhard Gribowsky, a oito anos de prisão por frause e evasão fiscal. E o dinheiro descoberto na conta dele é proveniente de Bernie Ecclestone, que o pagou em 2002 para que ficasse nas suas mãos, e que depois as colocou nas mãos da CVC Capital Partners. Uma sentença destas, numa altura em que a Formula 1 vai entrar em bolsa, talvez mais para o final do ano, não seria boa publicidade de todo. E portanto, este “tirar o coelho da cartola”, no caso do “GP de Londres”, quase me faz pensar que a partir de agora, o Dia das Mentiras na cidade de Londres se comemora a 28 de junho.
O jornalista britânico Joe Saward, quando escreveu ontem sobre este assunto, colocou no título uma afirmação irónica: “GP de Londres… e que tal uma corrida em Marte?“, e nas linhas a seguir ele escalpeliza a razão pelo qual ele afirma que tudo isto não passa de um embuste para inglês ver. Porque, para começar, desde quando que Bernie Ecclestone oferece algo a um lugar? Tirando a história de Nova Iorque – e isso é algo nebuloso para mim – não me recordo de nada assim semelhante, mas a minha memória já não é o que era.
Saward, para desmontar o esquema, vai aos detalhes mais básicos. Primeiro que tudo, fala que todo este esquema não passa de uma arte mágica com o objetivo de desviar as atenções para algo mais importante, que foi o “caso Gribowsky”. mas depois aponta factos: que mais valias traz uma corrida de Formula 1 num dos destinos turisticos mais visitados do mundo, por exemplo? E se a ideia é o de trazer para ali o GP da Grã-Bretanha, como é que irá rasgar um contrato que foi assinado no ano passado e cuja validade vai até… 2027? Para não falar do eventual lucro que tal corrida possa ter. Eis um extrato:
De qualquer maneira, só posso imaginar o que a CVC Capital Partners e os seus “amigos de Kansas” (o equivalente britânico aos ‘amigos de Peniche’) irão dizer sobre alguém que concorde em reduzir os seus proveitos por uma larga margem. Financiar uma corrida do seu próprio bolso ira requerer a que a Formula One Group pague a diversas partes: as equipas quererão a sua habitual percentagem, caso não haja comissões vindas de algum promotor local, significará que serão gastos à volta de 30 milhões de dólares. Acrescentem a isso outros 30 milhões para crias as infraestruturas, que apenas será pago pelas receitas de bilheteira. Se tiverem à volta de 120 mil pessoas e cada um pagar em média 200 dólares, isso significará receitas de 24 milhões. Estão a ver toda a coisa? Isto tudo poderá assustar os investidores, porque isso traria prejuízos a eles. A Formula 1 não ganha nada em impulsionar as receitas locais – é por isso que os governos locais pagam para ter as corridas nos seus lugares – mas no caso de Londres, tal impacto pode ser minorado.
A única ideia no qual Londres poderia fazer sentido, seria num eventual GP da Europa, que a partir de 2013 não terá circuito onde correr, depois que Valencia e Barcelona terem chegado a acordo em partilhar o lugar onde se realizará o GP de Espanha…
Em suma, esta ideia faz-me lembrar um album do Michel Vaillant, escrito em 1982, que especulava sobre uma corrida nas artérias de Paris. O titulo era “300 km/hora em Paris“, e provavelmente Jean Graton deve ter desenhado a história a partir de um dos delírios do Tio Bernie. Afinal de contas, o anãozinho anda por aqui há muitos, muitos anos… e com uma pontaria afinada. Como conclui Joe Saward:
Apesar de adorar a ideia de ver um Grande Prémio em Londres, e achar que tal coisa até seria ótimo para o desporto, tenho aquela sensação de que esta ideia desaparecerá após algum tempo, depois de ter feito o seu trabalho de desviar as atenções da questão mais importante destes dias: quais são as implicações no veredicto do caso Gribowsky? O cínico dento de mim diz-me que uma pessoa que não tem nada a esconder não necessita deste tipo de truques, mas perfiro esperar para ver se os procuradores [de Munique] decidem fazer alguma coisa antes de fazer qualquer julgamento sobre o ‘caso Gribowsky‘.”
E pelos vistos, o truque resultou: alguém fala hoje sobre a sentença de Munique?

