Um "Brutto, Sporco e Cattivo" com dinheiro

Por estes dias, Pastor Maldonado deve ser dos pilotos mais detestados pelos fãs do automobilismo. Veloz, mas demasiado agressivo, andou este último ano frustrado com o carro que teve na Williams, que lhe rendeu apenas um ponto nesta temporada. Para além disso, a sua personalidade agressiva – alguns consideram isso arrogância pura e dura – e o facto de ele ter entrado na Formula 1 com dinheiro governamental na carteira, seria de esperar que esta temporada tenha sido de tensões. Tensões que se vêm na pista, especialmente neste domingo, quando esteve envolvido no acidente com o Force India de Adrian Sutil.

O alemão reclamou vivamente da manobra do venezuelano, que aconteceu no final da primeira volta: “O que aconteceu poderia ter terminado de forma diferente. Foi a quase 300 km/h, tocando no pneu traseiro. Eu poderia ter rodado e havia cinco ou seis carros atrás. Nós queremos sair destes carros vivos. Você tem que pensar um pouco às vezes.”, disse Sutil.

Claro, Maldonado pensou de forma diferente: “Foi muito estranho. Eu não esperava aquele contato de Sutil. Estávamos lado a lado e eu estava perdendo um pouco. Ele também não me viu ou talvez pensou que já tinha me passado. Minha asa dianteira estava lá e houve o toque.” 

“Não tenho nada contra ele e é muito difícil de ver quando os carros estão lado a lado. Algumas vezes, aconteceu isso comigo também no passado, não é algo muito importante.”

Para Maldonado, Austin foi um fim de semana de pesadelo. Uma má qualificação – em contraste com o seu companheiro, Valtteri Bottas – que foi nono na grelha e oitavo na corrida – e as acusações de que os membros da Williams andaram a “sabotar” o seu carro, parece desculpa de mau pagador: “Foi um começo de fim de semana bem difícil. Ontem, nesta manhã, ainda pior na qualificação. Eu acho que nunca extraí 100% dos pneus. Acho que alguém andou a brincar com a pressão e a temperatura do meu carro, não é tão claro assim. Mas, é, falta só uma corrida, então ótimo”, desabafou.
Como seria de esperar, a Williams negou as acusações.“Nunca na Williams, na nossa experiência ou na nossa história, faríamos algo assim”, assegurou Claire Williams, a filha de Frank. 
Em termos de corrida, o venezuelano ficou num distante 17º posto, e provavelmente deve estar à espera que acabe de vez a temporada. Aliás, alguns dias antes afirmou que “estou muito feliz. Em Singapura optei por deixar a equipa e a decisão foi 100 por cento minha”. O piloto acredita que “fiz mais pela equipa do que ela fez por mim. Conseguimos uma vitória, tivemos um bom resultado no ano passado e, mesmo este ano, fizemos boas corridas. Mas não é tudo, espero algo mais na Fórmula 1”, revelou. 

Nesta segunda-feira depois do Grande Prémio, mais calmo, Maldonado veio à imprensa admitir que exagerou: “Quando chega o final da temporada, você está mais stressado, mas só porque quero algo mais e entregar 100%, mas estou limitado pelo carro. Às vezes você pode dizer mais do que deveria. Para mim, não é fácil deixar esta equipa, tenho um grande relacionamento e amigos. Claro, tem algumas pessoas que eu não gosto, mas talvez elas não gostem de mim também. É como numa família. Numa família você pode ter algumas diferenças. Agora é muito tarde e eu estou deixando a equipa, mas desejo todo o melhor a eles”, encerrou.

Ao longo deste fim de semana, quando lia as declarações dele e lia as reações aos incidentes do fim de semana, lembrei de outra personagem famosa de uma geração passada, que também tinha o seu patrocínio pessoal, que também tinha uma personalidade complicada e um pé pesado: Vittorio Brambilla.

Não era por acaso que o chamavam de “Gorila de Monza”: tinha uma estatura forte e o seu aperto de mão era de tal forma apertado que todos o temiam cumprimentá-lo ou cruzar com ele. as suas aventuras com o seu irmão mais velho, Ernesto “Tino” Brambilla, eram lendárias. Conta-se, certo dia, que os irmãos aproveitaram uma greve dos transportes em Milão para roubarem dois autocarros e os levar para Monza… sem que os passageiros se apercebessem. E lá, ambos degladiaram-se para saber quem conseguiria ser mais rápido com todo aquele “lastro”!
Vittorio era de Monza e cresceu rodeado de automobilismo. Nascera a 11 de novembro de 1937 e crescera a ser mecânico, devido à sua paixão. Andou pelas motos, mas em 1968 foi para os automóveis, onde graças a um gordo patrocinio pessoal da firma de ferramentas mecânicas Beta – que o iria acompanhar por toda a sua carreira – se tornou campeão italiano de Formula 3 em 1972… quando já tinha 35 anos. Dois anos depois, já estava na Formula 1, ao serviço da March, onde mostrou simultâneamente rapidez… e agressividade.

