O piloto do dia – Nelson Piquet (4ª e última parte)

(continuação do capitulo anterior)


No inicio de 1990, aos 38 anos, Nelson Piquet vai para a Benetton com um contrato que prevê pagamento por objetivos, para além de uma base. Foi uma temporada regular na primeira fase, com um segundo lugar no Canadá, mas vai ser na parte final que Piquet terá os melhores resultados. No Japão, depois de ver lesionado o seu companheiro de equipa Alessandro Nannini e ter recomendado  o seu amigo e companheiro de equipa Roberto Moreno, Piquet aproveita o acidente na primeira volta entre Ayrton Senna e Alain Prost, bem como o despiste de Gerhard Berger e a avaria de Nigel Mansell, para chegar ao fim no primeiro lugar e dar uma inédita dobradinha à Benetton. 

Repete o mesmo resultado na Austrália, depois de uma batalha com Nigel Mansell, terminando o ano no terceiro lugar do campeonato, com 43 pontos.
No ano seguinte, consegue três pódios, um deles no Canadá, quando vê Nigel Mansell a abandonar a corrida a meia volta do fim. Segundo o próprio Piquet, quando viu Mansell parado após o gancho do Casino, teve um ataque de riso incontrolável até ao pódio, afirmando depois que sentiu um orgasmo. Era a sua 23ª e última vitória na sua carreira. Na Alemanha comemorou o seu 200º Grande Prémio, mas as coisas na Benetton começaram a mudar quando a equipa despediu Roberto Moreno e contratou para o seu lugar o jovem alemão Michael Schumacher
Vendo que já não tinha espaço na equipa, depois de ter terminado a temporada com 26,5 pontos e o sexto lugar do campeonato, tentou a sua sorte noutras equipas no inverno de 1992. Falou com a Ferrari e com a Ligier durante alguns meses, mas as exigências financeiras e a motivação já não eram as mesmas e Piquet, na borda dos 40 anos, achou por bem deixar para trás a Formula 1, depois de treze temporadas bem sucedidas.
Assim sendo, virou-se para os Estados Unidos, mais concretamente as 500 Milhas de Indianápolis. Correndo com um carro da equipa Menard, a ideia seria experimentar as corridas em ovais, talvez para num futuro mais próximo correr a tempo inteiro nessa categoria, como fazia Emerson Fittipaldi. Os treinos estavam a correr-lhe bem, apesar de não ter experiência em ovais, mas a 7 de maio de 1992, quando ia para mais uma volta rápida, Piquet sofre um furo lento entre as curvas 3 e 4, que o faz guinar direto ao muro de proteção, ferindo-o gravemente nas pernas e nos pés, para além de um traumatismo craniano.
Levado para o Hospital Medotista de Indianápolis, passou por várias operações para salvar os seus pés, graças aos esforços do Dr. Terry Tramell. Contudo, as perspectivas de uma segunda carreira competitiva nos Estados Unidos tinham desaparecido, pois tinha perdido a capacidade de resistência de antes do acidente. Mas mesmo assim, foi correr no ano seguinte nas 500 Milhas de Indianápolis, ao volante do carro da Menard. Conseguiu uma qualificação decente, no 13º lugar, mas a sua corrida acabou na volta 38 devido a um problema de motor.
A partir daqui, as suas aparições começaram a ser esparsas, dedicando-se aos negócios. Em 1994 funda a Autotrac, na sua Brasilia natal, uma companhia que providencia dados via satélite para localização de camiões através do sistema GPS. A companhia é um sucesso, tornando-o num milionário, mas isso não o impediu de fazer algumas provas, especialmente as 24 Horas de le Mans de 1995 ao volante de um McLaren F1, ao lado de Danny Sullivan e Johnny Ceccoto, onde terminou na oitava posição.
A partir de 2000, decidiu cuidar da carreira do seu filho Nelson Piquet Jr, com o objetivo de chegar à Formula 1. Fundou a Piquet Sports, chegou a flertar a hipótese de um retorno á competição, mas ajudou-o nas várias etapas da sua caminhada até chegar à categoria máxima do automobilismo, em 2008, ao serviço da Renault. Contudo, a carreira do seu filho ficou marcada pelas pressões de ser igual ao seu pai, e no final foi pela polémica, devido ao “Crashgate” no GP de Singapura de 2008, em que foi provado que bateu de propósito no muro para permitir uma estratégia que permitiu uma entrada de Safety Car e a vitória de Fernando Alonso.
Antes disso, em 2006, Nelson Piquet teve uma última participação competitiva nas Mil Milhas Brasileiras, onde ao lado do seu filho, de Helio Castro Neves e do francês Christophe Bochut, venceram a corrida a bordo de um Aston Martin DB9. No final da corrida, exausto, Piquet Sr. jurou que “não iria mais sentar num cockpit”. Capaz, mas nunca se sabe onde esta história irá acabar…
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