Red Bull: presente envenenado ou pacto com o Diabo?

A noticia da contratação de Antonio Felix da Costa como piloto da Arden na World Series by Renault desta temporada significou que o piloto português de 20 anos entrou no ambicionado e invejado programa da Red Bull para jovens pilotos. A ambição de muitos justifica-se pelo facto de isto poder significar que num futuro mais ou menos próximo poderá chegar à Formula 1 através da equipa Toro Rosso.

Mas como muitos sabem, entrar nesta academia de pilotos significa um presente envenenado, dada a irascibilidade de Helmut Marko e de Franz Tost, que exigem aos pilotos resultados imediatos, sob pena de serem despedidos sem apelo nem agravo. Muitos pagaram caro essa irascibilidade, os ultimos dos quais foram o espanhol Jaime Alguersuari e o suiço Sebastien Buemi, despedidos da Toro Rosso sem apelo nem agravo no final de 2011. 

Tost e Marko tem ambos uma obsessão em particular nestes últimos três anos: encontrar um outro Sebastian Vettel o mais depressa possivel. O piloto alemão, agora bicampeão do mundo, conseguiu a proeza unica de vencer com aquela equipa no GP de Itália de 2008, e desde então, a fasquia foi colocada de forma muito alta, quase impossivel de alcançar por parte dos que seguiram. Mesmo pilotos consagrados como Sebastian Bourdais, sentiram um pouco a pressão de vencer a qualquer custo de Tost e Marko. E Scott Speed, piloto americano da marca em 2007, saiu a mal da equipa, depois de um incidente na pista de Nurburgring onde após ter saído de pista, não aguentou os insultos de Franz Tost e partiu para a agressão.

E nem o palmarés salva: Jaime Alguersuari, foi campeão da Formula 3 britânica em 2009, por exemplo. Quando ele e Sebastien Buemi foram sumariamente despedidos da Toro Rosso por não não conseguiram igualar a fasquia, ambos ficaram “com uma mão à frente e outra atrás”. Buemi ainda aguentou como terceiro piloto da Red Bull, e um lugar na equipa da Toyota nas 24 horas de Le Mans, mas tal coisa é mais para que o pessoal da Formula 1 não o esquecer. Jamie Alguersuari faz agora de piloto de testes na Pirelli, mas o objetivo é o mesmo: que não o esqueçam, mesmo que ele tenha 22 anos de idade. É que para esates dois pilotos, a saída forçada da “cantera” da Red Bull significou que ficaram também sem opções e sem patrocinio.

Para piorar as coisas, nesta temporada de 2012 surgiu outro problema: a performance da Toro Rosso. Ela já não é mais a equipa que deveria ser, pois começa a ser contestada na grelha pela Caterham, uma das três equipas que entrou na Formula 1 em 2009. Nas últimas duas corridas, a performance da equipa de Tony Fernandes em qualificação começou a igualar, senão superar, a da equipa de Faenza, e na corrida, raras são as vezes nos últimos tempos que anda nos pontos, ainda por cima numa temporada totalmente equilibrada. Se no ano passado, eles andavam ao nivel da Sauber, Williams e de vez em quando da Force India, este ano vê não só essa gente toda a distanciar-se, como vê a Caterham a chegar-se perigosamente, ameaçando pontuar pela primeira vez na sua carreira. E se acham que o nono lugar é o “minimo olimpico”, qualquer lugar nos pontos por parte de Vitaly Petrov ou de Heikki Kovalainen significará derrota para Tost e Marko. Talvez seja por isso que de vez em quando se lembrem em vender a equipa…