Era frequente as suas corridas acabarem com motores partidos ou com acidentes. Há uma história que é contada por Peter Windsor, por alturas do infame GP da Alemanha de 1976, em Nurburgring, onde numa conversa entre Niki Lauda e Ronnie Peterson, referem Brambilla nos seguintes termos:

– Não há hipótese da pista secar antes do final do treino, diz o sueco. 
– Não, nada – responde Lauda 
– Fiz muitas modificações no meu carro e se calhar vou começar a corrida amanhã sem as experimentar. E tu, quantas voltas deste? 
– Seis. 
– E? 
– Bom, ainda estou aqui… Bom, tivemos alguns problemas. Vittorio (Brambilla) saiu de pista esta manhã. E é ele que toma conta do nosso departamento de testes!
Contudo, ele era excelente numa coisa: à chuva. A temporada de 1975 tinha sido excelente para ele. Colocava frequentemente o seu March nos lugares da frente e em Anderstorp, fez a pole-position (que muitos colocam em dúvida), mas a sua coroa de glória foi uma tarde austriaca de agosto. Brambilla foi quarto na grelha, e o dia de domingo começara com sol, mas o “warm up” ficou marcado pelo despiste do March de Mark Donohue, que devido a um furo lento na curva Hella-Licht, bateu com o carro contra uma placa de publicidade e atropelou dois comissários, um deles mortalmente. O americano bateu com o capacete numa das pernas dessa placa, e sem ele saber, tinha sofrido uma hemorragia craniana. Quando detectaram já era tarde demais e acabaria por morrer dois dias depois, em Graz.

Mas enquanto esse drama acontecia, outro drama aparecia: o tempo tinha mudado fortemente e estava a chover na hora da partida. A corrida foi um duelo a três entre Brambilla, Lauda e o Hesketh de James Hunt. O italiano aproveitou uma hesitação do britânico – quando ambos dobravam o carro de Brett Lunger – para passar na frente da corrida. E esta acabou na volta 29, quando a chuva caiu ainda mais forte, a corrida foi interrompida com… a bandeira de xadrez. O italiano viu e comemorou fortemente, agitando os punhos no ar… e perdendo o controlo do carro, batendo no muro de proteção das boxes!

Não deixo de confessar ter pensado no Brambilla quando me lembro do incêndio nas boxes da Williams em Barcelona, momentos depois da vitória do venezuelano…

Claro que Brambilla nem sempre foi o “signore Disastro“. Em 1977, em paralelo com a sua temporada na Surtees, ajudou a Alfa Romeo a vencer o Mundial de Endurance, com o modelo T33. Por esta altura já tinha 40 anos, mas a carreira do italiano acabou na sua Monza natal, em 1978, quando se envolveu no acidente da largada, levando com um pneu na cabeça. O seu estado de saúde era dos mais preocupantes – ate mais preocupante que Ronnie Peterson – mas eventualmente recuperou dos ferimentos, ao contrário do piloto sueco. Voltou aos carros em 1979, ajudando a aventura da Alfa Romeo na Formula 1, mas os seus melhores dias tinham ficado para trás. A sua última corrida não foi em Monza, mas sem em Imola, em 1980.

Os dias de Brambilla terminaram de vez a 26 de maio de 2001, quando cortava a relva da sua casa, em Monza, ao sofrer um ataque cardíaco que revelou fatal.

Ora, porque a comparação com Maldonado e o título em cima deste post? Primeiro que tudo, é um filme italiano de 1976, dirigido por Ettore Scola, cujo titulo em português é “Feios, Porcos e Maus”. E segundo, existem paralelismos entre ambos os pilotos. O patrocínio que levam para todo o lado, a impressionante rapidez e a agressividade em idênticas proporções e a tendência para não serem os pilotos mais simpáticos do pelotão, embora ache que o venezuelano julgue que têm o direito divino de correr, só porque têm 50 milhões de dólares na carteira, vindos do estado venezuelano. E ao dizer todas aquelas palavras feias à Williams, parece que ele está a ser mal agradecido pela possibilidade de eles lhe terem dado um chassis para correr na Formula 1.

Ainda tenho esperança de que Maldonado ganhe juízo, como ganhou este ano Romain Grosjean. Aliás, estes dois têm algo em comum: tiveram filhos este ano. O francês tornou-se numa pessoa bem mais calma – e isso repercute nos pódios que ele teve nesta temprada – e a reputação do francês, que antes era considerado como um perigo, é agora bem mais alta. Em suma, ele ganhou um cérebro. Talvez seja altura de Maldonado ganhar o seu e evitar que seja conhecido como um “pay driver” ou “O Brutamontes de Caracas“… 

Foirmula 1 2013 – Ronda 18, Estados Unidos (Qualificação)

