O começo da temporada de Félix da Costa, visto pelo jornal i

No dia em que começa a World Series by Renault, e no ano que é decisivo para António Félix da Costa para ver se consegue caminhar para a Formula 1, entrando naquela que é a equipa mais competitiva, a Red Bull, ou então na equipa secundária, a Toro Rosso, o jornal português i decidiu fazer uma matéria para mostrar o dia-a-dia do piloto de Cascais, e o que ele tem feito para se adaptar à equipa dos energéticos. Um artigo assinado por Rui Catalão mostra tudo isso e algo mais, incluindo a sua opinião sobre o que aconteceu no GP da Malásia, entre Sebastian Vettel e Mark Webber.
FÉLIX DA COSTA. A LINHA TÉNUE QUE O SEPARA DA FORMULA 1 
Por Rui Catalão, publicado em 6 Abr 2013 – 12:01 | Actualizado há 6 horas 42 minutos 

Época nas World Series by Renault começa hoje em Monza. Português é favorito ao título. Se mostrar resultados, em 2014 vai estar na F1 

São duas da tarde em Melbourne quando chega ao fim a primeira sessão de treinos livres da época na Fórmula 1. Sebastian Vettel é o mais rápido, 0,078 segundos à frente de Felipe Massa. O tricampeão do mundo em título começa a mostrar o que o RB9 tem guardado para 2013. Mas o trabalho não está todo à vista. Enquanto Vettel faz os primeiros quilómetros na Austrália, há uma equipa inteira a trabalhar em simultâneo em Milton Keynes (Inglaterra), na fábrica da Red Bull. 

É lá que está António Félix da Costa. Como o grande prémio acontece na outra ponta do mundo, num fuso horário distante, o piloto português entra ao serviço durante a noite. “Estamos em contacto com a equipa por videoconferência e experimentamos várias soluções de afinação no simulador”, conta ao i. 

A mudança para Inglaterra, o ano passado, faz parte do plano de Félix da Costa para saltar para a F1 em 2014. Em Milton Keynes, está perto de tudo o que lhe é essencial nesta altura. Por um lado, contribui para a evolução da Red Bull e aprende. “Tem-me feito perceber em pormenor como funciona um Fórmula 1 e isso prepara-me para o futuro.” Ao mesmo tempo, vive o dia-a-dia da Arden Caterham, equipa com a qual compete nas World Series by Renault 3.5 esta época. 

Este campeonato funciona como estágio para os pilotos da Junior Team da Red Bull. Vettel passou por aqui em 2006 e 2007. Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne, dupla da Toro Rosso (a segunda equipa da marca), também cumpriram nesta categoria a última fase da preparação para a F1. Agora é esse caminho que Félix da Costa segue. 

Em 2012, o piloto de 21 anos fez apenas dois terços da época nas World Series, uma oportunidade que surgiu com a entrada no programa da Red Bull. Mesmo assim, venceu quatro das últimas cinco corridas (ao todo eram 17) e acabou em quarto. Se só contassem os pontos a partir do momento em que se juntou ao campeonato, teria levado o título à vontade. Com testes de pré-época e a competir aqui a tempo inteiro, as expectativas para 2013 estão no topo. 

O meu objectivo é vencer o campeonato. As regras são simples: com bons resultados entro na Fórmula 1 em 2014. Por isso estou centrado em fazer uma temporada em grande e entrar com o pé direito na F1”, explica Félix da Costa. A pressão para mostrar serviço está mais elevada que nunca. Christian Horner, patrão da Red Bull, é também o dono da Arden e segue-o de perto; Helmut Marko, consultor com grande influência em toda a estrutura, põe os níveis de exigência no máximo. “Tem objectivos a cumprir. Com ele não existem segundas oportunidades”, diz o português. “Estou na fila, a dar o meu melhor, para mostrar ao Dr. Marko que posso ser uma opção bem válida para qualquer das equipas que comanda na Fórmula 1.” 

O último grande prémio, na Malásia, gerou mais um conflito entre Vettel e Mark Webber dentro da Red Bull. A relação entre os dois já não era a melhor e degradou-se ainda mais quando o alemão ignorou as indicações de Horner (manter o segundo lugar) e do colega de equipa (líder da corrida). Vettel ganhou, mas até onde pode ir um piloto para lutar por uma vitória? Félix da Costa responde: “Pode ir da primeira à última volta, desde que respeite os seus adversários ou as decisões da equipa, pois não deixa de ser empregado da equipa.” 

Este episódio torna ainda mais provável a saída de Webber no final da época, o que libertará um lugar dentro da estrutura da Red Bull. Uma das hipóteses mais faladas é a subida de Ricciardo à equipa principal e a entrada de Félix da Costa na Toro Rosso – pela qual pode ainda vir a fazer alguns treinos livres à sexta-feira. De resto, depois de ter conduzido os três carros campeões do mundo (entre 2010 e 2012), o português revela ao i que também já experimentou o novo RB9, num teste aerodinâmico. 

A época das World Series arranca este fim-de-semana em Monza com as primeiras duas (de 17) corridas. E o Dallara Renault da Arden Caterham está quase no ponto. “De zero a 20, diria que temos um 19.” Muitas das características são idênticas à de um F1, com DRS, travões de carbono e grande carga aerodinâmica. Aliás, os tempos mais rápidos de um monolugar destes aproximam-se dos mais lentos de um Fórmula 1 – a diferença vem sobretudo do peso e da potência. 

Se há pouco a separar os carros das duas categorias, haverá ainda menos entre Félix da Costa e a F1. E essa linha tem tudo para ficar ainda mais ténue a partir de hoje.
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