5ª coluna: As melhores duplas nem sempre são as mais fortes

A noticia de Kimi Raikkonen iria fazer o regresso à Ferrari na temporada de 2014, quatro anos depois de ter saído de lá, só deverá ter surpreendido quem acreditou até ao fim que as noticias referentes à sua chegada iminente fossem falsas. Tanto que quando a Renault soube da noticia, decidiu colocar dois coelhos em ação de cópula para dizer que aquilo lhes tinha doído um pouco.

Mas isso já era esperado. Kimi Raikkonen quer ganhar dinheiro e ter um carro competitivo, mas a Lotus, apesar do bom carro que têm entre mãos, não tem dinheiro para pagar o salário que Steve Robertson andou a pedir às outras equipas neste verão.E ele pediu vinte milhões de euros à Red Bul, antes desta em resposta fechar a porta na cara dele. Aliás, a Lotus deve dinheiro a toda a gente (mais de vinte milhões de euros são os prejuízos anuais) e até Kimi tem razões de queixa em termos de salário, pois alegadamente têm cerca de nove milhões de euros para receber. 

Para ele ir para a Ferrari, foi porque eles disseram “sim” à proposta da marca de Maranello. E se são capazes de pagar 30 milhões por Fernando Alonso, também são capazes de pagar um pouco menos pelo finlandês.

Agora pergunta-se: porque é que a Ferrari decidiu apostar em dois pilotos de primeira linha para a temporada de 2014? Há várias leituras para isto. Como é uma nova temporada em termos de motor e chassis, Luca di Montezemolo achou por bem que seria a altura ideal de atacar o dominio da Red Bull, pois estes vão apostar numa dupla teoricamente mais fraca, com Sebastian Vettel e Daniel Ricciardo. E uma segunda leitura serviria como aviso e desafio para Fernando Alonso, que sempre teve a equipa para si mesmo e nunca teve concorrência a sério durante os seus tempos na Scuderia – e na sua carreira, se exceptuarmos o que aconteceu com Lewis Hamilton na McLaren em 2007. Dois pilotos concentrados na vitória e deitar abaixo o domínio da Red Bull em 2014 é uma boa razão para escolher este tipo de dupla. 

Claro, os fãs deliram. Todos querem ver os melhores pilotos juntos em determinada equipa para vê-los lutando pela vitória, mas secretamente – ou nem tanto – para ver “o circo a arder”. As pessoas tendem a esquecer que os pilotos são egoistas: só querem vencer e que a equipa trabalhe para eles. Exemplos no passado não faltam, especialmente no final dos anos 80, inicio dos anos 90. Pedro Matos Chaves costumava dizer que, em 1990, Nigel Mansell (que na altura era patrão da sua equipa de Formula 3000 britânica) se queixava de Alain Prost, seu companheiro de equipa, pois este conseguia dar-lhe a volta nas reuniões porque este sabia falar italiano… e ele não. Daí que ambos não aguentaram mais do que uma temporada juntos.

E é aí que mora o perigo: o risco de volatilidade de uma dupla Alonso/Raikkonen. Há exemplos no passado de que o espanhol não aguentou quando teve um companheiro de equipa ao seu nível, sendo que o caso de Hamilton o mais óbvio. Mas mesmo entre outros pilotos de nivel equivalente, num passado mais ou menos distante, a convivência quase sempre foi de curta duração e muitas vezes terminou de forma amarga, para não falar de uma briga interna. O que irá fazer quando Alonso ouvir nos “headfones” de uma corrida qualquer: “Fernando, Kimi is faster than you”? Qual vai ser o limite do orgulho de Alonso?

E há um segundo fator a ter em conta: que chassis e motor a Ferrari irá ter em 2014? Será um conjunto capaz de bater os Renault e os Mercedes? Sabe-se que o túnel de vento de Maranello, uma peça fundamental em toda e qualquer construção de chassis, esteve mal calibrado durante o ano de 2012, e os problemas continuam por resolver, mesmo com as reparações que foram feitas ao longo deste ano, que fizeram com que o chassis desta temporada fosse em parte desenhado em Colonia, no túnel de vento da Toyota. Alguns criticos chegaram a dizer que esse túnel de vento deveria ser demolido para dar lugar a outro mais avançado, mas decidiu-se que o melhor seria renovar. Resta saber se estes problemas foram ou não resolvidos.  
Em jeito de conclusão: as duplas de sonho muitas vezes acabam em pesadelo. A História está farta de mostrar esses exemplos, especialmente na Formula 1. Mas somente a mente de Luca di Montezemolo para poder entender esta jogada em 2014. Os fãs estão a agradecer, mas muito provavelmente, a vai ser apenas até ao inicio da temporada.
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