A ronda americana da Formula 1 parece que veio para ficar. Apesar de todos os preconceitos anteriores – circuito no meio do Texas, desenhado por Hermann Tilke – após dois anos, já conquistou toda a gente. Austin não é Texas – aliás, um dos ditados mais famosos localmente é “Keep Weird, Austin!” – e desta vez, Hermann Tilke acertou a mão, fazendo um circuito desafiador para os pilotos e atraente para os espectadores.
O Circuito das Américas tornou-se num destino popular, e a prova disso são as bancadas cheias de espectadores para este fim de semana. Não estarão só cheias de americanos, como também de estrangeiros, especialmente mexicanos, que terão este ano dois representantes na categoria máxima do automobilismo para os aplaudir e apoiar, mesmo que nesta altura, saibamos que Perez esteja de saída da McLaren e Esteban Gutierrez esteja em dúvida na Sauber.
Sem possibilidades de chuva -mas com tempo encoberto – a qualificação começa normalmente, com os pilotos a queixarem-se de falta de tração na pista. Estes só conseguiam marcar tempos mais tarde do que o habitual, e os últimos a sair para a pista foram os Red Bull. Webber foi o primeiro e… ficou com o melhor tempo até então: 1.38,493. A seguir, veio Lewis Hamilton respondeu, marcando 1.37,959 e à medida que o tempo acabava, o tempo melhorava com um surpreendente Valtteri Bottas, com 1.37,821. Em contraste, o seu companheiro de equipa Pastor Maldonado não conseguia passar da Q1.
Ao mesmo tempo que o jovem finlandês marcava um tempo, Adrian Sutil saia de pista no final da curva 1 e teve depois problemas de transmissão no seu Force India. Com isso, o alemão de origem uruguaia fazia companhia a Maldonado e aos Caterham e Marussia como os primeiros eliminados nesta qualificação americana.
Passado para o Q2, os pilotos começaram a marcar temos, com Hamilton a ser o melhor, com 1.38,104 segundos. Mas a meio da qualificação, a temperatura da pista baixou e o asfalto estava a melhorar, fazendo com que os tempos baixassem. Romain Grosjean tirou meio segundo, com 1.37,523, antes de Mark Webber tirar mais um pouco, com 1.37,312. A dois minutos do fim, Sebastian Vettel faz 1.37,065 segundos e fica no topo da tabela.
Com o final do segundo sector, houve algumas surpresas. Bottas e Heiki Kovalainen conseguiram passar para a Q3, em contraste com Felipe Massa, que não conseguiu mais do que o 16º tempo, pior do que Nico Rosberg, que foi o 14º e Jenson Button, apenas com o 12º melhor tempo. Como ele vai perder mais três lugares devido ao incidente de ontem, onde passou um carro sob bandeiras vermelhas, as coisas para ele também não andam boas.
E assim passamos para a Q3, onde os dez melhores estavam lá. Mark Webber foi o primeiro a marcar tempo, com 1.36,699 segundos. Vettel não conseguiu marcar melhor tempo, e parecia que iria ser o australiano a fazer a pole, melhorando para 1.36,441. Mas no último momento, Vettel faz a pole, com 1.36,338, fazendo a 44ª pole-position na sua carreira. E a Red Bull esteve numa liga à parte, pois o terceiro classificado, o francês Romain Grosjean, fez apenas 1.37,155 segundos. E o Lotus ficou na frente do Sauber de Nico Hulkenberg – 1.37,226, fabuloso! – e o Mercedes de Lewis Hamilton.
Quanto ao resto da grelha, Fernando Alonso foi apenas o sexto no seu Ferrari, enquanto que Sergio Perez conseguiu um ótimo sétimo posto, na frente do regressado Heiki Kovalainen, o Williams de Valtteri Bottas e o outro Sauber de Esteban Gutierrez.
Com isto, a grelha estava definida para a corrida de amanhã. Parece que poderemos ver mais um passeio dos energéticos, como é apanágio desta temporada, mas toda a gente deseja que em Austin, possamos esperar algo mais interessante do que isso.   

Foirmula 1 2013 – Ronda 18, Estados Unidos (Qualificação)

A ronda americana da Formula 1 parece que veio para ficar. Apesar de todos os preconceitos anteriores – circuito no meio do Texas, desenhado por Hermann Tilke – após dois anos, já conquistou toda a gente. Austin não é Texas – aliás, um dos ditados mais famosos localmente é “Keep Weird, Austin!” – e desta vez, Hermann Tilke acertou a mão, fazendo um circuito desafiador para os pilotos e atraente para os espectadores.
O Circuito das Américas tornou-se num destino popular, e a prova disso são as bancadas cheias de espectadores para este fim de semana. Não estarão só cheias de americanos, como também de estrangeiros, especialmente mexicanos, que terão este ano dois representantes na categoria máxima do automobilismo para os aplaudir e apoiar, mesmo que nesta altura, saibamos que Perez esteja de saída da McLaren e Esteban Gutierrez esteja em dúvida na Sauber.
Sem possibilidades de chuva -mas com tempo encoberto – a qualificação começa normalmente, com os pilotos a queixarem-se de falta de tração na pista. Estes só conseguiam marcar tempos mais tarde do que o habitual, e os últimos a sair para a pista foram os Red Bull. Webber foi o primeiro e… ficou com o melhor tempo até então: 1.38,493. A seguir, veio Lewis Hamilton respondeu, marcando 1.37,959 e à medida que o tempo acabava, o tempo melhorava com um surpreendente Valtteri Bottas, com 1.37,821. Em contraste, o seu companheiro de equipa Pastor Maldonado não conseguia passar da Q1.
Ao mesmo tempo que o jovem finlandês marcava um tempo, Adrian Sutil saia de pista no final da curva 1 e teve depois problemas de transmissão no seu Force India. Com isso, o alemão de origem uruguaia fazia companhia a Maldonado e aos Caterham e Marussia como os primeiros eliminados nesta qualificação americana.
Passado para o Q2, os pilotos começaram a marcar temos, com Hamilton a ser o melhor, com 1.38,104 segundos. Mas a meio da qualificação, a temperatura da pista baixou e o asfalto estava a melhorar, fazendo com que os tempos baixassem. Romain Grosjean tirou meio segundo, com 1.37,523, antes de Mark Webber tirar mais um pouco, com 1.37,312. A dois minutos do fim, Sebastian Vettel faz 1.37,065 segundos e fica no topo da tabela.
Com o final do segundo sector, houve algumas surpresas. Bottas e Heiki Kovalainen conseguiram passar para a Q3, em contraste com Felipe Massa, que não conseguiu mais do que o 16º tempo, pior do que Nico Rosberg, que foi o 14º e Jenson Button, apenas com o 12º melhor tempo. Como ele vai perder mais três lugares devido ao incidente de ontem, onde passou um carro sob bandeiras vermelhas, as coisas para ele também não andam boas.
E assim passamos para a Q3, onde os dez melhores estavam lá. Mark Webber foi o primeiro a marcar tempo, com 1.36,699 segundos. Vettel não conseguiu marcar melhor tempo, e parecia que iria ser o australiano a fazer a pole, melhorando para 1.36,441. Mas no último momento, Vettel faz a pole, com 1.36,338, fazendo a 44ª pole-position na sua carreira. E a Red Bull esteve numa liga à parte, pois o terceiro classificado, o francês Romain Grosjean, fez apenas 1.37,155 segundos. E o Lotus ficou na frente do Sauber de Nico Hulkenberg – 1.37,226, fabuloso! – e o Mercedes de Lewis Hamilton.
Quanto ao resto da grelha, Fernando Alonso foi apenas o sexto no seu Ferrari, enquanto que Sergio Perez conseguiu um ótimo sétimo posto, na frente do regressado Heiki Kovalainen, o Williams de Valtteri Bottas e o outro Sauber de Esteban Gutierrez.
Com isto, a grelha estava definida para a corrida de amanhã. Parece que poderemos ver mais um passeio dos energéticos, como é apanágio desta temporada, mas toda a gente deseja que em Austin, possamos esperar algo mais interessante do que isso.   

