Extra-Campeonato: Mais uma prova de vida…

Fidel Castro deu mais uma vez o seu sinal de vida. Falou ontem em directo com o seu homologo venezuelano, Hugo Chavez, afirmando que já se sente muito melhor que na altura em que foi operado, em Julho passado.
“Fidelito” e “Chavito” chegaram até a trocar mimos em inglês: “Fidel, how are you?”, perguntou Chavez. “Very well”, respondeu Castro. Com uma voz pausada e clara, o lider cubano agradeceu ao seu homólogo venezuelano por manter o mundo informado acerca do seu estado de saúde, pedindo aos seus correlegionarios que tenham “paciencia e calma”.
Lá os dois conversaram sobre varios assuntos, como as alterações climaticas e a crise economica mundial, que é, no entender de ambos, a prova de que o capitalismo vive os seus “últimos dias”. Poois… A conversa terminou com a frase do costume: “Hasta la victoria siempre, venceremos!”. So me apetece rir…
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Monteiro já decidiu o seu futuro

E vai correr… no WTCC (World Touring Car Championship)!

Pois é, meus amigos. O Tiago vai correr este ano na equipa oficial da Seat, poucas semanas depois de ter feito um teste com eles em Valencia. O campeonato começa na semana que vêm, no circuito brasileiro de Curitiba, mas em Junho terá passagem pelo circuito urbano do Porto.

Como piloto oficial da marca espanhola no WTCC, Tiago Monteiro vai dedicar-se a cem por cento à Seat, não tendo prevista uma participação em nenhuma outra competição automóvel esta temporada.

Se fico satisfeito com esta decisão? Pessoalmente, perferiria a ChampCar, porque assim continuava nos monolugares, e teria mais chances de voltar à Formula 1, mas ele está numa equipa oficial, é o que conta. Boa sorte, Tiago!

GP Memória: Monaco 1984

Dois anos depois da inesperada vitória de Ricardo Patrese, numa corrida que nem ele próprio sabia que tinha ganho, a edição de 1984, disputada a 3 de Junho daquele ano, esperava-se que fosse também agitada, devido as previsões de chuva para o dia da corrida. E de facto, foi uma edição inesquecível, em vários aspectos.

A corrida começou 45 minutos depois da hora, devido à intensa chuva. Quando começou, ainda sobre imensa chuva, aconteceu uma “carambola” logo na curva Saint Devote, com os Renault de Warwick e Tambay a ficarem “KO”, mais o Ligier do italiano Andrea de Cesaris. A chuva não parava de cair, e o francês Alain Prost, o “poleman”, continuava na frente da corrida, mas o segundo classificado, o inglês Nigel Mansell, no seu Lotus, estava mais rápido que Prost e desejava ultrapassá-lo.

