A última vez que veremos a Índia

O subcontinente indiano têm cerca de mil milhões de pessoas, e tornou-se neste inicio do século XXI no segundo pais mais populoso do mundo, logo a seguir à China. E na última década e meia, está a abrir-se ao mundo em termos económicos e a mostrar o seu poder ao resto do mundo. E apesar da extrema pobreza existente, a classe média é tão grande do que, por exemplo, da Europa Ocidental, que têm uma percentagem de pobres bem mais baixa. E é isso que as grandes empresas e organizações vêm no país de Mahatma Gandhi, independente desde 1947.
Contudo, a Índia têm problemas graves para resolver. Apesar de ser uma democracia, o país batalha com grandes problemas, sendo a corrupção uma delas. A extraordinária burocracia existente, segundo contam alguns testemunhos, pode exasperar a paciência de monges, daí que muitos recorram a esse expediente para despachar alguns processos. Para além disso, há um certo orgulho nacionalista que faz com que certas ideias vindas de foram sejam pouco ou mal aceites. E parece que a Formula 1 é uma delas.
Este final de semana veremos o GP da Índia, e provavelmente será a última vez que a veremos em muito tempo. Sabe-se que não virá em 2014, alegando problemas orçamentais, com a promessa de que haveria um regresso em 2015. Mas pelo que leio esta semana, nem isso deverá acontecer: segundo o Joe Saward, o governo do estado de Uttar Pradesh, onde fica situado o circuito Jaypee, pediu aos tribunais para que retire à Formula 1 a isenção da taxa de entretenimento ao qual toda a gente está obrigada a pagar, sempre que alguém vai à Índia. É que para eles, a Formula 1 não é um desporto, e sim algo semelhante a um concerto de musica, por exemplo. Ou seja: 22 carros numa pista é o equivalente ao concerto de Justin Bieber ou de algum mega-artista de Bollywood.
A decisão não me surpreende de todo. Há uns meses, em agosto, o presidente da federação de automobilismo da Índia, Vicky Chandhok – o pai do Karun, já agora – queixava-se à Forbes India que graças às burocracias e a falta de apoio governamental, a Formula 1 estava a fugir de um pais que chegou a ter dois pilotos e têm uma equipa. Há algum entusiasmo, é certo, mas nunca houve magotes de gente a irem ao circuito e acampar nas imediações, por exemplo. E os bilhetes não são tão caros assim.

Eis o que ele disse na altura: “Daquilo que eu estou a entender, estão a tentar cobrar 1/19 avos porque existem 19 corridas, do qual se inclui a Índia.  E o mais estranho no meio disto tudo é que estão a querer taxar 1/19 avos das receitas [da Formula 1] e não dos lucros. Ora, neste campo, ou encorajamos a receber eventos desportivos, ou a largamos, como a que dizer ‘vão para o Inferno’. Depois do que aconteceu nos Jogos da Commenwealth [realizados em outubro de 2010 em Delhi], fizemos um bom trabalho quando recebemos a Formula 1. É um motivo de orgulho e deveria ser tratado como tal.“, começou por afirmar. 

Um pouco por todo o mundo, todos os governos providenciam dinheiro para receber a Formula 1, com a excepção do Reino Unido e a Índia Eles o fazem porque reconhecem o seu valor em termos turísticos ou uma maneira de promover o seu país no estrangeiro. Aqui na Índia encontramos todas as formas possíveis de cobrar taxas alfandegárias de todo o tipo. Nós não estamos a dar as boas vindas, estamos a dizê-los que não são desejados.“, concluiu. 

De uma certa forma, a acontecer, o desaparecimento definitivo da Índia do calendário até se torna numa bênção. Não só por ser um tilkódromo insonso, mas pelo facto da burocracia governamental não facilitar a vida a ninguém. Tirar um visto para estar lá é complicado, movimentar as bagagens para Nova Delhi também é um inferno, porque é um país onde o funcionário público é rei e senhor, e todos têm de ir à velocidade deles. E ao contrário de alguns países, onde fizeram leis para facilitar as coisas em relação ao “circo da Formula 1 – ironicamente, o Bahrein é uma delas – na Índia, todos têm de seguir a lei, por mais opressora que seja para a circulação de pessoas e bens. E num mundo onde o circo têm de estar ali num dia e noutro lugar noutro, um bando de chatos é a pior coisa que se pode ter. Então, é preferível cortar o mal pela raiz. Até ao dia em que mude a lei. 

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