Rumor do dia II: Nasr a caminho da Sauber?

Outra das noticias da tarde veio do Brasil, mais concretamente do inefável Américo Teixeira Jr., do Diário Motorsport. O jornalista brasileiro afirma que o seu compatriota Felipe Nasr não será mais piloto reserva da Williams, e poderá estar a caminho de uma vaga de titular… na Sauber.
Aparentemente, a equipa de Hinwill resolveu não esperar mais pelo dinheiro russo – que colocava o juvenil Serguei Sirotkin dentro de um carro como piloto titular – e passou à procura de outros dinheiros. Sergio Perez poderia ser um possivel candidato ao cargo, graças aos dinheiros mexicanos, mas há fontes no Brasil que afirmam que o piloto de 21 anos poderá estar prestes a assinar – ou poderá ter já assinado – um acordo com a Sauber, a troco dos patrocínios que ele poderá levar.
Uma coisa é certa: parece que o piloto brasileiro já não vai ser piloto de reserva da equipa de Grove. Veremos os próximos capítulos.

Rumor do dia II: Nasr a caminho da Sauber?

Outra das noticias da tarde veio do Brasil, mais concretamente do inefável Américo Teixeira Jr., do Diário Motorsport. O jornalista brasileiro afirma que o seu compatriota Felipe Nasr não será mais piloto reserva da Williams, e poderá estar a caminho de uma vaga de titular… na Sauber.
Aparentemente, a equipa de Hinwill resolveu não esperar mais pelo dinheiro russo – que colocava o juvenil Serguei Sirotkin dentro de um carro como piloto titular – e passou à procura de outros dinheiros. Sergio Perez poderia ser um possivel candidato ao cargo, graças aos dinheiros mexicanos, mas há fontes no Brasil que afirmam que o piloto de 21 anos poderá estar prestes a assinar – ou poderá ter já assinado – um acordo com a Sauber, a troco dos patrocínios que ele poderá levar.
Uma coisa é certa: parece que o piloto brasileiro já não vai ser piloto de reserva da equipa de Grove. Veremos os próximos capítulos.

Noticias: Felipe Massa é piloto da Williams

Se ontem, Felipe Massa foi a Mugello para se despedir dos “tiffosi”, não ficou muito tempo sem abrigo na Formula 1: esta tarde, a Williams confirmou que o piloto brasileiro de 32 anos será o seu piloto, ao lado do finlandês Valtteri Bottas, na temporada de 2014. Se o anuncio pode ser surpreendido alguma gente, no meu campo não me surpreendeu: o Américo Teixeira Jr. já tinha dito há três semanas no seu sitio, o Diário Motorsport. E segundo o que se disse na altura, o contrato que o piloto brasileiro assinou pela equipa de Grove será para cinco temporadas.

Ainda em Mugello, Massa já falava sobre a sua mudança para a equipa de Grove: “A Williams é uma das equipes mais importantes e bem-sucedidas de todos os tempos na Formula 1. Quando eu era criança, sonhava correr pela Williams, Ferrari ou McLaren. Fico contente em assinar com outro ícone do desporto logo depois de deixar a Ferrari“, elogiou, em declarações captadas pelo site brasileiro Grande Prêmio.

Vale lembrar que vários dos melhores pilotos brasileiros correram pela marca e ajudaram a consolidar uma forte ligação do país com a Williams.“, acrescentou.

Quanto a Frank Williams, o mítico fundador e patrão da marca espera que a chegada de Massa ajude a colocar a equipa de volta ao seu auge: “Felipe é um talento excepcional e um real lutador nas pistas. Ele também traz uma experiência valiosa a este novo capítulo de nossa história.”

