The End: Chris Economaki (1920-2012)

Para os europeus ou brasileiros, este nome não quer dizer muito, mas nos Estados Unidos é sinónimo de lenda. Aliás, era tratado por todos como “o deão do automobilismo“. O jornalista Chris Economaki, que cobriu todos os eventos de automobilismo nos últimos 60 anos, morreu esta sexta-feira aos 91 anos durante o sono, segundo disse a sua família.

Ao saber-se da sua morte, dezenas de pilotos e ex-pilotos colocaram no Twitter os seus pensamentos e os seus tributos ao grande comunicador desaparecido, desde A.J Foyt até Mário Andretti, passando por Emerson Fittipaldi.

Nascido a 15 de outubro de 1920 em Brooklyn, filho de pai grego e mãe descendente do general confederado Robert E. Lee, aos nove anos viu a sua primeira corrida, em Atlantic City, numa pista feita de madeira. Segundo ele, ficou imediatamente apaixonado pelo automobilismo. Enveredou cedo pelo automobilismo e aos 14 anos, já escrevia o seu primeiro artigo. Com o tempo, entra nos meandros do automobilismo, tendo até a sua experiência dentro de um automóvel. Que não gostou.

Em 1950, Economaki começou a escrever uma coluna na National Speed Sport News, que a manteve por sessenta anos. Pelo meio, transformou-se de simples jornalista para ser o dono da publicação, que depois foi mantida pela sua filha. Pelo meio, Economaki foi convidado a relatar corridas em rádio, e depois na televisão. Primeiro como “speaker” e depois como comentador, começando uma segunda carreira, que o fez entrar na lenda.

Em 1961 entrou na televisão, para cobrir provas da NASCAR, e pouco depois, a cadeia de televisão ABC o contrata para o seu programa “ABC Wide World of Sports”, onde cobra todas as provas que a televisão americana faz nos anos 60 e 70, desde as 500 Milhas de Indianápolis até à Formula 1, passando pelas 24 Horas de Le Mans e as 500 Milhas de Daytona. Em 1983, passou para a CBS e em 1987 para a ESPN, até ser substituido no final da década por Bob Varsha.

Em 1994, Economaki foi dos poucos que não sendo pilotos, donos de equipa ou engenheiros que entrou no Motorsports Hall of Fame of America, e em três pistas (Indianápolis, Pocono e Ney Jersey Sports Park) as salas de imprensa foram batizadas com o seu nome.

No seu artigo de homenagem a Economaki na revista AutoWeek, outro dos mais conhecidos jornalistas americanos, Leo Levine, afirma o seguinte:

A sua coluna semanal no National Speed Sport News era lida por todo e qualquer jornalista competente neste pais. Tinha um talento raro, pois sabia como avaliar o automobilismo como o reflexo das condições de uma era em particular, algo que apenas os doutorados em sociologia o entenderiam. Apesar de não ter tido um grau académico, tinha conhecimentos mais eruditos e mais aprofundados da situação que qualquer um que veio mais tarde. 


O mais importante disso tudo é que ele viveu todos os grandes momentos do automobilismo. Era unico: sabia falar articuladamente, era engraçado e por vezes muito franco. Era um grande contador de histórias e mesmo depois dos 80 anos conseguia acompanhar os seus colegas mais novos“, concluiu.
Ars lunga, vita brevis.

Noticias: Kubica volta a vencer um rali em Itália

Robert Kubica continua com a sua terapia de recuperação nos ralis, e desta vez neste final de semana, acabou mais uma prova no lugar mais alto do pódio, no Rali Cittá di Bassano. Ao volante de um Subaru Impreza WRC, o piloto polaco venceu sete das nove especiais que constituíram este rali, acabando com mais de um minuto de vantagem sobre o segundo classificado.
No final, apesar do resultado, Kubica mostra-se cauteloso quanto à sua recuperação: “Ainda há muito caminho a percorrer, mas vendo todas as variáveis, pode ser que esta recuperação esteja mais perto do fim do que imaginava“, comentou.

Eis um video do que foi este rali. 