Mais atrás na grelha, dois pilotos começavam a destacar-se: O Toleman nº 19 do brasileiro Ayrton Senna, que tinha partido do 13º lugar, à volta 10 era sétimo. No outro caso, o alemão Stefan Bellof, num Tyrrell, que tinha partido do 20º lugar, também subia posições.
Na volta 8, Mansell finalmente consegue ultrapassar Prost. e distancia-se na liderança. Mas cinco voltas mais tarde, na subida para o Casino, o carro de Mansell foge de traseira e bate nos “rails” de protecção. O inglês continua, mas os estragos são demasiado grandes para poderem ser reparados, e abandona na descida do Mirabeau. Assim sendo, Prost continua na liderança, seguido de Lauda, Arnoux e… Senna! O brasileiro come segundos atrás de segundos.
É aqui que se vê pela primeira vez o talento do jovem brasileiro, campeão britânico de Formula 3 e vencedor do GP de Macau do ano anterior. Com alguma facilidade desembaraça-se de Rosberg e vai em busca dos Ferrari. Entretanto, Alboreto desiste e Senna está em cima de Arnoux, lutando pelo terceiro lugar. Perto da volta 20, Senna já ultrapassou Arnoux e vai para cima de Lauda! Impressionante, mas verdadeiro.
Entretanto, Bellof também faz a sua corrida de trás para a frente. Já está nos pontos, com as desistências de Arnoux e Mansell, e já está perto de Rosberg. No inicio da volta 21, na travagem para St. Devote, Senna passa Lauda e é segundo. A surpresa é total: os todo-poderosos McLaren – TAG Porsche, a serem vulgarizados por um Toleman – Hart Turbo. E para sustentar essa surpresa, Senna faz a volta mais rápida da corrida na sua 23ª passagem pela meta. E nesta altura, Bellof já passou Rosberg e está em cima de Arnoux, na luta pelo quarto lugar!
Na volta 24, Lauda despista-se na curva do Casino e abandona. As condições continuam difíceis, e Prost, sempre cauteloso, faz sinais aos comissários para interromperem a corrida. Entretanto, Senna ganha três a cinco segundos por volta! É a corrida da vida dele, e o mundo começa a conhecer o génio deste estreante de 24 anos. E nesta altura, Bellof passa Arnoux na curva Mirabeau, subindo para terceiro. É o bodo aos pobres, sem dúvida…
Na volta 30, Senna já vê Prost à sua frente. Mas o director de corrida, Jacky Icxx, decide que é altura de parar com a corrida de vez. Decisão que toma à volta 32, quando Senna já está em cima de Prost. É uma decisão polémica: Icxx toma a decisão sem consultar a FISA e é multado em seis mil dólares. O rumor que correu na altura era que, como era piloto da Porsche, marca que equipava os McLaren, estes não podiam passar o vexame de ver os seus motores, os melhores da altura, a serem humilhados por um ridículo motor Hart…
Assim sendo, Prost é declarado vencedor, na primeira das suas quatro vitórias no Monaco. Contudo, somente são atribuidos metade dos pontos da vitória. E isso vai custar-lhe caro no final, quando perder o campeonato no Estoril, pela mais curta diferença de sempre: 0,5 pontos! Acompanham-no Senna e Bellof, decididamente os heróis daquela tarde. Mas algumas semanas depois, quando a então FISA descobre que os Tyrrell têm lastros nos seus carros, são desclassificados, e todos os pontos ganhos até então são retirados. Iria ser o unico pódio de Bellof na carreira.
Quanto a Senna, os monegascos não sabiam, mas aquilo era um vislumbre do futuro, não só da Formula 1, mas também do seu Grande Prémio: ele iria ganha-lo por seis vezes, cinco delas consecutivas, entre 1987 e 1993. Esta corrida pode ser considerada como o dia em que começou a lenda…
Para finalizar, um video da corrida, transmitida pela TV Globo, narrada pelo inarrável Galvão Bueno…

Ainda se lembram?

O post de hoje tem a ver com o último GP de Michael Schumacher na Formula 1… esse mesmo, GP do Brasil de 2006!
Ora, a situação é o seguinte: O alemão está a ser homenageado pela organização, que presenteia um troféu banhado a ouro e entregue pelo maior futebolista de todos os tempos… Pelé!
Quem não está lá para aplaudir o homenageado é Kimi Raikonnen, o então piloto da McLaren e seu substituto na Ferrari. Martin Brundle, o ex-piloto e agora comentarista na britânica ITV, encontra Raikonnen e pergunta porque é que não assitiu à homenagem. A resposta é simplesmente desconcertante! Veja aqui:

Um pequeno interregno, para um anuncio importante:

Tenho que fazer agora um pequeno interregno no automobilismo para revelar a minha satisfação em relação a um injustiça que hoje foi reposta: finalmente deram um Óscar ao Martin Scorcese!