Felix da Costa, dado ter muito talento e ter mostrado isso noutras categorias como na Formula Renault – onde foi rival do finlandês Valtteri Bottas – de bons resultados na Formula Renault Euroseries e agora nesta temporada da GP3, onde corre com o mítico numero 27, atraiu a atenção da Red Bull devido ao seu talento. Mas ele pode ser visto como o piloto que está a “pressionar” os que estão agora na Toro Rosso, ou seja, o australiano Daniel Ricciardo e o francês Jean-Eric Vergne. E caso o português apresente bons resultados nesta categoria, da mesma forma que está a apresentar na GP3 – apesar de estar a correr na sua terceira temporada – isso poderá significar, no mínimo, uns testes no final do ano num carro de Formula 1. E a partir de 2013, os eventuais resultados que possa ter poderão causar calafrios quer em Ricciardo, quer em Vergne…
Mas, como se costuma dizer, toda a glória é efémera. A partir deste fim de semana, Felix da Costa será pressionado para apresentar resultados de imediato. E a não ser que não queira acabar como Felipe Albuquerque, que no final de 2008 foi convidado a correr no Japão, como forma de dizer por outras palavras que os seus serviços não eram mais adequados, ele vai ter de mostrar que mais do que talento, tem de ter cabeça fria, rápida adaptabilidade e capacidade de mostrar resultados no imediato. É uma prova de fogo, se quiser provar que tem estofo para a Formula 1.  

5ª Coluna: Bernie Ecclestone sob pressão

Confesso que desde há algum tempo a esta parte, tento entender as declarações públicas de Bernie Ecclestone como um “smokescreen” – cortina de fumo, em português. Contudo, ontem, a fabulosa coincidência entre o possivel anuncio de um GP londrino, aproveitando um percurso desenhado no parque olimpico de Londres, com o facto de Gerhard Gribowsky ter sido condenado pela justiça alemã a oito anos de prisão por evasão fiscal, graças a um pagamento por luvas feito por Ecclestone – que admitiu a coisa, justificando-se que estava a ser chantageado – mostrou de uma forma mais cruel aquilo que ele é em termos de negócios: um homem muito astuto, mas que não se coibe de fazer coisas inapropriadas para conseguir aquilo que quer, e o suborno é um deles.
Muitos consideraram esta “coincidência” como uma manobra patética – e é – do qual só os pacóvios agarraram. E claro, muitos o fizeram, mas nem todos. Se Bernie Ecclestone julga que o “caso Gribowsky” acabou ontem à tarde com a condenação do banqueiro alemão, enganou-se, porque muito provavelmente foi apenas o final de uma etapa. A justiça alemã – e eventualmente, a britânica – irá a partir de agora investigar com outros olhos a fortuna de Bernie Ecclestone e os seus fundos de investimento como o Bambino Trust, do qual tem acumulado centenas de milhões de libras e o fazem dele um dos homens mais ricos da Grã-Bretanha. 
De uma certa maneira, o “caso Gribowsky” era uma bomba ao retardador, à espera do tempo certo para explodir. Caso nos próximos meses as autoridades de ambos os países acharem que existem provas de que Ecclestone andou a declarar menos do que devia, isso pode significar que – no lado britânico – poderá ter de levar uma pesada multa por evasão fiscal, e – do lado alemão – poderá ser julgado por corrupção e cumplicidade. E no caso alemão, isso pode significar uma pena de prisão.
Aliás, ontem, na deliberação final do julgamento, o procurador de Munique, Christoph Roedler, não foi meigo em descrever Ecclestone como “não uma vítima de chamtagem, mas sim cúmplice numa operação de suborno“. E isso significa que a partir de agora, eles investigarão essa ponta solta, para ver se existe algo mais relevante que falte ser revelado. 
Estou curioso para ver como serão as visitas futuras de Ecclestone na Alemanha. Será que em alguma delas terá algum simpático policia à porta do avião que o transportará, munido de um mandato de detenção para interrogatório? Veremos os próximos episódios.  

Noticias: Felix da Costa na WSR pela Junior Team da Red Bull

Confesso ter sido apanhado de surpresa: a Red Bull anunciou esta manhã que Antonio Felix da Costa será o seu piloto na World Series by Renault 3.5 em substituição do britânico Lewis Williamson. O piloto português fará ambas as categorias até ao final do ano, dado que não existem coincidências em termos de fins de semana competitivos.