WSR: Bianchi vence em Paul Ricard, Felix da Costa segundo

A segunda corrida da World Series by Renault, no circuito francês de Paul Ricard, foi disputada debaixo de chuva, onde a grande luta foi entre o francês Jules Bianchi e o português António Felix da Costa, numa corrida decidida nas boxes a favor do francês. Para melhorar as coisas, a má corrida do holandês Robin Frijns, que acabou apenas no nono lugar, fez com que Bianchi ficasse com o comando, com cinco pontos de vantagem quando falta apenas um fim de semana duplo em Barcelona.

A corrida começou com Bianchi na frente e Felix da Costa, que partiu do sétimo posto na grelha, e fazer uma grande partida que o colocou cedo nos lugares do pódio. Na quinta volta, Felix da Costa cola-se a Bianchi e na travagem para a chicane do Mistral, ultrapassou-o e tomou-lhe o comando. Após isso, Felix da Costa tentou afastar-se do piloto francês, mas a diferença nunca foi superior a dois segundos, contra uma pista que secava lentamente, mas secava.

Ambos os pilotos ficaram na pista até perto da hora limite para a obrigatória troca de pneus, mas Bianchi fez um esforço para se aproximar do piloto português o suficiente para o poder passar. Parou primeiro, uma volta antes de Felix da Costa, e conseguiu passá-lo quando o piloto português fez a sua paragem. Após isso, geriu a vantagem até à meta, enquanto que o seu rival, o holandês Robin Frijns, perdia posições no meio do pelotão, acabando no nono lugar e também a perder o comando do campeonato para o piloto francês. O britânico Sam Bird foi o terceiro.

Quando a Felix da Costa, fica a consolação de ter conseguido o segundo lugar, seu quarto pódio consecutivo e a volta mais rápida da corrida.

Depois da corrida, comentou na sua página do Facebook: “Voltei a sentir-me muito rápido à chuva e desde o início que percebi que podia lutar pela vitória. Passei por todos os meus adversários até chegar à liderança da corrida mas no momento do pit stop, quando regressei à pista desci para 2º e acabei por terminar nesse lugar. Considero o fim-de-semana muito bom e sinto-me a cada corrida que passa um piloto mais completo”.

No campeonato, Bianchi é o novo líder, com 179 pontos, mais cinco que Frijns, enquanto que Sam Bird é o terceiro, com 154. Félix da Costa é agora o sexto no campeonato, com 116 pontos.  

Youtube Rallying: o tributo de Antti Kalhola a Sebastien Loeb

Esta semana, soubemos que Sebastien Löeb vai fazer uma retirada progressiva do WRC em 2013, marcando o final de uma era nos ralis, depois de oito títulos consecutivos – e muito provavelmente um nono a caminho, que pode ser confirmado na Alsácia.
Assim sendo, este domingo, apareceu um tributo ao lendário piloto francês, feito pelo finlandês Antti Kalhola. Sendo um piloto que marcou toda uma geração, ver este video feito por alguém como ele, pode-se ver até que ponto marcou toda a gente. 
É, Sebastien, foste o maior, e agradecemos por isso.   