Pois é… depois de ter sido nomeado por cinco vezes (Touro Enraivecido, 1980; A Última Tentação de Jesus Cristo, 1988; Tudo Bons Rapazes, 1990; Gangs de Nova Iorque, 2002; O Aviador, 2004), lá ganhou a estatueta dourada. Para mim, foi finalmente reposta uma das maiores injustiças que a Academia estava a ter na sua história. É provavelmente um dos melhores realizadores da actualidade, e honestamente começava a pensar que só dariam algum prémio de carreira…

Mas enfim… Justiça foi feita. “Entre Inimigos – The Departed” é um excelente filme, com excelentes interpretações. Tornou-se também no melhor filme do ano e ganhou os Oscars de Melhor Montagem e Melhor Argumento Adaptado, pois é a versão americana do “Infernal Affairs”, um filme de Hong Kong de 2002.
Agora algo interessante; o próximo projecto de Scorcese é acerca da história de dois padres Jesuitas portugueses no Japão Imperial de século XVII, que assistem à persiguição que o Imperador faz aos Cristãos, no sentido de expurgar o pais da influência ocidental. Faz-me lembrar “A Missão”, portanto isto promete…

Parabéns, Alvaro!

O português Alvaro Parente teve um regresso em grande ao A1GP. Poucos dias depois de ter sido confirmado o seu regresso, o carro português teve um excelente fim de semana na etapa sul-africana do campeonato. Foi oitavo na grelha de partida, e na primeira corrida, a de “sprint”, terminou no oitavo lugar.
Na segunda corrida, a “Feature”, mais longa, soube escapar aos incidentes que ocorreram aos seus rivais e terminou um meritório quinto lugar na classificação geral, obtendo assim seis pontos na classificação geral. Um excelente regresso à competição, sem dúvida! Agora, a próxima prova vai ser disputada no Autodromo Hermanos Rodriguez, na Cidade do México, daqui a um mês, a 25 de Março.
Já agora, em termos de corrida: Nico Hülkenberg conquistou mais uma dupla vitória, estendendo ainda mais a liderança do campeonato por parte da Alemanha, ao mesmo tempo que estabeleceu um novo recorde de oito vitórias individuais para um piloto. O “incrível Hulk” não deu hipóteses para ninguém em Durban, construindo até uma vantagem de 10 segundos na segunda corrida. A França perdeu algum terreno para a Nova Zelândia no segundo lugar do campeonato, depois de Loïc Duval ter abandonado na Corrida Feature com o cabo do acelerador partido.
O campeonato: 1º Alemanha, 99 pts; 2º N. Zelândia, 69; 3º França, 57; 4º Grã-Bretanha, 46; 5º Suíça, 45; 6º Holanda, 43; (…) 17º Portugal, 6.

