5ª Coluna: sobre o regresso da Honda à Formula 1

E agora sabemos que é oficial: a McLaren e a Honda juntam-se de novo, 23 anos depois de uma parceria vitoriosa que teve pilotos como Alain Prost, Ayrton Senna e Gerhard Berger ao volante, e que deu ao mundo chassis fabulosos como o McLaren MP4/4, projetado por Gordon Murray e dando 15 das 16 vitórias possíveis na temporada de 1988. Assim sendo, ano que vêm- curiosamente, o primeiro da nova era dos Turbos – a parceria entre a equipa de Woking e a Mercedes terá os seus dias contados, 19 anos após o seu inicio. 
Já corriam rumores sobre isso desde há várias semanas, tantas que já tinha escrito sobre isso no mês passado para a revista Speed, onde tinha colocado as razões e os motivos pelos quais uma aliança como esta seria vantajosa para ambos os lados. Eis alguns excertos sobre o artigo que escrevi na altura:
Uma das razões pelo qual podemos acreditar nesse regresso salta à vista: tem a ver com a relação privilegiada entre a equipa e a fornecedora de motores. Até 2010, altura em que a Mercedes decidiu avançar com a sua própria estrutura, a relação da McLaren com a Mercedes era de privilégio: todas as novas evoluções do motor pertenciam à equipa e isso fez com que a marca conquistasse títulos em 1998 e 1999, ambos com Mika Hakkinen ao volante, para além das dezenas de vitórias que alcançou desde o GP da Europa de 1997, do qual contribuíram pilotos como David Coulthard, Mika Hakkinen, Kimi Raikkonen, Lewis Hamilton, Fernando Alonso e Jenson Button.” 
Após esta transferência de privilégio, ambos os lados decidiram que iriam manter a relação até ao final de 2013, com opção para os dois anos seguintes, dando mais do que tempo para a marca procurar novos propulsores ou a construir o seu próprio motor, agora que ele já fabrica os seus próprios carros de estrada. Contudo, com o passar do tempo, não se viu sinais nessa direção, demonstrando que as prioridades para a marca seriam o prolongamento da parceria. Mas quando a Mercedes afirmou que a relação com a marca passaria para a de cliente, semelhante à que tem a Force India, provavelmente Martin Whitmarsh começou a pensar que já seria a altura de procurar novos parceiros.” (…)
Também nessa altura, recorri a um artigo escrito pelo jornalista James Allen – escrito a 7 de março no seu site – onde ele tinha uma entrevista feita ao analista Rudolf Ganter, do banco UBS, que fala de uma boa razão pelo qual a Honda teria de voltar à Formula 1: visibilidade. Pelo menos na Europa.
“[Ao contrário da Toyota], a Honda não é tão conhecida na Europa, pois eles sempre tiveram focados na Ásia e nos EUA. Um envolvimento na Formula 1 os poderia colocar de novo na Europa“, começou por afirmar.
Não se pode esquecer também o que está a acontecer com os produtos japoneses. O valor do iene enfraqueceu nos últimos tempos – desvalorizou-se cerca de 20 por cento face ao dólar e ao euro – e isso os coloca mais competitivos em relação à concorrência. Isso pode fazer com que tenham mais lucros ou então que vendam os seus carros de forma mais barata do que os seus concorrentes europeus e americanos.“, continuou.
A Honda sempre teve fama pelos seus motores de alta performance e o regresso à Formula 1 seria ótimo para a sua reputação. Nesse aspecto, um regresso desses faria sentido“, concluiu Ganter.
De uma certa maneira, o facto da Honda ter uma equipa oficial no WTCC, onde têm dois carros (para o italiano Gabriele Tarquini e o português Tiago Monteiro), para além de mais outro a ser preparado por um privado (nas mãos do húngaro Norbert Mischelisz), também serviria para lançar o nome da marca numa competição internacional com impacto na Europa, como é o WTCC. Os frutos dessa parceria estão a ser vitoriosos, pois ele já estão a ganhar corridas.
Claro, o regresso desta parceria vai ser grande, com impacto em ambos. A Honda vai “dar” os motores à McLaren, ajudando-os para fazer desenvolver e regressar a equipa ao topo (caso consigam, claro) e numa competição onde agora, com a nova regulamentação dos Turbo de 1.6 litros, os carros estão a ficar cada vez mais híbridos – por exemplo, o KERS vai dobrar a sua potência, recorde-se – isto poderá servir otimamente para os seus propósitos comerciais. É que as marcas japonesas estão desde há muito a apostar na tecnologia híbrida nos seus carros de estrada, e agora, os resultados estão à vista. Numa altura em que as marcas querem apostar nos elétricos, em 2012, uma marca como a Honda já vendeu mais de seiscentos mil carros híbridos, um pouco por todo o mundo. E isso já é obra.
E isto pode não ficar por aqui: surgem desde há algumas semanas outros rumores de que a Toyota poderá pensar também num regresso à Formula 1. Apesar de estar envolvido com o seu carro de fábrica na Endurance, tem a capacidade de desenvolver o seu próprio motor Turbo 1.6, e também estaria bem a tempo de apresentar o seu motor em 2015. Também esse regresso seria nos moldes que a Honda vai fazer com a McLaren. Mas o parceiro seria a Williams, pois faz algum sentido, já que elabora o seu próprio KERS e seria bem mais barato do que construir chassis e motor. E não se importa de ter a bordo um piloto talentoso como Kamui Kobayashi, um ex-piloto de testes da marca, ou Kazuki Nakajima
Em jeito de conclusão, a mudança de motores para 2014 já deu os seus primeiros frutos. Outros construtores poderão vir a seguir o mesmo rumo da Honda, o que será benéfico para a Formula 1, e quem sabe, outras competições.
Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s