GP Memória – Espanha 1987

Uma semana depois da histórica vitória de Alain Prost, no Estoril, máquinas e pilotos tinham-se deslocado para o sul de Espanha, mais concretamente o circuito de Jerez de La Frontera, para disputarem o GP de Espanha, que nesse ano tinha-se deslocado de abril, onde tinha ocorrido a corrida do ano anterior, para setembro, uma semana depois da corrida portuguesa, para evitar viagens desnecessárias.
A grande novidade no pelotão era a reaparição da Coloni, com um carro para Nicola Larini, enquanto que a Osella mantinha um segundo carro para o suiço Franco Forini. Assim sendo, o pelotão estava alargado para 28 carros, logo, dois iria ficar de fora após as qualificações.
Após as duas sessões de qualificação, os Williams levaram a melhor, com Nelson Piquet a fazer a pole-position, no seu carro com suspensão ativa, tendo a seu lado o britânico Nigel Mansell. A seguir, vieram os Ferrari de Gerhard Berger e Michele Alboreto, com Ayrton Senna a ser o quinto classificado, na frente do Benetton de Teo Fabi. Alain Prost, que tinha vencido sete dias antes no Estoril a sua 28ª vitória da sua carreira, era o sétimo na grelha, seguido por Thierry Boutsen, no segundo Benetton. A fechar o “top ten” estavam os Brabham de Riccardo Patrese e Andrea de Cesaris.
Os dois azarados nesta qualificação foram os Osellas-Alfa Romeo de Alex Caffi e Franco Forini.
A corrida começou com Piquet na frente, mas no final da primeira volta, quando ambos os pilotos chegavam à última curva antes da meta, Mansell faz uma manobra de ultrapassagem e é bem sucedido. A partir dali, o britânico começou a afastar-se, sem que o seu companheiro ou os outros pilotos o pudessem alcançar. Senna era o terceiro, seguido pelos dois Ferraris e pelo Benetton de Boutsen.
As coisas não se alteram até às paragens nas boxes, onde Mansell foi o mais veloz e Piquet foi vítima de uma paragem mais lenta, e quando regressou à pista estava no quarto lugar, atrás de Senna e Prost. Senna tinha decidido ir até ao fim com um só jogo de pneus, mas mais perto do final da corrida viu que os pneus tinham se degradado mais rapidamente do que o previsto e foi caindo na classificação geral, sendo superado por Prost e Piquet.
Piquet pensava que iria ficar com o segundo lugar, mas na volta 62, comete um erro e sai da pista, do qual envolve acidentalmente o Benetton de Thierry Boutsen. O belga acaba por desistir, enquanto que o brasileiro volta à pista, mas perde lugares a favor de Prost e do outro McLaren de Stefan Johansson.
No final, sem oposição  Mansell vencia e aquecia um pouco mais a lute pelo título mundial, pois agora ficava a 18 pontos de Piquet e passando Senna na classificação. Alain Prost foi o segundo, seguido por Stefan Johansson , ambos em McLaren, enquanto que nos restantes lugares pontuáveis ficaram o Williams de Nelson Piquet, o Lotus de Ayrton Senna e o Lola de Philippe Alliot, conseguindo aqui o seu primeiro ponto da sua carreira.

Noticias: Red Bull vai promover o WRC, calendário divulgado

A reunião desta sexta-feira da FIA resultou no anuncio de que a partir de 2013, o WRC terá um novo promotor, um problema que tinha surgido no inicio do ano depois da FIA ter quebrado o contrato com a North One, após a prisão de Vladimir Antonov, o seu proprietário, devido a acusações de fraude e evasão fiscal. A partir do ano que vêm, será a Red Bull que vai tomar conta da promoção dos ralis, num contrato que vai durar três temporadas.

O Conselho Mundial da FIA aprovou um acordo com o Grupo Sportsman Media e com a Red Bull Media House para se tornar o novo promotor global do Mundial de Ralis de 2013. Esse promotor será responsável por investir e desenvolver o WRC com vista ao aumento da sua reputação e valor comercial“, começa-se a ler no comunicado da FIA. “Em particular, o promotor vai trabalhar em colaboração com a FIA para introduzir transmissões ao vivo e uma estratégia digital inovadora nos próximos anos“, concluiu.

Se a marca de bebidas energéticas austriaca vai fazer a promoção, em termos de imagens, estas serão captadas e difundidas através da firma alemã Sportsman Media, que costuma fazer a divulgação das várias atividades feitas noutras modalidades.

Quanto ao calendário, como era expectável desde a semana passada, não há novidades. A FIA decidiu manter o calendário de 2012, exceptuando o Rali da Nova Zelândia, que como se sabe, está em rotação com o Rali da Austrália, que regressa em 2013. A única coisa do qual ainda não se sabe é a data do Rali da Alemanha.
Eis o calendário completo:
15 a 20 de JaneiroRally de Monte Carlo 
07 a 10 de FevereiroRally da Suécia 
07 a 10 de MarçoRally do México 
11 a 14 de AbrilRally de Portugal 
02 a 05 de MaioRally da Argentina 
30 Maio a 02 de JunhoRally da Grécia 
20 a 23 de JunhoRally da Itália 
1 a 3 de AgostoRally da Finlândia 
Por definir – Rally da Alemanha 
12 a 15 de SetembroRally da Austrália 
3 a 6 de OutubroRally de França 
24 a 27 de OutubroRally da Catalunha 
14 a 17 de NovembroRally de Gales

A entrevista de António Felix da Costa ao jornal i

Um dia antes de António Felix da Costa ter entrado no seu carro da World Series by Renault em Paul Ricard e ter vencido a corrida, o jornal portugues i publicou uma entrevista feita a ele, agora que se está a descobrir que o piloto de Cascais é a melhor hipótese de voltar a ter o nome de Portugal no grande circo da Formula 1. Na entrevista feita por Rui Catalão, fala-se sobre os apoios do pai e do irmão, bem como os conselhos de Tiago Monteiro, que lhe deram um teste na Force India, em 2010, fala sobre os passos que deu na carreira, sobre os seus gostos, entre outras coisas. E a sua vitória de sonho na Formula 1.