O piloto do dia: Stefan Bellof

Hoje falo de um talento que se foi embora cedo demais. Caso ele vivesse mais tempo, provavelmente teria sido o primeiro alemão a ser campeão do Mundo. Chamava-se Stefan Bellof.
Nasceu em Giessen, na então Alemanha Ocidental, a 20 de Novembro de 1957, Começou a sua carreira nos Karts, em 1973, e correu até 1980, altura em que foi campeão alemão da modalidade. No ano seguinte, segue para a Formula 3, onde ganha três corridas e chama a atenção de um homem: Willy Mauer. Mauer era dono de uma equipa de Formula 2, bem como corria em Sport-Protótipos, com um Porsche. Vendo talento no seu jovem pupilo, decidiu ser o seu “manager”, bem como um lugar na sua equipa de Formula 2, a partir da época de 1982.
Nesse ano, ganha as duas primeiras provas da época, mas os motores BMW não rendem tanto quanto os motores Mugen, e Bellof consegue apenas mais um segundo lugar no circuito italiano de Enna Pergusa e um terceiro lugar em Hockenheim, terminando o campeonato na quarta posição. Em 1983 faz uma segunda época na Formula 2, mas concentra-se nos Sport-Protótipos, ao volante de um Porsche oficial. E é aí que consegue dar nas vistas: ganha os 1000 Km de Silverstone, Kyalami e Fuji, no Japão, terminando o campeonato na quarta posição.
Em 1984, dá o salto para a Formula 1, ao volante de um Tyrell. Logo nas primeiras corridas, ele impressiona: sexto na Belgica, quinto em San Marino, no Monaco, obtém o seu maior desempenho até à data: um terceiro lugar com o seu carro aspirado, com menos 150 cavalos do que os turbo, só sendo superado pelo McLaren da Alain Prost e pelo Toleman de… Ayrton Senna.
Infelizmente, esses pontos seriam retirados, quando a então FISA descobre que os Tyrell tinham lastros ilegais, desclassificando-os e retirando os pontos que tinham obtido até então. Então, ele concentra-se unica e exclusivamente nos Sport-Protótipos, onde acabará por ser Campeão do Mundo da categoria, ao volante de um Porsche.
No ano seguinte, continua na Tyrrell, onde tem um desempenho brilhante no Estoril, onde consegue o seu primeiro ponto legal. Segue-se mais um quarto lugar em Detroit, num carro que continua a ser o unico aspirado num mundo de Turbos. Mas a meio da época, Ken Tyrrell consegue um acordo com a Renault para lhe providenciar motores Turbo, e ele ainda corre um GP com esses motores, na Holanda, onde desiste. E esse seria o seu último GP.
Em paralelo com a Formula 1, continuava a correr em Sport-Protótipos, sempre ao volante de um Porsche. Ainda em 1983, ele tinha esatabelecido o “record” oficial do velho Nurburgring, com os seus 22 km de extensão, perigoso e cheio de curvas. Os seus 6 minutos, 11.13 segundos de qualificação e os 6 minutos, 25.91 segundos de corrida são até aos nosso dias o record oficial do “Nordschliffe”.
A 1 de Setembro de 1985, no circuito belga de Spa-Francochamps, disputa-se mais uma prova a contar para o Mundial de Sport-Protótipos: os 1000 Km de Spa. Bellof tinha partido mal, no 22º posto da grelha, mas tinha feito uma recuperação incrivel até ao segundo lugar. Na sua frente, ia Jacky Ickx, o lendário piloto belga, vencedor por cinco vezes das 24 Horas de Le Mans. Quando ambos os carros estavam na zona de Eau Rouge, em descida para a zona do Radillon, uma das mais desafiantes curvas existentes no mundo dos circuitos, Bellof tenta uma manobra arriscada para o ultrapassar, mas ambos os carros tocam-se. O carro de Ickx roda e bate de traseira nos “rails”, ao passo que o Porsche de Bellof choca frontalmente com o muro de proteção e incendia-se. Bellof é levado ao centro cirúrgico do circuito, mas não resiste aos ferimentos e morre uma hora após o acidente. Tinha 27 anos.
O acidente choca o meio automobilistico em geral e o alemão em particular, pois acontece 15 dias depois da morte de outro piloto alemão Manfred Wilkelhock, no circuito canadiano de Mosport. Estes acidentes fazem com que a Porsche acelere o desenvolvimento do seu modelo 962. Nessa mesma altura circulavam-se rumores de que Bellof tinha assinado um contrato de dois anos com a Ferrari, algo que nunca foi devidamente confirmado.
Os alemães tinham que esperar mais seis anos para ver um piloto com potencial ganhador: Michael Schumacher. Numa incrivel coincidência, a estreia do piloto alemão seria no mesmo circuito em que Bellof morreu. Schumacher disse, anos depois, que Bellof era um dos seus herois de adolescência.
Anos mais tarde, o jornalista inglês Nigel Roebruck, um dos melhores especialistas mundiais de automobilismo, afirmou acerca de Bellof:

“Se Bellof iria vencer Grandes Prêmios? Não tenho dúvida nenhuma. Aliás, acredito que ele seria o primeiro campeão do mundo alemão. Não há como questionar que ele tinha habilidade para isso e, embora a Ferrari nunca tenha confirmado, não restam muitas dúvidas que ele seria o parceiro de Michele Alboreto na equipe em 1986. Sua morte foi uma perda horrível para o esporte e ainda maior para aqueles que o conheciam.”