Opinião corroborada pela sua filha Claire: “Massa vem demonstrando velocidade e talento nestes anos, bem como habilidade em motivar e conduzir uma equipe rumo ao sucesso. A estabilidade dos pilotos, que têm contrato de vários anos, a Mercedes como parceira de motores e uma base comercial sólida contribuirão para o futuro sucesso da marca“, encerrou.

Em relação às alterações técnicas para a temporada de 2014, Massa afirma estar preparado para o desafio de competir com novas especificações aerodinâmicas e encarar os novos motores turbo V6 de 1,6 litros. “Desde que comecei a correr, não me lembro de uma temporada com tantas mudanças no regulamento. Mas estou preparado para fazer o melhor junto com todos na fábrica em Grove e para encontrarmos a direção certa“, comentou.
Assim sendo, Felipe Massa será o sexto brasileiro a correr efetivamente na equipa Williams, depois de Nelson Piquet, em 1986 e 1987, Ayrton Senna, em 1994, Antônio Pizzonia em 2004 e 2005, Rubens Barrichello em 2010 e 2011, e Bruno Senna, em 2012. Massa irá substituir o venezuelano Pastor Maldonado, que poderá estar de malas prontas para a Lotus-Renault.
A Williams poderá estar na mó de baixo nestes últimos tempos – apenas um ponto nesta temporada, depois de uma vitória em 2012, em Barcelona, mas os próximos tempos poderão ser melhores, dado que terá motores Mercedes para a temporada 2014, graças aos contactos com Christian “Toto” Wolff. E Frank Williams poderá estar a convencer Ross Brawn a trabalhar com ele, embora tenha a forte concorrência da Honda…

Adelaide 1993: o final de uma era

Como o tempo voa: no passado dia sete de novembro completaram-se vinte anos sobre aquele GP da Austrália de 1993. Uma corrida onde tudo estava decidido, mas que toda a gente sabia que era o final de uma era gloriosa da Formula 1, e do automobilismo em geral.
Ao longo daquela temporada sabia-se quem iria ser o campeão: Alain Prost. Uma máquina do outro mundo, o Williams FW15, projetada por Adrian Newey (onde é que já vimos isto?) tinha feito regressar o piloto francês, que após ter saído da Ferrari pela porta pequena, no final de 1991, e vendo as poucas alternativas, decidiu que o melhor seria ficar a assistir das tribunas o domínio de Nigel Mansell na pista, a bordo do Williams FW14. 
Mas enquanto assistia a tudo isso, foi assegurar o seu futuro: logo em fevereiro de 1992, começou a falar com Frank Williams para ficar com o lugar em 1993, num contrato de duas temporadas. Sabendo que a Renault gostaria de ter um francês nas suas fileiras, o acordo foi veloz, mas ficou secreto até setembro daquele anos, quando foi revelado. Mansell – que tinha trabalhado com Prost na Ferrari em 1990 e detestou – ficou furioso e decidiu sair da Formula 1 com o seu titulo mundial e rumar aos Estados Unidos e a uma CART no seu auge. Bernie Ecclestone, que nunca escondeu a hostilidade por concorrência, aproveitou para retaliar e foi buscar Michael Andretti, colocando-o na McLaren, para ser “devorado” por Ayrton Senna. Porque digo isso? Bom, quando em março li a entrevista dele ao site brasileiro Grande Prêmio, pelo Renan do Couto, entendi que não gosta de falar sobre a sua passagem pela Formula 1…
Mas estou a fugir ao assunto: o “tetra” de Alain Prost foi uma linda auto-estrada, mas com mais buracos do que os que Nigel Mansell teve. Primeiro porque o FW15C não conseguiria ser a máquina que foi o chassis anterior, mas foi superior à concorrência. Depois, Damon Hill não era um parceiro que ameaçasse Prost, mas quando o filho de Graham Hill aprendeu o suficiente, começou a brilhar, a partir da segunda metade da época. E por fim, de uma certa forma, teve Ayrton Senna, que provavelmente deve ter feito a sua melhor temporada de sempre.
A temporada de Senna em 1993 é aquela que muitos sonham atualmente com Fernando Alonso: um piloto campeão com um mau chassis e um mau motor. Os alonsistas muitas das vezes olham para a temporada de 1993, porque querem provar que Sebastian Vettel é o campeão que muitos apregoam porque corre com o chassis desenhado por Adrian Newey E agarram isso como lapas desde que Alonso o disse na qualificação do GP da Índia de 2012. O problema dessa gente é que não conseguem admitir que Alonso e Vettel se equivalem, e Vettel não é o “burocrata” que Alain Prost se tinha tornado em 1993. Portanto, nesse campo, a história não se repete.
Como disse, o título de Prost foi burocrático. Fez o suficiente para ser campeão, e quando o conseguiu, no Estoril, anunciou que se iria embora de vez. Tinha 38 anos e 51 vitórias, e achava que era mais do que suficiente para ficar na história. É verdade, mas quem se recorda da corrida portuguesa, sabe que ele deixou-se ficar atrás do Benetton de Michael Schumacher, que ali conseguiu a sua segunda vitória da sua carreira. A segunda… de 91 corridas a terminar no lugar mais alto do pódio.
Contudo, quero concentrar-me na corrida de Adelaide. Nessa altura, Senna estava na mó de cima: vencera em Suzuka e tinha feito a pole-position na pista australiana, a única até então naquela temporada. Já se sabia que Senna iria sair da McLaren, após seis temporadas de excelentes serviços, especialmente naquela última, onde tinha vencido quatro corridas, uma delas, a de Donington Park, após uma primeira volta épica, colocando os Williams “no chinelo”, num carro inferior, com motor Ford cliente, pois a prioridade nesse ano era a Benetton, de um Michael Schumacher a mostrar que era um bom piloto.
A corrida não teve grande história em si: Senna foi para a frente na primeira curva – onde Pedro Lamy seria o primeiro desistente, quando foi tocado pelo Larrousse do japonês Toshio Suzuki – e aguentou as coisas até à volta 24, quando foi às boxes e perdeu o comando para o Williams de Prost. Recuperou o lugar na volta 29 e nunca mais de lá saiu até à meta. Ali, tirou uma bandeira brasileira que tinha no seu bolso e a mostrou para toda a gente ver, comemorando a sua 41ª vitória da sua carreira.
Alain Prost, contudo, não foi o único piloto que encerrou a sua carreira nesse dia: discretamente, na oitava posição, estava o Benetton de Riccardo Patrese, tinha parado na volta anterior, mas estava ali a completar a sua 256ª participação na Formula 1. Um longo caminho aquele italiano tinha percorrido desde 1977, no Mónaco, ao volante de uma Shadow. E também outro veterano pendurava o capacete naquele dia: o britânico Derek Warwick, ao volante do seu Footwork-Arrows, depois de mais de uma década de bons serviços, na Toleman, Renault, Brabham, Arrows e Lotus. E parecia que esta seria a última corrida de Andrea de Cesaris, depois de uma péssima temporada na Tyrrell, mas conseguiu uma extensão em 1994, na Jordan e Sauber, e conseguiu chegar aos 204 Grandes Prémios com um recorde: nunca venceu qualquer vez.
Nas boxes da McLaren, todos choravam: Ron Dennis, Jo Ramirez e depois, o próprio Senna. Sabiam todos que era o final de uma era dourada naquela equipa, recheada de títulos e vitórias, e também de momentos dificeis que tinham conseguido superar. Todos sabiam em Woking que uma era na Formula 1 tinha acabado. E depois no pódio, Senna, magnâmio, brindava Prost. Era o reconhecimento que todos esperavam de que Prost tinha sido o seu melhor e mais duro adversário da sua carreira. Nem sempre as coisas foram leais, mas ali, não havia inimizade ou ódio.
Quanto a Prost, parecia que o seu sentimento era de alívio: “Fiquei feliz por ter subido ao pódio. Claro que teria gostado de ganhar, mas foi dificil. Esforcei-me muito para manter a concentração. Paciência, é o fim da história. Depois da bandeirada [de xadrez], na minha volta de arrefecimento, disse para mim próprio que podia suspirar: em treze temporadas de Formula 1, nunca me feri gravemente!“, disse na conferência de imprensa após a corrida.
No dia a seguir, no jornal francês “L’Équipe”, o jornalista Francois Reste escrevia o seguinte:
Como nas cédulas de dinheiro, revelando em filigrana o rosto de uma personagem célebre, a carreira de Alain Prost teve sempre a sombra de Ayrton Senna. Desde 3 de junho de 1984, num GP do Mónaco chuvoso, que revelara o novo prodigio, o cenário da Formula 1 se articulou à volta destas duas personagens principais, que chegaram ao paroxismo da sua rivalidade em 1988 e 1989, os anos da sua co-habitação na McLaren, levados com inteligência, mas pontuados por uma severa ruptura.