ANTÓNIO FÉLIX DA COSTA: “QUERO DAR O PASSO PARA A FORMULA 1 EM 2014”
Por Rui Catalão, publicado em 22 Set 2012 – 03:10 | Actualizado há 1 semana 12 horas 
Tem as costas protegidas pela Red Bull e foi vice-campeão na GP3. Aos 21 anos, está mais perto do que nunca de chegar ao topo

Não há lugar para indecisões. António Félix da Costa tem o caminho até à Fórmula 1 desenhado na cabeça. E não vai sozinho. O irmão Duarte, também piloto, e o pai entregam-lhe boa parte das suas vidas. António sente esse apoio da família, além de reconhecer a ajuda do manager Tiago Monteiro. Nas respostas troca o singular pelo plural, fala em “nós” e não num “eu”. A viagem pelo mundo das corridas já valeu um teste com a Force India, em 2010, e meia dúzia de voltas num Red Bull, no fim-de-semana passado. Acabado de sair da GP3, onde foi vice-campeão, dedica-se agora à World Series by_Renault 3,5. Mas não chega. O verdadeiro sonho ainda está por realizar. 

P – O nome da tua página no Facebook é “António Félix da Costa – Road to FORMULA 1”. Normalmente os atletas não assumem tão claramente um objectivo desta dimensão. Quando é que se tornou algo evidente para ti? 

R – O meu primeiro ano de carreira foi em 2001. Logo aí percebi que era isto que queria fazer. As coisas começaram a correr bem, com bons resultados. E desde cedo entrou automaticamente na minha cabeça a ideia de chegar à Fórmula 1. Mas, como a mim, entrou na dos outros 70 miúdos contra quem corria. Cada vez mais tem sido um sonho a tornar-se realidade. E estamos muito próximos. Decidimos dar esse nome à página do Facebook porque felizmente, tanto eu como as pessoas que trabalham por trás de mim – o Tiago Monteiro, o meu pai, o meu irmão –, acreditamos que é possível chegar à Fórmula 1. Por isso não vejo razão para não alimentar esse sonho. 
P – Li uma frase tua que dizia assim: “Tenho de pensar sempre que sou o melhor piloto do mundo.” De que forma isto se traduz quando corres? 

