Os detalhes do circuito russo

Quando soube da candidatura e subsequente acordo com o governo russo para acolher a Formula 1 na cidade russa de Sochi, no Mar Negro, espreitei para a página da cidade na Wikipédia e descorbri algo extremamente familiar: apesar de receber os Jogos Olimpicos de Inverno, é uma localidade famosa por ser extremamente dependente do turismo, desde o tempo dos czares. Em suma, é o Mónaco russo, sem ser uma cidade estado (apesar de estar não muito longe da Abkhazia, uma provincia separatista da Georgia…) e sem ter tantos milionários.
E com todas estas novidades, logo, fica-se a saber que o acordo com o governo russo irá custar à volta de 40 milhões de dólares por ano, apesar de nenhuma das partes ter dito qualquer valor. “Esse tipo de informação não costuma ser revelada. Diremos que são alguns biliões de rublos“, afirmou o primeiro-ministro Vladimir Putin.

Joe Saward, no seu blog, revelou alguns detalhes sobre o projecto. A ideia é construir um circuito urbano, aproveitando as instalações olimpicas. Projectado pela firma do costume, em principio o primeiro Grande Prémio só poderá ser corrido em 2015, a pedido do governo russo. Ecclestone disse que isto era uma forma de rentabilizar as instalações olimpicas após a realização dos Jogos. “Em todas as cidades olimpicas que visitei após a sua realização, praticamente esses locais estão voltados ao abandono. É muito importante que esse tipo de locais possem ser pensados e planeados e é claro, esto está a ser feito em Sochi“.
Putin reforçou: “É muito mais barato do que construir um circuito de raiz, no meio de nenhures. Custará bastante menos e permitirá usar todas as facilidades e infraestruturas que serão criadas pelos Jogos Olimpicos. Portanto, não haverá desperdicio de dinheiro“.
Quando se disse que isto era o concretizar de um velho sonho do Bernie, desconhecia até que ponto era tão velho. Putin disse que “o sr. Ecclestone disse-me que chegou a discutir este assunto em pessoa com Leonid Brezhnev“. O que significa que desde o final dos anos 70 que tinha este “sonho”…

Saward disse há uns tempos que a ideia das medalhas, que Ecclestone recorre de tempos a tempos, tem uma razão: Ecclestone deseja que a Formula 1 seja reconhecida como um desporto olimpico. Creio que Sochi seja a primeira cidade olimpica que acolhe um Grande Premio num perímetro olimpico. Claro, Barcelona já teve isso no Parc de Montjuich, mas a última prova foi em 1975, antes da sua realização, em 1992.
Aparentemente, vai ser algo que será feito com tempo e calma. Veremos se até lá não haverá nenhum problema grave, como andamos a ver na Coreia do Sul…

Noticias: Russia vai ter Grande Prémio a partir de 2014

O acordo foi anunciado hoje e como podem ver, foi celebrado com champanhe (não sei se houve caviar…): Bernie Ecclestone e o governo russo chegaram a um entendimento para albergar a Formula 1 a partir de 2014. O local? Sochi, no Mar Negro, o mesmo local onde vai acolher os Jogos Olimpicos de Inverno.
Aparentemente, o acordo – que vai durar cinco anos, segundo fontes governamentais – foi negociado entre ele e o primeiro ministro Vladimir Putin, numa altura em que o interesse pela categoria máxima do automobilismo tem uma forte subida com a entrada de Vitaly Petrov na Renault, onde está a fazer a sua temporada de estreia na competição.

Quanto ao circuito, provavelmente vai ser desenhado pelo suspeito do costume – o gabinete de Hermann Tilke – e dará aos russos três anos para construir esse circuito. A concretizar-se, será o culminar de um sonho antigo, pois desde o final dos anos 80 que Ecclestone sonhou com uma corrida na antiga União Soviética – falou-se de um circuito na actual Letónia – e depois na Russia, com um circuito numa ilha nos arredores de Moscovo. Mas, primeiro o colapso da União Soviética e depois as várias dificuldades económicas que o pais atravessou na década passada, entre outros motivos, inviabilizaram qualquer projecto de Formula 1 na antiga terra dos Czares.
Quando acontecer, outra dúvida se colocará, para saber que prova irá “cair” do calendário, pois este vai ficar limitado a vinte provas. Há alguns candidatos válidos para a porta de saída, como Istambul, por exemplo. Mas 2014 ainda é uma data distante…