Durante esses quase dez anos, os feitos de Prost não teriam talvez tido a mesma importância se Senna não existisse, e o contrário também é verdade. Será agora necessário nos habituar à ideia de um sem o outro. como um casal jamais separado. Senna sem Prost, será um pouco sem Dom Quixote sem o Sancho Pança.

Se já dá para sentir o enorme vazio que a “aposentadoria” de Prost vai fazer a partir de 1994, Senna ficará mais órfão que todos nós. Ao volante da sua Williams-Renault, o último campeão mundial ainda em atividade, vai sentir-se bem solitário, mau grado todos esses jovens ainda longe de terem atingido a sua dimensão: Schumacher, Hill, Hakkinen, e o nosso Alesi. A sua caça aos recordes de Prost, notadamente de vitórias, para o qual já só faltam dez sucessos, fará provavelmente sobressair ainda mais a ausência do seu alter ego. 
Senna sabe tudo isso. Como homem inteligente e sensível, não pode deixar de pensar nisso no momento em que derramou uma lágrima depois da chegada deste emocional GP da Austrália. este romance que acaba de chegar ao fim com o adeus de Alain Prost, e também um livro que se fecha sobre ele. Na sua nova vida que chega, haverá um pouco da sua juventude que se vai.
Aquela era, do qual jornalistas como Francois Reste, Francisco Santos e outros estavam a anunciar o seu fim naquele novembro de 1993, menos de seis meses depois, em Imola, os amantes do automobilismo em geral, e da Formula 1 em particular, iriam sentir de forma dura, inesperada e cruel, este sentimento de orfandade. Contudo, naquele fim de semana, Senna conseguiu demonstrar a Prost que se sentia órfão de um adversário, pois era com eles que conseguia se motivar. E eles já eram amigos. Acho que se algum dia Hollywood consiga fazer um filme sobre esses dois, gostaria que mostrasse essa face.