R – Se entrar numa corrida a pensar que este e aquele são melhores do que eu já vou derrotado, a pensar que ficar em terceiro já é bom. Não posso pensar assim. Na semana passada, por exemplo, arranquei em quarto e acabei por ganhar a corrida numa categoria na qual aterrei de repente – as World Series by Renault. 
P – O que é que faz um piloto vencedor? 
R – Tudo. Hoje em dia o que não falta aí são pilotos rápidos. Há muitos capazes de ganhar uma corrida, de fazer uma pole position. Mas os campeonatos já não se ganham só assim. Não se trata apenas disso. Tem de haver uma atenção máxima na abordagem ao fim-de-semana, na preparação, no depois da corrida, na avaliação do que correu bem ou mal, para estarmos constantemente a melhorar e a dar passos em frente. 
P – A seguir à entrevista vais para o ginásio. A condição física é uma parte cada vez mais importante da tua preparação à medida que vais subindo de categoria? 
R – Sim, sim. Hoje em dia as equipas dão muito valor a um atleta que esteja bem fisicamente. Até porque, não estando bem, perde-se muita eficácia nos carros que guiamos. As corridas são longas, de quase uma hora, e é importante estar bem preparado. Confesso que podia estar melhor, mas como disse aterrei um bocadinho de repente nesta categoria. Sofri um pouco nas primeiras corridas, agora já estou melhor.
P – És conhecido como “Formiga”. A tua estatura já fez com que olhassem de lado para ti? 
R – Há uns anos, quando fui convidado a guiar o carro com que corro agora na World Series by Renault. Tinha 16 ou 17 anos e o meu irmão Duarte [seis anos mais velho] foi comigo. Quando lá chegámos eles pensaram que o Duarte é que era o piloto, porque eu era realmente muito pequeno. Depois acabei por surpreendê-los e até fiz o segundo melhor tempo nesse dia. Inicialmente reparava que as pessoas desconfiavam um pouco, agora já não. É quase regra os pilotos começarem nos karts.
P – O que há de tão essencial aí para a formação de um piloto?
R – Tudo. Os karts são uma base, uma escola. Tens as trajectórias, aprendes a guiar, a ultrapassar, a gerir a corrida do início ao fim. Até as afinações. Tudo o que sei hoje vem dos sete anos que corri de kart. No meio de tudo isso, os estudos ficaram pelo caminho. Fui dos últimos a tomar a opção de seguir apenas nas corridas. Até porque, sei lá, em Portugal não há tradição de ter um piloto de Fórmula 1. Ou seja, ao início foi complicado convencer toda a gente e a mim próprio. Sabia que era aquilo que queria, mas era complicado dizer “ok, hoje já não vou às aulas porque vou ser piloto profissional”. Foi a melhor coisa que fiz até hoje. Não estava a fazer bem uma coisa nem a outra. 
P – Como apareceu o teste com a Force India em Abu Dhabi?
R – Isso vem mais tarde, já noutro capítulo, quando me juntei ao Tiago Monteiro, no início de 2010. A equipa dele na Fórmula 1 (primeiro com o nome Jordan e depois Midland) foi antecessora da Force India e por isso o staff era o mesmo de quando ele lá estava. Quando o Tiago me disse que tinha conseguido um teste para mim em Abu Dhabi, no treino de young drivers… foi muito, muito bom. Aí fez-se um clique na minha cabeça e pensei: “Isto deixou de ser um sonho, tornou-se uma realidade.” Tinha 18 anos. Todos nós passámos a ver as coisas de uma maneira diferente. 
P – E como é estar num Fórmula 1 pela primeira vez? 
R – É uma sensação quase inexplicável. Sento-me no carro, tenho 20 mecânicos à minha volta e só o barulho do motor a trabalhar nas nossas costas já é incrível. Depois entras em pista e estás junto ao Red Bull, ao Ferrari, ao McLaren – carros campeões do mundo. Foi um dia inesquecível na minha vida. Ainda por cima fizeste o terceiro melhor tempo. Foi na última sessão do dia. Deram-me pneus novos para fazer um tempo, como aconteceu com todos os outros. O primeiro e o segundo eram o Red Bull e o McLaren, carros um bocadinho superiores ao Force India e que estavam completamente fora do nosso alcance. Mas entre o terceiro e o sétimo ou oitavo estava tudo muito próximo, com o Ferrari, o Mercedes, o Renault, o Williams, o Sauber e o Force India. Eu estava em terceiro, quarto, quinto, sexto, ali sempre a rodar, a rodar, e eles disseram “ok, acabou, podes vir para a boxe”. Foi aí que pedi no rádio para dar mais uma volta. Já estava muito cansado, não podia com o pescoço, mas agarrei-me com unhas e dentes e fiz uma volta muito boa, que me deu o terceiro tempo do dia. Acabei por fazer melhor do que o piloto de testes da Force India, o Paul Di Resta, que agora corre na Fórmula 1. E o meu tempo daria para arrancar do décimo lugar da grelha nesse fim-de-semana! Isso abriu muitos olhos na Fórmula 1. 
