Long Beach, o regresso de uma velha paixão

Bernie Ecclestone sempre quis que a Formula 1 desse certo nos Estados Unidos. Sempre achou que era “o” mercado ideal para atrair os fãs de automobilismo, para assim poder fazer os seus preços. Nos tempos da Brabham, sempre teve latino-americanos nas suas equipas (Wilson Fittipaldi, José Carlos Pace, Carlos Reutemann, Nelson Piquet, Ricardo Zunino, Hector Rebaque) e como promotor, desde meados dos anos 70 que fez tudo para ter mais do que uma corrida de Formula 1 em solo americano. Foi por isso que surgiu Long Beach, depois Detroit, e pelo meio, outras coisas como Phoenix e Dallas, circuitos urbanos do qual não atraiu mais do que os “hardcorers”.
Pois bem, depois de alguns anos onde largou pura e simplesmente o continente americano – não houve GP dos Estados Unidos de 1991 a 2000, quando este foi para Indianápolis – a paixoneta de Ecclestone voltou em força. Depois de ter conseguido construir um autódromo de raiz em Austin, agora quer uma corrida na Costa Leste, em New Jersey. Mas não conseguiu que as obras ficassem prontas a tempo em 2013 e falou-se agora que ele poderá estar interessado numa velha conhecida: Long Beach.
Antes de avançar, um pouco de história: construida em 1975 para ser “o Mónaco do Pacifico”, recebeu a Formula 1 até 1983, altura em que Chris Pook, o seu mentor, achou melhor que fosse para as mãos da CART, que cobrava bem mais barato do que Bernie Ecclestone. Desde 1984 na CART, tornou-se num dos “ex-libris” da competição, bem como da cidade, que o transformou num dos clássicos do automobilismo. E bem merece. Contudo, agora fala-se que a pista está à venda e Bernie Ecclestone poderá ser um dos interessados.
Falou-se muito disso por estes dias, uns afirmando que a ideia de Long Beach serve como pressão para os organizadores de New Jersey dêem as garantias para que a corrida se realize em 2014, já que eles têm tido dificuldades para angariar dinheiro suficiente e os problemas burocráticos têm também feito alguma mossa. Mas outros afirmam que Ecclestone quer realmente Long Beach para ter uma terceira corrida em paragens americanas, complementado com mais uma corrida no Canadá e outra no México, para fazer um forte pacote americano, de seis/sete corridas (mais o Brasil), e assim igualaria com o pacote asiático e reduziria o pacote europeu ao mínimo, com corridas na Grã-Bretanha, Alemanha, Mónaco, Hungria, Itália, Espanha e Belgica.
Sobre esse assunto, o jornalista Joe Saward fala hoje no seu blog de uma boa razão pela qual a hipótese Long Beach não pode ser descartada: daria um grande impulso às receitas da cidade. Com a IndyCar e outras atividades, é uma corrida bem importante, mas neste momento, já não atrai tanta gente como dantes. E a organização têm de dar bilhetes de graça e fazer espectáculos de “drifting” para atrair espectadores, para não falar da audiência televisiva, que é minima. E com o contrato com a IndyCar a terminar em 2014, parece que os organizadores estão a querer o regresso da Formula 1 para atrair os mais endinheirados e arranjar mais receitas. 
O problema é que Bernie Ecclestone não cobra barato… e nos States, não vai haver apoio – ou subsidio estatal – para que se levante tal coisa para ficar nos padrões “tilkianos” que a Formula 1 tem agora. A resposta terá de vir de investidores privados que estejam no negócio imobiliário ou da hotelaria que queiram fazer de Long Beach uma “Miami da Costa Oeste”, agora que o pior da crise nos Estados Unidos já passou.
Enfim, o que interessa dizer é que qualquer coisa que se decida nesse aspecto só acontecerá em 2016. Resta saber se com Bernie “fresco” e “viçoso” no alto dos seus 85 anos, ou com outras pessoas quaisquer. É que existe tantas variáveis neste assunto…
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3 pensamentos sobre “Long Beach, o regresso de uma velha paixão

  1. Não acho grande coisa a pista de Long Beach, porém… Melhor que muita pista asiática.Mas o povo da Indy já disse que não vende, não empresta e não dá.

  2. Espero que sim, mas nunca podemos subestimar o poder de alguém que para conseguir o que quer, esteja disposto a vender a alma ao Diabo…

  3. Só não percebo uma coisa, a seguir ao Maio de 94, andaram-se a destruir circuitos porque não eram seguros, Zeltweg, Imola, Estoril… e agora cada vez há mais pistas de rua, quase sem escapatorias…

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