Apreciação critica sobre "Rush", de Ron Howard

Estou a escrever estas linhas pouco depois de chegar a casa. Fui ver “Rush” logo no dia da sua estreia e consegui arrastar um amigo meu para ver o filme comigo, no qual agradeço desde já pela sua paciência. Era um filme que quis ver desde o momento em que vi as imagens das filmagens, no aeródromo de Blackbush, na Grã-Bretanha, no inicio de 2012, e à medida que lia as criticas sobre este filme, as minhas expectativas cresciam, e também os meus temores que tudo isto poderia ser uma “xaropada” feita por Hollywood.
No final, depois de duas horas de visualização, posso dizer que não foi. É magnifico, está muito bem feito. Posso dizer que esperei 50 anos para ver Hollywood a fazer um filme sobre Formula 1. Claro que não tenho essa idade, mas o que quero dizer é que desde “Grand Prix” que não temos nada disto. Temos “Le Mans”, é certo, mas somente o entendido é que gosta do filme, não a “gente comum”, porque não tem enredo.
O filme é fluido e veloz. Têm história – e tinha de ser, pois baseia-se em factos reais – e é centrado mais na luta entre James Hunt e Niki Lauda ao logo da sua carreira, e especialmente a temporada de 1976, com os outros protagonistas a serem muito secundarizados, quase caricaturais. Tirando o Clay Regazzoni e Alastair Caldwell, que têm muito mais falas – ri-me com o “Fitti-fucking-paldi to Coper-fucking-sucar” – o diretor desportivo da McLaren, temos Enzo Ferrari, Teddy Mayer, “Bubbles” Horsley, Alexander Hesketh, Louis Stanley, Simon Taylor – a fazer de ele mesmo! – são meras caricaturas, mas essenciais ao processo.
Quanto a Hunt e Lauda… os atores fizeram-os bem. Chris Hemsworth é um bom Hunt, mas ficas arrebatado com o Daniel Bruhl. Todos que conhecem pessoalmente Niki Lauda dizem que ele é Lauda reincarnado – a ironia é que ele está vivo! – absorvendo-o totalmente a sua personalidade. Fiquei impressionado com a brutalidade da personagem, a sua determinação e a sua vontade de viver, e percebi porque é que ele era considerado como “O Computador”. Porque sabia que ele era bom e queria provar a todos até que ponto queria ser campeão e que tinham uma impressão errada dele. Não admira que ele tenha pedido dinheiro para correr na March e na BRM e tenha sido bem sucedido. 
Quanto à temporada… mostraram o que tinham de mostrar: o acidente de Nurburgring está bem feito, bem real, e o resgate e tudo o resto impressionam. E as cenas de Mont Fuji são também impressionantes, com a chuva e aquilo que os pilotos tiveram de passar. Contudo, tive pena de que eles não terem mostrado os eventos de Brands Hatch, no GP da Grã-Bretanha. Se mostraram o que se passou em Jarama, acho que mais cinco ou dez minutos sobre esses eventos iriam enriquecer o filme, mas isso sou eu.
Agora, quanto às incoerências… curiosamente, estão concentradas no inicio do filme. Aquela cena de Crystal Palace nunca aconteceu – na realidade, foi Dave Morgan que sofreu com a fúria de James Hunt – a cena do teste de Paul Ricard com o BRM topas que é em Brands Hatch; só os “petrolheads” sabem que o acidente de Watkins Glen é uma mistura do acidente do francês Francois Cevért com a do austríaco Helmut Koinnigg, que aconteceram com um ano de intervalo. Só os entendidos sabem que parte foi a do piloto francês, que parte foi do austríaco… gostaria de os ter visto a fazer filmagens em Monza, Paul Ricard e Watkins Glen. Acho que enriqueceria a história.
Mas no final, são “picuinhices” que não alteram o filme. O essencial está lá, e o resultado é magnifico. Cumpre o objetivo de contar uma história, e cumpre o objetivo de impressionar o espectador. O meu amigo que foi comigo – que não é “petrolhead” – saiu de lá impressionado com o filme. Para mim, o objetivo foi alcançado: impressionar o não-fã. E Ron Howard, o realizador, e Peter Morgan, o argumentista, fizeram muito bem, como fizeram em outros filmes, como “Nixon/Frost”, por exemplo.
Em suma: tem tudo para ser o melhor filme de Formula 1 de todos os tempos. E é “oscarizável”. Vale a pena. Eu recomendo! 
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