P – Passaste a ser observado de outra forma?
R – Sem dúvida. A relação que nós mantemos com a Force India hoje em dia é muito boa, mas infelizmente é uma equipa com poucas possibilidades e requer algum budget para se entrar. Então nunca houve mais do que isso, uma boa amizade. O que é complicado não é arranjar os budgets que as equipas pedem, mas sim competir contra os budgets que um colombiano ou um brasileiro podem trazer de fora. Por isso nunca tivemos oportunidade de ingressar numa equipa de Fórmula 1 à séria. Agora, estando na Red Bull Junior Team, abrem-se muito boas portas. Só na Fórmula 1 são quatro lugares. 
P – Quando assinaste contrato com a Red Bull todos esses problemas financeiros desapareceram. 
R – Acho que aí é que notamos a maior diferença. Acabou-se o stresse de “vamos a esta corrida ou não vamos”, “temos dinheiro para ir ou não”. Agora dá para focar apenas na minha condução, no meu trabalho. A proposta apareceu um pouco do nada, porque normalmente a Red Bull vai buscar pilotos com 16, 17 anos. Com 20 anos já não estava à espera disso. Mas eles precisavam de um piloto com a minha idade e a minha experiência. Acho que tenho cumprido com as expectativas. 
P – Para um piloto como tu, de olhos postos na Fórmula 1, é preferível seguir, por um lado, numa GP3, GP2 ou World Series by Renault, ou ser piloto de testes na F1? Normalmente tem-se a ideia de que o piloto de testes faz muito trabalho de bastidores, mas que – como aparece pouco – também não é muito reconhecido.
R – É verdade. Ainda por cima hoje em dia, que as equipas de Fórmula 1 não podem testar o carro actual. Mas depende. O Valtteri Bottas, que correu contra mim nos últimos dois ou três anos e ganhou a GP3 no ano passado, este ano está apenas como piloto de testes da Williams. Eles dão-lhe sempre a oportunidade de fazer o primeiro treino livre de cada fim-de-semana e isso está a dar-lhe quilómetros no carro. Está mais preparado para, no próximo ano, ser piloto de Fórmula 1. Mas o Bottas também é mais velho, tem 23 anos, fez o caminho todo certo nas fórmulas de promoção. Também sinto que estou pronto para dar esse passo, mas é importante estar habituado a ter outros pilotos à volta, aquela confusão das primeiras voltas. É uma coisa com a qual o Bottas pode vir a ter problemas quando entrar para a Fórmula 1. Ele vai estar um ano sem isso, o que pode ser complicado. 
P – Por falar em quilómetros, como foram os teus primeiros num Red Bull? 
R – Ah ah, a seguir à vitória em Budapeste deram-me seis ou sete voltas num Fórmula 1. Foi muito bom. A vantagem é que eu tinha acabado uma corrida há três horas naquela pista, por isso sabia o meu caminho e deixaram-me puxar logo de início. Estes testes são feitos com pneus que se chamam show tyres – não foram feitos para fazer tempos, fazem o carro escorregar muito. Mas não deixa de ser um Fórmula 1.
P – Notaste uma grande diferença em relação ao Force India de 2010? 
R – É difícil falar, porque um Fórmula 1 muda muito de ano para ano. Mas a maior diferença foi nos pneus. Na altura eram Bridgestone e aqui já eram Pirelli. Ainda por cima eram os show tyres. É complicado comparar, até porque passou algum tempo e já não me lembro exactamente. Mas a diferença para o meu carro das World Series by Renault não é enorme. Acho que fui apenas dois ou três segundos mais rápido no Fórmula 1.
P – Foi uma boa forma de recuperares da desilusão do fim da época na GP3? 
R – Sim. Foi uma pena. Cheguei a Monza sabendo que à partida era complicado sair de lá com o título. Então fui sem pressão. Qualifiquei-me em segundo. Na corrida ia à frente, depois caí para segundo, para terceiro, mas estava ali na guerra pela vitória, principalmente depois de o Mitch Evans, o meu principal rival, ficar de fora. Um terceiro ou segundo lugar chegava-me para sair com a liderança no campeonato e assim a corrida de domingo seria relaxada – bastava levar o carro até ao final. Quando fiquei encravado na sexta velocidade não queria acreditar. Para ser sincero, estava tudo a correr bem de mais para ser verdade. 