Estou muito orgulhoso por me tornar no segundo português a militar no Red Bull Junior Team depois de Filipe Albuquerque. Estou ciente que neste programa esperam muito de nós, e pela minha parte tudo farei para justificar a confiança agora depositada em mim.”, começou por referir no seu site oficial, antes de projetar a estreia na competição, onde só testou no passado: “Felizmente já conheço a pista de Nürburgring, pois já lá corrida várias vezes no passado, e é o local perfeito para me estrear como piloto Red Bull.

O piloto português de 20 anos andará na Caterham Arden, a partir da ronda de Nurburgring, depois de de Williamson se ter desentendido com a equipa após um incidente na ronda anterior, em Spa-Francochamps, onde a equipa o ordenou que terminasse a corrida sem parar nas boxes – a paragem para troca de pneus é obrigatória. Williamson venceu, mas depois foi penalizado.
Assim sendo, com participações em dias competições, e ao serviço de uma entidade como a Red Bull Junior Team, a hipótese de ascender num futuro próximo à Formula 1 torna-se numa possibilidade real. Embora, diga-se de passagem, que as prendas da Red Bull são normalmente envenenadas…

Extra-Campeonato: A vida continua

Todos os dois anos, sejam europeus ou mundiais, as coisas acontecem da seguinte forma: a imprensa – rádio, jornais e TV – empanturra-nos à força com um muro autêntico de noticias e anuncios sobre a seleção, até ao limite do bom senso. Na TV são diretos atrás de diretos, com os “chouriços” do costume, a perguntas às pessoas banalidades sobre “quanto é que vamos ganhar e quer e vai marcar os golos”. Nas rádios, os comentaristas, que deixaram o cérebro em casa ou no hotel, gritam barbaridades antes, durante e depois dos jogos, sendo o “grau zero” alcançado quando alguém marca um golo. Agradecem aos santos e os elevam a heróis, não se coibindo de passarem por ridicularias que faziam corar qualquer estudante de jornalismo. Aliás, se este era o objetivo, pergunto-me qual é a utilidade de perder quatro anos da tua vida numa universidade, não é?
Esta é a razão pelo qual critico estas alturas: o comportamento bacoco daqueles que deveriam ser os “profissionais de imprensa” mas que na realidade quase me fazem lembrar macaquinhos de crachá.
No meio disto tudo, os jogadores são mais vítimas do que réus, porque fazem os seu trabalho e deram o seu melhor. Nestes vinte dias – aliás, um mês, se contarmos com o periodo de estágio – deram o seu melhor. Muitos passaram da depressão à euforia, especialmente depois do jogo com a Alemanha. Não alinhei nem num, nem no outro lado. Calei-me porque achei que era cedo demais e ele iria reagir, como vi que eles reagiram contra a Dinamarca e a Holanda, naquele “grupo da morte”. Fizeram o seu melhor e passaram, contra todos os que achavam que iriamos ser eliminados sem apelo nem agravo.
Que podeiamos ter ido à final e levado o caneco? Claro, toda a gente esperava isso. Mas eu não tinha feito promessas de andar pelado pela rua se o conseguissem, nem iria cantar o hino bocacamente. Não iria comemorar “vitórias morais” ou segundos lugares. Apenas digo que fizeram uma campanha normal e foram o mais longe possivel. Parabéns, podiamos ter ganho, mas hoje não foi. Alguém tinha de perder e azar dos azares, foram nós.
E é como escrevo no título: a vida continua. Boa sorte aos espanhois no domingo e agora, eles que vão de férias, pois em setembro tem a qualificação para o Mundial, no Brasil. E quero que eles vão lá.
Digo outra coisa ao Cristiano Ronaldo. Gostava que não fosse obcecado com a conquista de troféus ou “canecos”, quer no Real, quer na Selecção. Vai ser uma pessoa muito frustrada ao longo da vida se for obcecada com isso. Ele que goze o momento, que só faz bem para ele.
Quanto ao resto… bom, vou comprar algodões para os ouvidos. Ou tiro o som da minha TV.  