Adelaide 1993: o final de uma era

Como o tempo voa: no passado dia sete de novembro completaram-se vinte anos sobre aquele GP da Austrália de 1993. Uma corrida onde tudo estava decidido, mas que toda a gente sabia que era o final de uma era gloriosa da Formula 1, e do automobilismo em geral.
Ao longo daquela temporada sabia-se quem iria ser o campeão: Alain Prost. Uma máquina do outro mundo, o Williams FW15, projetada por Adrian Newey (onde é que já vimos isto?) tinha feito regressar o piloto francês, que após ter saído da Ferrari pela porta pequena, no final de 1991, e vendo as poucas alternativas, decidiu que o melhor seria ficar a assistir das tribunas o domínio de Nigel Mansell na pista, a bordo do Williams FW14. 
Mas enquanto assistia a tudo isso, foi assegurar o seu futuro: logo em fevereiro de 1992, começou a falar com Frank Williams para ficar com o lugar em 1993, num contrato de duas temporadas. Sabendo que a Renault gostaria de ter um francês nas suas fileiras, o acordo foi veloz, mas ficou secreto até setembro daquele anos, quando foi revelado. Mansell – que tinha trabalhado com Prost na Ferrari em 1990 e detestou – ficou furioso e decidiu sair da Formula 1 com o seu titulo mundial e rumar aos Estados Unidos e a uma CART no seu auge. Bernie Ecclestone, que nunca escondeu a hostilidade por concorrência, aproveitou para retaliar e foi buscar Michael Andretti, colocando-o na McLaren, para ser “devorado” por Ayrton Senna. Porque digo isso? Bom, quando em março li a entrevista dele ao site brasileiro Grande Prêmio, pelo Renan do Couto, entendi que não gosta de falar sobre a sua passagem pela Formula 1…
Mas estou a fugir ao assunto: o “tetra” de Alain Prost foi uma linda auto-estrada, mas com mais buracos do que os que Nigel Mansell teve. Primeiro porque o FW15C não conseguiria ser a máquina que foi o chassis anterior, mas foi superior à concorrência. Depois, Damon Hill não era um parceiro que ameaçasse Prost, mas quando o filho de Graham Hill aprendeu o suficiente, começou a brilhar, a partir da segunda metade da época. E por fim, de uma certa forma, teve Ayrton Senna, que provavelmente deve ter feito a sua melhor temporada de sempre.
A temporada de Senna em 1993 é aquela que muitos sonham atualmente com Fernando Alonso: um piloto campeão com um mau chassis e um mau motor. Os alonsistas muitas das vezes olham para a temporada de 1993, porque querem provar que Sebastian Vettel é o campeão que muitos apregoam porque corre com o chassis desenhado por Adrian Newey E agarram isso como lapas desde que Alonso o disse na qualificação do GP da Índia de 2012. O problema dessa gente é que não conseguem admitir que Alonso e Vettel se equivalem, e Vettel não é o “burocrata” que Alain Prost se tinha tornado em 1993. Portanto, nesse campo, a história não se repete.
Como disse, o título de Prost foi burocrático. Fez o suficiente para ser campeão, e quando o conseguiu, no Estoril, anunciou que se iria embora de vez. Tinha 38 anos e 51 vitórias, e achava que era mais do que suficiente para ficar na história. É verdade, mas quem se recorda da corrida portuguesa, sabe que ele deixou-se ficar atrás do Benetton de Michael Schumacher, que ali conseguiu a sua segunda vitória da sua carreira. A segunda… de 91 corridas a terminar no lugar mais alto do pódio.
Contudo, quero concentrar-me na corrida de Adelaide. Nessa altura, Senna estava na mó de cima: vencera em Suzuka e tinha feito a pole-position na pista australiana, a única até então naquela temporada. Já se sabia que Senna iria sair da McLaren, após seis temporadas de excelentes serviços, especialmente naquela última, onde tinha vencido quatro corridas, uma delas, a de Donington Park, após uma primeira volta épica, colocando os Williams “no chinelo”, num carro inferior, com motor Ford cliente, pois a prioridade nesse ano era a Benetton, de um Michael Schumacher a mostrar que era um bom piloto.
A corrida não teve grande história em si: Senna foi para a frente na primeira curva – onde Pedro Lamy seria o primeiro desistente, quando foi tocado pelo Larrousse do japonês Toshio Suzuki – e aguentou as coisas até à volta 24, quando foi às boxes e perdeu o comando para o Williams de Prost. Recuperou o lugar na volta 29 e nunca mais de lá saiu até à meta. Ali, tirou uma bandeira brasileira que tinha no seu bolso e a mostrou para toda a gente ver, comemorando a sua 41ª vitória da sua carreira.
Alain Prost, contudo, não foi o único piloto que encerrou a sua carreira nesse dia: discretamente, na oitava posição, estava o Benetton de Riccardo Patrese, tinha parado na volta anterior, mas estava ali a completar a sua 256ª participação na Formula 1. Um longo caminho aquele italiano tinha percorrido desde 1977, no Mónaco, ao volante de uma Shadow. E também outro veterano pendurava o capacete naquele dia: o britânico Derek Warwick, ao volante do seu Footwork-Arrows, depois de mais de uma década de bons serviços, na Toleman, Renault, Brabham, Arrows e Lotus. E parecia que esta seria a última corrida de Andrea de Cesaris, depois de uma péssima temporada na Tyrrell, mas conseguiu uma extensão em 1994, na Jordan e Sauber, e conseguiu chegar aos 204 Grandes Prémios com um recorde: nunca venceu qualquer vez.
Nas boxes da McLaren, todos choravam: Ron Dennis, Jo Ramirez e depois, o próprio Senna. Sabiam todos que era o final de uma era dourada naquela equipa, recheada de títulos e vitórias, e também de momentos dificeis que tinham conseguido superar. Todos sabiam em Woking que uma era na Formula 1 tinha acabado. E depois no pódio, Senna, magnâmio, brindava Prost. Era o reconhecimento que todos esperavam de que Prost tinha sido o seu melhor e mais duro adversário da sua carreira. Nem sempre as coisas foram leais, mas ali, não havia inimizade ou ódio.
Quanto a Prost, parecia que o seu sentimento era de alívio: “Fiquei feliz por ter subido ao pódio. Claro que teria gostado de ganhar, mas foi dificil. Esforcei-me muito para manter a concentração. Paciência, é o fim da história. Depois da bandeirada [de xadrez], na minha volta de arrefecimento, disse para mim próprio que podia suspirar: em treze temporadas de Formula 1, nunca me feri gravemente!“, disse na conferência de imprensa após a corrida.
No dia a seguir, no jornal francês “L’Équipe”, o jornalista Francois Reste escrevia o seguinte:
Como nas cédulas de dinheiro, revelando em filigrana o rosto de uma personagem célebre, a carreira de Alain Prost teve sempre a sombra de Ayrton Senna. Desde 3 de junho de 1984, num GP do Mónaco chuvoso, que revelara o novo prodigio, o cenário da Formula 1 se articulou à volta destas duas personagens principais, que chegaram ao paroxismo da sua rivalidade em 1988 e 1989, os anos da sua co-habitação na McLaren, levados com inteligência, mas pontuados por uma severa ruptura.