P – Mesmo assim ficaste na história da GP3. Foste o primeiro piloto a vencer duas corridas do mesmo fim-de-semana. 
R – Toda a gente, mesmo na Red Bull F1, diz que as pessoas viram quem merecia ganhar aquele campeonato. Mas a realidade é que daqui a cinco anos já não se lembram. Vão olhar para o papel e vai lá estar o nome do Evans em vez do meu. Mesmo assim, mostrei bom serviço.
P – Qual é o plano de ataque para os próximos tempos?
R – Obviamente gostava de voltar a repetir o teste na Fórmula 1 no fim deste ano. Está tudo bem encaminhado para isso. Falta o telefonema a dizer “sim, senhor, está confirmado”. 
P – Com a Red Bull?
R – Com uma das duas estruturas deles – também pode ser na Toro Rosso.
P – De resto, para a próxima época…
R – Não faz parte dos planos da Red Bull pôr-me na Fórmula 1, até porque os quatro pilotos deles têm contrato para o ano que vem. Por isso, acho que o melhor é repetir a World Series by Renault com uma pré-época bem feita e uma equipa boa para tentar ser campeão e então, em 2014, dar o passo para a Fórmula 1.
P – Estivemos muitos anos sem referências nos carros e nas motos. Agora estás tu a aproximar-te da F1 e o Miguel Oliveira do MotoGP. O que faz a diferença nesta emergência de talentos?
R – No meu caso, diria mesmo o apoio familiar e o quanto toda a gente atrás de mim acredita. Às vezes vejo pilotos com muito talento mas que se tiverem um mau ano os pais dizem “acabou, vais estudar”. Já tive dois ou três anos maus e o meu pai disse-me “não, vamos continuar e fazer melhor”. O facto de toda a gente acreditar naquilo em que acredito é uma grande ajuda e sem isso não se vai a lado nenhum. 
P – Alguma vez duvidaste do caminho que estavas a seguir?
R –  Não, nenhuma. Mesmo nos maus anos consegui tirar coisas boas. Tive épocas em que tive de batalhar no meio de 15 pilotos, em 15.º ou 20.º. E acho que isso é importante. O Vettel, por exemplo, entrou para a Fórmula 1 com a Toro Rosso e não ganhou corridas logo. Teve de andar ali no meio do pelotão. 
P – Dos pilotos que agora estão na Fórmula 1, para qual olhas mais como referência? 
R – É complicado. O Alonso é o piloto mais completo. No início deste ano tinha um mau carro e mesmo assim estava em primeiro no campeonato. Dou-lhe um grande valor pela forma como faz toda a gente à volta trabalhar para ele. Como talento natural, talvez o Vettel, porque se senta num carro e é logo muito rápido. 
P – Aí o carro também ajuda… 
R – Claro, não há milagres. Em Monza o carro da Red Bull não estava bom e o Vettel qualificou-se em sexto. Para mim, todos os pilotos da Fórmula 1 têm de ser muito bons para lá estar. Mas também há determinados lugares ocupados sobretudo porque por trás há muito dinheiro. Não só por isso. O Maldonado leva 30 milhões por ano para a Fórmula 1, mas merece lá estar. Ganhou a GP2, teve bons resultados antes disso e já ganhou uma corrida de Fórmula 1 na segunda época. É verdade que traz muito dinheiro, por isso interessa a muitas equipas ter um piloto como ele.
P – No teu caso, achas que a ascensão à Fórmula 1 estaria comprometida se não houvesse este apoio tão grande da Red Bull?
R – Sim, sinto um bocadinho. Íamos ter sempre de contar com o apoio de Portugal, que infelizmente até agora não tem sido grande. A Red Bull é uma grande ajuda, sobretudo na parte desportiva. Continuo disponível para dar a cara por empresas ou pessoas que queiram estar por trás deste projecto. Acho que se não for agora vai ser mais complicado no futuro. Depois, estando numa equipa de Fórmula 1, torna-se mais restrito.
P – Chegaste a sentir que era preciso encontrar um plano B para a tua carreira?
R – Tenho a noção de que se não for… se não fosse para Fórmula 1 (e se não for) a minha carreira não acaba. Dá para fazer vida disto noutros sítios, como piloto oficial de uma marca ou assim. Vimos o caso do Filipe Albuquerque, que não chegou à Fórmula 1. Tinha talento de sobra, mas está com a Audi e está muito bem. Se não conseguir, é isso que quero fazer.
P – Como seria um grande prémio de sonho para ti na Fórmula 1?
R – Ganhar em Spa.
P – Com pole position e volta mais rápida.
R – Exacto! Por acaso na GP3, este ano, ganhei o prémio de mais voltas mais rápidas. Fiz seis. Faltava-me um pouco de andamento em qualificação, mas nunca em corrida!