Noticias: Gribowsky condenado a oito anos de prisão

A justiça alemã condenou esta tarde o antigo banqueiro alemão Gerhard Gribowsky a oito anos e meio de prisão por provado que era culpado dos crimes de abuso de confiança e evasão fiscal do caso do banco Bayern LB e de ter recebido um parte dos quase 50 milhões de dólares de um suborno feito por Bernie Ecclestone há cerca de dez anos em relação ao processo dos direitos de transmissão da Formula 1.

A sentença, dita num tribunal de Munique, é o culminar de um processo que durou mais de ano e meio, que tinha sido iniciado quando a Bayern LB entrou em processo de falência, em fins de 2008. Quando as autoridades fiscais alemãs descobriram no inicio de 2011 cerca de 35 milhões de euros numa conta austríaca pertencente a Gribowsky e este não conseguiu justificar, o processo foi aberto e este foi detido.

Gribowsky admitiu depois ter recebido esses 35 milhões de euros, mais uma oferta de trabalho no âmbito de um acordo secreto com Bernie Ecclestone em 2005. O detentor dos direitos comerciais da Fórmula 1, admitiu esse pagamento, classificando primeiro o pagamento a Gribkowsky como “um bocado estúpido”, mas depois disse em tribunal que lhe pagou para “o manter calado”.
Com Gribowsky julgado e condenado, resta saber como ficará Ecclestone no meio disto tudo. Apesar de ter comparecido em tribunal como testemunha, numa espécie de acordo do qual ele não seria processado depois, o Joe Saward falava na semana passada, quando o julgamento estava a chegar aos seus argumentos finais, que quando Gribowsky admitiu que recebeu um pagamento, este vinha de Ecclestone. E segundo a lei alemã, se uma pessoa admitiu receber determinado suborno, os que o subornaram também são objeto de investigação. 
Ou seja, Ecclestone poderá estar de futuro sob investigação, e um sinal disso são as declarações dos procuradores de Munique, que não hesitaram em afirmar esta tarde que o “anãozinho tenebroso” era cúmplice neste caso, apesar de não ter sido acusado de nada. Agora, será que ele será incomodado pelo longo braço da lei alemã? Acho que isso é outra história, e nesse campo, fico por agora no lado dos céticos. 

Mas quem sabe, não é?


Fibra de Carbono, episódio 15

No episódio desta semana deste Fibra de Carbono, falamos sobretudo do resultado do GP da Europa, em Valência, da situação atual do campeonato e dos incidentes que aconteceram na corrida e respectivas penalizações, especialmente entre Pastor Maldonado e Lewis Hamilton
Também falamos sobre o Rali da Nova Zelândia e do facto do Sebastien Löeb ter praticamente o campeonato na mão, já que esta temprada está a ser “o rolo compressor” da Citroen. 
 Em relação à História do Automobilismo, dedicamos a falar sobre a Era Turbo, pois no próximo dia 15 de julho fará 35 anos sobre a estreia da Renault na Formula 1, com o seu motor de 1.5 litros turbocomprimido e que abriu uma nova era na história, definindo toda uma década.
Tudo isto e muito mais, podem ver a partir deste link: http://fibracarbono.net/podcast/episodio-15-europa-e-os-antipodas.html