Durante esses quase dez anos, os feitos de Prost não teriam talvez tido a mesma importância se Senna não existisse, e o contrário também é verdade. Será agora necessário nos habituar à ideia de um sem o outro. como um casal jamais separado. Senna sem Prost, será um pouco sem Dom Quixote sem o Sancho Pança.

Se já dá para sentir o enorme vazio que a “aposentadoria” de Prost vai fazer a partir de 1994, Senna ficará mais órfão que todos nós. Ao volante da sua Williams-Renault, o último campeão mundial ainda em atividade, vai sentir-se bem solitário, mau grado todos esses jovens ainda longe de terem atingido a sua dimensão: Schumacher, Hill, Hakkinen, e o nosso Alesi. A sua caça aos recordes de Prost, notadamente de vitórias, para o qual já só faltam dez sucessos, fará provavelmente sobressair ainda mais a ausência do seu alter ego. 
Senna sabe tudo isso. Como homem inteligente e sensível, não pode deixar de pensar nisso no momento em que derramou uma lágrima depois da chegada deste emocional GP da Austrália. este romance que acaba de chegar ao fim com o adeus de Alain Prost, e também um livro que se fecha sobre ele. Na sua nova vida que chega, haverá um pouco da sua juventude que se vai.
Aquela era, do qual jornalistas como Francois Reste, Francisco Santos e outros estavam a anunciar o seu fim naquele novembro de 1993, menos de seis meses depois, em Imola, os amantes do automobilismo em geral, e da Formula 1 em particular, iriam sentir de forma dura, inesperada e cruel, este sentimento de orfandade. Contudo, naquele fim de semana, Senna conseguiu demonstrar a Prost que se sentia órfão de um adversário, pois era com eles que conseguia se motivar. E eles já eram amigos. Acho que se algum dia Hollywood consiga fazer um filme sobre esses dois, gostaria que mostrasse essa face.

Rumor do Dia: Felipe Nasr pode ser terceiro piloto da Williams em 2014

O Américo Teixeira Jr, do Diário Motorsport, é que deu a caixa esta terça-feira à noite: Felipe Nasr será piloto de testes da Williams na temporada de 2014. O piloto de Brasilia, atualmente com 21 anos e que este ano correu na GP2, poderá ter a oportunidade de experimentar o carro ao lado dos pilotos oficiais, o finlandês Valtteri Bottas e muito provavelmente, o seu compatriota Felipe Massa.
Apesar de ser jovem, Felipe Nasr tem muito talento. Vindo de uma família automobilistica – Almir Nasr e Samir Nasr são bem conhecidos no panorama automobilístico brasileiro graças à sua preparadora – foi campeão europeu de Formula BMW em 2009, passou em 2010 para a formula 3 britânica, onde venceu a competição em 2011, ao serviço da Raikkonen Robertson. No final daquele ano, acabou o GP de macau no segundo lugar.
Em 2012, deu o salto para a GP2, ao serviço da DAMS, onde acabou no décimo posto, e foi quinto classificado no GP de Macau de Formula 3. Em 2013, continuou na GP2, agora ao serviço da Carlin, onde terminou o campeonato no quarto posto. Ao todo, em 44 corridas na GP2, conseguiu dez pódios, mas nenhuma vitória.

Não se sabem os detalhes, mas falava-se há algum tempo que Nasr tinha dez milhões de dólares para tentar a sua sorte num lugar na Formula 1, sem especificar a equipa. Desconhece-se se este lugar de terceiro piloto poderá significar uma temporada noutra competição, mas aparentemente está em cima da mesa a proposta de que em 2014, os treinos livres passem a ter duas horas de duração e que uma parte seja dedicada aos pilotos de testes. A acontecer, poderá ser que Nasr possa andar num carro de Formula 1 ao longo da próxima temporada.