The End: Tony Scott (1944-2012)

Confesso que sou muito mais fã dos filmes do seu irmão mais velho, Ridley. Afinal de contas, comprar “Aliens“, “Gladiador” ou “Blade Runner” com “Top Gun” e “Dias de Tempestade” é quase injusto, mas o próprio Tony Scott tem filmes que merecem o elogio da critica, como “Crimson Tide” e “Jogo de Espiões“. 

Pode ser que agora vejamos esses filmes com outro ângulo, agora que Tony Scott pertence à história. O realizador britânico matou-se esta madrugada, em Los Angeles, aos 68 anos de idade. A policia foi chamada, por volta da meia noite e meia à Vincent Thomas Bridge, em San Pedro, nos arredores de Los Angeles, para verem um carro parado perto da ponte, com uma nota de suicidio no seu interior.

O corpo já foi recuperado, e há rumores de que tomou esta decisão porque aparentemente descobriu há algumas semanas que tinha um tumor cerebral inoperável. Nas últimas semanas teria cancelado os seus seguros de saúde e de vida, transferido o seu dinheiro para as contas da sua mulher e filhos, e entregue procurações ao seu advogado no sentido de passar as suas propriedades imobiliárias para os seus descendentes e uma fundação do qual a sua esposa será a sua primeira presidente.

Tony Scott nasceu a 23 de junho de 1944 em North Shields, nos arredores de Newcastle. Era o mais novo de três rapazes, sendo Ridley o irmão do meio. Existiu um mais velho, Frank, que morreu de cancro em 1980.

Ambos começaram a interessar-se por cinema desde tenra idade. Mas Tony tinha uma paixão ainda maior por pintura, que o fez tirar um curso no Royal College of Art. Quando o seu irmão começou a ter sucesso com os seus primeiros projetos e criou a Ridley Scott Associates, Tony juntou-se a ele. Quis fazer documentários, mas o seu irmão lhe disse: “Não vás para a BBC, vem trabalhar comigo. Daqui a um ano terás dinheiro suficiente para comprar um Ferrari“. E assim aconteceu.

O sucesso do seu irmão em filmes como “Alien”, de 1979, fez com que Hollywood ficasse interessado por realizadores britânicos, e Tony embarcou nessa onda. Mas teve resultados diferentes do irmão, pelo menos em termos criticos, porque em termos de bilheteira, teve tanto – ou se calhar mais sucesso – do que ele.

Tony Scott tem uma larga relação com os automóveis, muito antes do seu filme mais conhecido nessa área, “Dias de Tempestade”. Quando fez “The Hunger”, em 1983, com Catherine Deneuve e David Bowie, esse filme foi um fracasso de bilheteira e Tony Scott não realizou nada nos dois anos seguintes. Sobreviveu fazendo anúncios de publicidade. Daqueles memoráveis, como o da Saab 900. Aliás, foi por causa desse anuncio de Jeremy Bruckheimer e Don Simpson o descobriram e o contrataram para fazer “Top Gun”, um dos filmes que marcaram aquela década de 80, pelo menos em termos de cultura popular.
E a partir dali, fez filmes que deram dinheiro, mas que não convenceram os criticos, como o “Caça Policias II” e outros. E é aí que surge “Dias de Tempestade”, de 1990, e que juntou Cruise e uma jovem ruiva, vinda da Austrália, chamada Nicole Kidman. Ela tinha dado nas vistas num thriller chamado “Calma de Morte”, que tinha como cenário um iate numa zona de calmaria tropical, onde um casal acolhia um naufrago a bordo, sem saberem que era um psicopata, e que tinha matado a tripulação desse navio, antes de o fazer afundar.

Dias de Tempestade” era uma historieta sobre a NASCAR e sobre a personagem de Cole Tricke, um piloto veloz mas não muito cerebral, que era mais atreito a destruir carros do que a vencer corridas. Faz-vos lembrar alguém? Mas depois de um acidente em Daytona, conhece uma médica, apaixona-se e decide que a melhor maneira de se redimir é vencendo a Daytona 500, a mais importante prova do calendário da NASCAR. Lá consegue e é levado em ombros. Uma boa história, mas nãio é daqueles filmes que fica na nossa memória, se não fores “petrolhead”. Deu dinheiro, como todos os outros, mas em termos de critica, mereceu pouco mais do que um encolher de ombros, o que é melhor do que criticas ásperas, mas está longe dos elogios e claro está, dos prémios.

E foi assim ao longo da década de 90 e no inicio deste século: filmes com muito dinheiro, mas demasiado insonsos. Talvez a excepção seja o “Jogo de Espiões“, de 2001, mas numa altura em que o seu irmão fazia “Gladiador”, este filme, com Robert Redford e Brad Pitt, seja um esforço bem realizado. E até fez o remake de um filme de 1974, o “Assalto ao Pelham 123“, com Denzel Washington e John Travolta.
Em suma – e a culpa não deve ser dele – os filmes dele podem ser um belo entretenimento do qual só se vai ser apreciado daqui a algum tempo. Pode ser considerado como um “operário”, que soube levar as coisas a bom porto, do que alguém que pode ser considerado como uma referência. E ele faz-me lembrar outros “operários” como Peter Hyams, o realizador de “2010, o Ano do Contacto“: esforçam-se, mas o resultado é bom. E ser bom, para alguns, não é genial. O que é pena.   
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