O piloto do dia – Chris Irwin

Uma carreira que poderia ter sido maior do que foi na realidade. Esta poderia ser a melhor frase para definir o que foi a carreira de Chris Irwin no automobilismo. Um dos produtos britânicos do seu tempo, chegou á Formula 1 onde mostrou as suas potencialidades a bordo da BRM, chegando até à equipa principal. Contudo, numa prova da Endurance, sofreu um grave acidente nos 1000 km de Nurburgring sofrendo graves danos físicos, e sobretudo psicológicos, ao pontos de durante anos, nada se saber dele. No dia em que faz 70 anos, falo sobre a breve carreira de Chris Irwin.
Nascido a 27 de junho de 1942 em plena “blitz” londrina, Irwin vinha de uma familia que detinha uma firma de impressão e encadernação de livros. A sua chegada ao automobilismo, em 1960, aos 18 anos, veio ao acaso, quando decide tentar a sua sorte num fim de semana em Snetterton, como “hobby” para os seus estudos no London College of Printing. Vendo que tinha jeito para a coisa, decide inscrever-se na Jim Russell Racing School, conseguindo bons resultados e cedo inscreve um Lotus 18 para correr na Formula 2 e Formula 3.
Nos anos seguintes, as suas performances melhoram ao ponto de, na temporada de 1965, ao serviço da equipa “Chequered Flag”, que corria com chassis Brabham. Os seus bons resultados no campeonato, contra pilotos como Piers Courage e Peter Gethin, fazem com que comece a ser notado por Jack Brabham, que o convida para correr na sua equipa de Formula 2 na temporada de 1966. Os bons resultados fazem com que a Brabham o convide para correr num dos seus carros no GP da Grã-Bretanha, ao lado de Dennis Hulme e Jack Brabham. Em Brands Hatch, Irvin faz uma boa corrida, acabando na sétima posição, à porta dos pontos.
No final desse ano, com a experiência nas Formulas, mas sem sinal de ser contatado pela Brabham, Irwin foi abordado pela BRM com um contrato para correr com eles. A ideia era simples: iria correr a temporada de 1967 na Reg Parnell Racing, como um “estágio”, para aprender, e caso os resultados fossem positivos, iria para a equipa principal na temporada de 1968. Um contrato a longo prazo e sem pressões que Irwin aceitou de pronto. Tinha o apoio da Shell, o suficiente para que John Surtees o convidasse para correr na sua equipa de Formula 2
Estreando-se na terceira corrida do ano, em Zandvoort – com um Lotus 25 – Irwin adaptou-se rapidamente à competição, conseguindo os seus primeiros pontos em Le Mans, palco do GP de França, ao ser quinto classificado num BRM P83. A corrida francesa foi o seu grande momento de glória, quando nos treinos de sexta-feira, com um motor V8 mais velho, conseguiu ser melhor do que Stewart. No dia a seguir o escocês, algo zangado, trocou de lugar, fazendo com que Irwin ficasse com o H16, mais susceptível de falhas. E mesmo assim, foi melhor do que Stewart, ao ficar no nono lugar da grelha, à frente do escocês. Na corrida, andou muito tempo no quarto posto, até que uma falha de motor na última volta o faz baixar para o quinto posto. No final da temporada, os dois pontos alcançados na prova francesa lhe deram a 16ª posição final.
Na temporada de 1968, a BRM decidiu cumprir a sua parte no trato, dando-lhe um lugar na equipa, já que Jackie Stewart tinha ido para a Matra, apesar da entrada de Pedro Rodriguez na equipa. Contudo, Irwin também participava noutras corridas, nomeadamente na Endurance. E Irwin tinha decidido participar nos 1000 km de Nurburgring a bordo do novo Ford P68, que seria o sucessor do GT40, inscrito pela equipa de Alan Mann.
O carro era bonito, mas pouco competitivo. E para piorar as coisas, era instável. Nos treinos, Irwin estava a guiar na Flugplatz quando perdeu o controle do seu carro, virando-se no ar e aterrando de cauda, destruindo-se. Irwin sofreu um grave traumatismo craniano, que o colocou no hospital por vários meses. E isso viria numa má altura para a Formula 1 e para a marca, pois poucas semanas antes, Mike Spence tinha morrido e um lugar na equipa oficial da BRM era mais do que inevitável…
Irwin não mais voltou a competir e desapareceu dos radares por muitos anos, muitos julgando que nem teria sobrevivido ao acidente. Contudo, em 2006, reencontrou um velho parceiro de corridas e voltou de uma certa maneira aos seus contactos longamente perdidos. Dois anos depois, em 2008, a revista britânica Motorsport fez uma matéria sobre Irwin, onde afirmou que vive os seus dias em Rutland e que por vezes tem pesadelos sobre o seu acidente em Nurburgring. Mas de uma certa maneira, está bem de saúde.