Olhem quem está de volta!

Pois é… não se sabia nada de Alvaro Parente, depois do seu brilharete no ano passado na World Racing Series by Renault, onde alcançou o quinto lugar final, ganhando quatro corridas. Esta quinta-feira soube-se que a A1 Team Portugal estava de volta para a corrida de Durban, na Africa do Sul. E Parente, que não corria há alguns meses, conseguiu um optimo oitavo tempo na grelha de partida deste GP, à frente de nomes consagrados como Narain Kartikayean, da India, o brasileiro Bruno Junqueira, o italiano Enrico Toccatello ou o checo Tomas Enge.

Vamos a ver como ele se irá comportas nas duas provas de Domingo. Se arrancar um brilharete, seria mais uma prove de que ele é, de facto, um grande corredor, que tem legitimas aspirações a ser um grande piloto, até na Formula 1, e que se arrisca a passar ao lado de uma grande carreira.

Veremos.

GP Memória – Monaco 1982

Quando máquinas e pilotos chegam ao Mónaco, a Formula 1 ainda lambia as feridas da perda de Gilles Villeneuve, morto 15 dias antes, em Zolder. Ainda por cima, o canadiano tinha sido o vencedor da corrida monegasca no ano anterior, e assim, a perda foi ainda mais sentida no pelotão da Formula 1. Assim sendo, o seu companheiro Didier Pironi era o unico Ferrari em pista, enquanto que a Scuideria procurava um substituto. De resto, o espanhol Emilio de Villota estava de volta num March inscrito pela equipa Onyx.

No Mónaco houve também confusão em relação a uma das fornecedoras de pneus, a britânica Avon, que tinha anunciado que iria retirar-se da competição, com efeito imediato. Nessa altura havia quatro (!) fornecedores de pneus, e as restantes três – Michelin, Goodyear e Pirelli – tiveram de fornecer às três equipas que sobravam, a March, Theodore e Ensign. A primeira ficou com os Avon que sobraram, enquanto que a Theodore assinou um contrato com a Goodyear, enquanto que a Ensign, por enquanto, ficava com Avons nesta corrida.

Trinta e um carros estavam inscritos na corrida monegasaca, mas apenas 20 iriam alinhar na corrida, fazendo com que um terço das equipas iriam assistir a tudo da bancada. Na pré-qualificação, os March de De Villota e de Raul Boesel, o Osella de Riccardo Paletti, o Fittipaldi de Chico Serra e o Toleman de Teo Fabi não tinham conseguido passar para a segunda fase.

No final das duas sessões de qualificação, o melhor foi o Renault de René Arnoux, que tinha feito a “pole-position” pela segunda vez consecutiva, com Riccardo Patrese a seu lado, no Brabham-Cosworth. Bruno Giacomelli era o terceiro, com o seu Alfa Romeo, seguido pelo segundo Renault de Alain Prost. Didier Pironi foi o quinto, seguido pelo Williams de Keke Rosberg. Andrea De Cesaris, no segundo Alfa Romeo, era o sétimo, seguido do segundo Williams de Derek Daly. A fechar o “top ten” ficaram o Tyrrell de Michele Alboreto e o McLaren de John Watson.

Seis pilotos ficaram de fora desta corrida: o Arrows de Mauro Baldi, o Theodore de Jan Lammers, o March de Jochen Mass, o Toleman de Derek Warwick, o Osella de Jean-Pierre Jarier e o Ensign de Roberto Guerrero.

A corrida começou com céu nublado e alguma ameaça de chuva. No momento da partida, Arnoux manteve a pole-position, seguido por Giacomelli, Patrese, Prost e Pironi e De Cesaris, que tinha conseguido passar Rosberg e Alboreto. Prost passou Patrese na volta seguinte e aproveitou os problemas de eixo de Giacomelli, que iria abandonar na quarta volta, fazendo com que o francês subisse para a segunda posição. As coisas mantiveram-se assim até à volta 15, quando Arnoux perde o controlo do seu Renault e o motor cala-se de vez. Assim, Prost herda o primeiro lugar.