WSR: Felix da Costa vence em Paul Ricard

O piloto português António Félix da Costa venceu esta tarde a primeira das duas corridas da World Series by Renault (WSR) que se disputam este fim de semana no circuito de Paul Ricard. Debaixo de chuva, Félix da Costa disputou a liderança com o britânico Nick Yeolly, do qual chegou ao primeiro posto no final da 11ª das 21 voltas completadas, enquanto via alguns dos seus rivais, como o holandês Robin Frinjs, o brasileiro André Negrão e o francês Jules Bianchi, a se despistarem ou a perderem muito tempo com a chuva.

No final, numa prova sem erros e demonstrativo da sua capacidade de pilotar debaixo de condições adversas, Felix da Costa vence pela segunda vez nesta temporada, na frente de Yeolly e do russo Daniil Move. Jules Bianchi foi o quarto, na frente de outro dinamarquês, Kevin Magnussen.
É a minha segunda vitória na World Series e esta foi espectacular, totalmente merecida e dedico à equipa Arden, pois em conjunto temos evoluído bastante o carro e estamos cada vez mais competitivos. Estou muito contente e não me canso de agradecer a todos os Portugueses o apoio que recebo diariamente. É bom saber que acreditam tanto como eu que é possível chegar à Fórmula 1. É para isso que trabalho diariamente e sinto que estamos no caminho certo.” disse depois o piloto de Cascais na sua página do Facebook.
A segunda corrida da WSR ocorre amanhã.

Fibra de Carbono – Episódio dezanove

No programa “Fibra de Carbono” desta semana, falamos sobre o GP de Singapura e a situação do campeonato de Formula 1 após esta corrida, falamos um pouco sobre a GP2 e o seu final e alguma da especulação referente à proxima temporada, desde a dança nas cadeiras até às dúvidas sobre o GP de New Jersey. 
Falamos também da atualidade no WRC e em relação aos factos históricos, assinalamos os 30 anos do GP de Las Vegas e referimos que muito provavelmente, o circuito desenhado no parque de estacionamento do Ceasar’s Palace foi o pior de sempre.
Tudo isto e muito mais podem ouvir aqui, seguindo este link. Esperemos que gostem do programa!

P.S: Isto foi gravado antes da dança das cadeiras destes dias.

Noticias: Eis o calendário da Formula 1 para 2013

A FIA divulgou há pouco os vários calendários das provas que tem sob sua tutela. No mais importante deles todos, o da Formula 1, manteve as vinte corridas que têm nesta temporada, e a grande diferença é a saída de Valencia para a entrada de New Jersey, uma segunda corrida em paragens americanas. 
A corrida será disputada a 16 de junho, uma semana depois de Montreal, no Canadá, mas pelo asterisco, continua a estar em dúvida. Pode-se supor que os organizadores lhe deram mais uma garantia de que as obras estão a decorrer e que os pagamentos estão a ser feitos, algo que agradou a Bernie Ecclestone, a pessoa que monta este calendário.
Outras novidades são o avanço do GP da Belgica em uma semana, passando agora a ser realizado a 25 de agosto, o que faz com que os integrantes do paddock tenham menos uma semana de férias. E há uma troca de calendário entre a Coreia do Sul e do Japão. Se até agora, o pelotão ia primeiro para Suzuka, antes de ir para Yeongnam, em 2013 vai ser o contrario: Coreia é a 6 de outubro, Japão será uma semana depois, a 13.
A Formula 1 começa a 17 de março, em Melbourne, e termina a 24 de novembro, em Interlagos. E Bahrein continua no calendário – será disputado a 21 de abril. 
Eis o calendário completo:
17 de março – Austrália (Melbourne) 
24 de março – Malásia (Sepang)
14 de abril – China (Xangai)
21 de abril – Bahrein (Shakir)
12 de maio – Espanha (Barcelona)
26 de maio – Mónaco
9 de junho – Canadá (Montreal)
16 de junho – Estados Unidos Leste (New Jersey)*
30 de junho – Grã-Bretanha (Silverstone)
14 de julho – Alemanha (Nurburgring)
28 de julho – Hungria (Budapeste)
25 de agosto – Belgica (Spa-Francochamps)
8 de setembro – Itália (Monza)
22 de setembro – Singapura
6 de outubro – Coreia do Sul (Yeongnam)
13 de outubro – Japão (Suzuka)
27 de outubro – India (Delhi)
3 de novembro – Abu Dhabi
17 de novembro – Estados Unidos (Austin)
24 de novembro – Brasil (Interlagos)
* sob condição