A história das escolhas da Red Bull

A possivel escolha de Daniel Ricciardo para ser o substituto de Mark Webber poderá ser estranha para alguns, dado que ter Kimi Raikkonen ou até Fernando Alonso seria melhor do que o piloto australiano de 24 anos de idade. Mas para mim, a escolha de Ricciardo não me surpreende, porque a equipa de Milton Keynes está a seguir uma tendência na sua (ainda) curta história: a de formar os seus pilotos, através do seu programa da Junior Team. E se muitos criticam o programa pelo facto de “queimar” muitas carreiras, em termos de vantagem, permitiu ter-lhes um dos melhores pilotos da atualidade, o alemão Sebastian Vettel.
A Red Bull está na Formula 1 desde 1995, primeiro como patrocinadora da Sauber e partir de 2004 com equipa prória, quando Dietrich Mateschitz adquiriu a equipa de Formula 1 da Jaguar. Esta tinha como dupla o australiano Mark Webber e o austríaco Christian Klien. Klien era um dos pilotos que a marca tinha ajudado na carreira, depois de ter feito a outros pilotos como Enrique Bernoldi, Patrick Freisacher, Vitantoino Liuzzi e Scott Speed. Em 2005, Webber foi para a Williams (só ingressaria na Red Bull em 2007) e a equipa, com motores Cosworth na altura, decidiu manter Klien e dar uma chance em algumas corridas ao italiano Vitantoino Liuzzi.
O piloto austriaco ficou na Red Bull por mais uma temporada, mas foi embora antes do final da temporada, substituido por outro piloto da “cantera”, o holandês Robert Doornbos, que fez as três últimas corridas dessa temporada, sem dar nas vistas.
O regresso de Webber em 2007 (apesar do novo nome, a estrutura era a mesma) fez com que a Red Bull não pensasse mais em ir buscar pilotos da sua fileira, agora que tinha adquirido a Minardi, que a rebatizou de Toro Rosso. E foi ali que a meio desse ano a equipa despediu Scott Speed (depois de um famoso desaguisado com Franz Tost, em Nurburgring) para dar uma chance a um alemão que tinham apoiado nas categorias de acesso – Formula 3, World Series by Renault – e que naquele ano tinha feito uma corrida pela BMW Sauber: Sebastian Vettel.
Ao longo de ano e meio ao serviço da equipa de Faenza, Vettel aprendeu a guiar e a adaptar-se no pelotão da Formula 1 e o seu talento começou a ver-se, especialmente em 2008, quando obteve 35 pontos e um memorável fim de semana em Monza, quando fez a pole-position e venceu categoricamente, debaixo de chuva, na pista italiana. Até hoje, o piloto alemão é o mais bem sucedido de sempre na Toro Rosso e contribuiu decisivamente na reforma de Coulthard, no final dessa temporada. E com a chegada de Vettel à equipa principal, em 2009, coincidindo com a estadia de Adrian Newey como o projetista da marca (na realidade, ele já estava na equipa desde 2006), a marca começou a vencer corridas e campeonatos.
A dupla Vettel-Webber é uma das mais estáveis da Formula 1, tendo até agora estado juntos por cinco temporadas. Nestas 84 corridas que levam juntos, a equipa conseguiu 38 vitórias, 49 pole-positions e 35 voltas mais rápidas, bem como três Mundiais de Construtores e claro, três Mundiais de Pilotos. É certo que a equipa tornou-se agora numa das mais bem sucedidas da atualidade e arrisca-se a construir uma era na Formula 1, pois caminha quase inexoravelmente para um quarto título mundial em ambas as categorias, mas a marca austriaca não deixou de se desviar do seu guião em termos de pilotos, preferindo encontrar talentos para ganhar do que contratar os melhores. 
A escolha de Daniel Ricciardo não é mais do que a continuidade de um projeto, do qual faz parte a Toro Rosso. A equipa secundária serve exatamente para esse propósito, e a colocação de um dos seus pilotos na equipa principal a cada duas temporadas é o seu objetivo. Isto, se demonstrar que tem talento suficiente para tal, pois caso contrário, ou é dispensado sem cerimónias, como Scott Speed ou Jaime Alguersuari, ou acaba como terceiro piloto, como acontece agora com Sebastien Buemi. É que Ricciardo é apenas o segundo piloto que vem da Toro Rosso, depois de Vettel. E isso pode servir de aviso para Jean-Eric Vergne ou quem aí vêm, como por exemplo, António Félix da Costa. Mas claro, os frutos do talento só valerão a pena quando (e se) vazar um lugar na equipa principal. E tão cedo essa politica não será mudada… 
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3 pensamentos sobre “A história das escolhas da Red Bull

  1. Achei uma tremenda injustiça a demissão de Alguersuari, ele era muito melhor que os atuais pilotos da STR

  2. Respeitando a sua linha de raciocínio, mas esse australiano é só mais um entre vários do mesmo que estão ou já estiveram na F1, nada justifica sua elevação de nível.Tem gente muito melhor que ele livre no mercado, mas sabe como é que é, tem que vir da filial senão não emplaca. . .Zé Maria (Brasil)

  3. Olha, desdeo início dessa boataria toda que eu dizia: o mais sensato seria a escolha de Ricciardo.A Toro Rosso é escola da Red Bull, um degrau elevado da longa formação de pilotos deles, e – me julguem – acho que Ricciardo tem sim, potencial para andar na frente.

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