A partir daqui, o francês controla os avanços de Patrese, que era segundo, com Pironi atrás. O francês da Ferrari teve depois um problema quando sofreu uma pancada com um piloto retardado, que lhe arrancou parte do seu nariz, mas que o permitiu continuar na pista, sem problemas. Rosberg era agora o quinto, sem poder alcançar De Cesaris, e as coisas mantinham-se assim até às voltas finais.

Contudo, quando faltam três voltas do fim, o boletim meteorológico entra em ação e decide baralhar e voltar a dar. Prost, o líder, despista-se na curva do Tabaco, no preciso momento em que começou a chover na pista. Patrese herdou o comando, mas mal se sabia que a partir de então, ninguém mais se conseguia manter na pista, pois se não rodava… ficava sem combustível! O italiano da Brabham perdeu tempo quando fez um pião no gancho do Loews, com a sua sorte foi não ter deixado morrer o seu motor Cosworth. Depois, foi a vez de Pironi ficar com o primeiro lugar, mas na entrada do túnel, ele fica sem gasolina! Imediatamente, os olhos voltam-se para De Cesaris, que o seguia atrás, mas este… ficara sem gasolina na descida do Mirabeau.

A liderança tinha trocado de mão tantas vezes nessas duas últimas voltas que ninguém, nem mesmo o director da corrida, sabia quem iria vencer! No final, acabou por ser Ricardo Patrese, que tinha por fim colocado o carro no devido lugar, que cruzou a meta e foi declarado o vencedor da corrida. Mas nem ele soube que tinha ganho! Quando fazia a sua volta de desaceleração, viu o Ferrari de Didier Pironi parado na pista e deu-lhe boleia, e foi o francês que lhe disse que tinha sido o vencedor da prova, com Pironi no segundo lugar. De Cesaris, mesmo parado no Mirabeau, tinha conseguido o terceiro posto, com os restantes sobreviventes a serem os Lotus de Nigel Mansell e de Elio de Angelis e o Williams de Derek Daly.

O homem mais sobrevalorizado do momento

Há pilotos com muito talento nas formulas inferiores, mas que fica pelo caminho devido a falta de apoios para continuar. Há quem tenha “pais ricos” ou bons padrinhos, e chegue à formula 1 com a maior das facilidades. Há quem tenha nome, e isso abre imensas portas. Neste ultimo caso está o homem que se fala hoje: Bruno Senna.

Senna é sobrinho de Ayrton, tem 23 anos e tem algum curriculo, pelo menos na formula 3 britânica, onde foi terceiro classificado no ano passado, com algumas vitórias. Tem talento, principalmente quando corre à chuva, tal como o tio.

Ora, este ano ele vai para a GP2, especialmente numa boa equipa, a Arden. Esse lugar foi dado a ele pelo seu “mentor”… Gerhard Berger, o patrão da Toro Rosso e melhor amigo do tio na Formula 1. Com padrinhos destes… Enfim, mas o que interessa é saber que Senna não está a ser grande coisa até agora. Esta semana, a GP2 andou em testes no circuito de Valencia, e Senna ficou em lugares modestos. Alás, ele nunca passou do 15º posto da tabela, em 22 carros…

O que isto quer dizer? Bom, não se podem tirar grandes clonclusões, mas digo isto; não é um fora de série, mas tem bons padrinhos, logo, está a ser sobrevalorizado, ou seja, ele tem 50 por cento de hipóteses em chegar à Formula 1, mesmo que ele não faça grande coisa na GP2. Se ele ganhar uma corrida ou outra, mas não ganhar o campeonato, então… a Formula 1 vai ser uma certeza para ele! E isso é o que eu temo…

Bom, mas não posso ser “bota abaixo”, desejo-lhe toda a sorte do mundo. Não é?