Eis a proposta de calendário para 2014

Chegados a setembro e como é normal acontecer nesta altura, começa a surgir um calendário provisório das corridas para 2014. E aparentemente, de acordo com a Autosport britânica, existem… 21 corridas no calendário, com três possíveis novas entradas: Rússia, Áustria e… México. New Jersey está, por agora, de fora, tal como a Índia.
O regresso do circuito Hermanos Rodriguez, que recebeu a Formula 1 entre 1963 e 70, e voltando a receber entre 1986 e 92, seria bem vindo aos adeptos, e representaria o crescente poder mexicano na categoria máxima do automobilismo, graças a pilotos como Sergio Perez e Esteban Gutierrez. Contudo, o possível regresso do autódromo ainda em 2014 está dependente de profundas obras de remodelação na zona, dado que as boxes e as arquibancadas necessitam de muitos reparos. Caso esteja tudo pronto a tempo, a corrida mexicana seria a 9 de novembro, uma semana antes da corrida de Austin.
Outras modificações nesta proposta são a mexida do GP da Coreia do Sul para o inicio de abril e claro, o GP da Áustria em julho, no regressado circuito de Zeltweg, agora Red Bull Ring. Para além disso, a corrida russa, a realizar-se em Sochi, iria acontecer a 19 de outubro, perigosamente perto do inverno, e uma semana antes da corrida de Abu Dhabi.
Este calendário, como é sabido, é provisório, e estará em cima da mesa no final do mês, na reunião que a FIA vai fazer na cidade croata de Dubrovnik. Ela começará a 16 de março, em Melbourne, e termina a 30 de novembro, em Interlagos.

16 de março – GP Austrália (Melbourne) 
23 de março – GP Malásia (Sepang) 
6 de abril – GP China (Circuito Internacional de Shanghai)
13 de abril – GP Coreia do Sul* (Circuito Internacional da Coreia) 
27 de abril – GP Bahrain (Sakhir)
11 de maio – GP Espanha (Circuito da Catalunha/Barcelona) 
25 de maio – GP Mónaco (Mónaco)
8 de junho – GP Canadá (Montreal)
22 de junho – GP Áustria (Red Bull Ring/Spielberg) 
6 de julho – GP Grã-Bretanha (Silverstone) 
20 de julho – GP Alemanha (Hockenheim) 
27 de julho – GP Hungria (Hungaroring/Budapeste) 
24 de agosto – GP Bélgica (Spa-Francorchamps) 
7 de setembro – GP Itália (Monza) 
21 de setembro – GP Singapura (Marina Bay)
5 de outubro – GP Japão (Suzuka)
19 de outubro – GP Rússia* (Sochi) 
26 de outubro – GP Abu Dhabi (Yas Marina)
9 de novembro – México* (Hermanos Rodriguez/Cidade do México)
16 de novembro – GP EUA (Circuito das Américas/Austin)
30 de novembro – GP Brasil (Interlagos/São Paulo)

*(sujeito a confirmação)

Investigações sobre as obras de Sochi

O GP da Rússia está marcado – em principio – para outubro de 2014 na cidade de Sochi – que altura bem estranha, ainda por cima com uma cidade que vai receber os Jogos Olimpicos de… inverno! – mas desde há muito tempo que se sabe que a construção das instalações olimpicos vive tempos conturbados. Já a entidade que estava encarregada da construção da pista faliu no inicio do ano, mas o governo local assegurou que as obras prosseguirão como planeado.

Agora, dois dias depois Sebastian Vettel e David Coulthard terem viajado a Sochi para ver o estado das obras e de terem dado mais uma garantia de que estas estarão a tempo, o jornal local Izvestia publicava esta quarta-feira que o governo russo, na figura do vice-primeiro ministro Dimitri Kozak, pediu ao ministro da Integração Regional, Igor Slyuniayev, para que investigue a qualidade as obras do parque olimpico. Isso depois do governo russo ter revisto o custo das obras, tendo passado agora dos projetados 250 milhões de dólares para os 380 milhões.

Para piorar as coisas, surgiram rumores sobre a qualidade das obras. O jornalista britânico Joe Saward fala no seu blog que uma das razões deste inquérito foi um pedido de Hermann Tilke, o construtor do circuito de Sochi, sobre a qualidade das obras na zona ao governo regional de Krasnodar, onde Sochi se situa. A ideia de que haja um encarecimento das obras na inversa proporção da qualidade dos materiais não será nova noutros lados, mas na Rússia, isso poderá ser grave, dado que tudo isto está a ser feito na sua esmagadora maioria com dinheiro governamental.

Veremos. O relatório terá de estar em cima da mesa até ao dia 15 de maio.

As dificuldades da Formula 1

Não sei se hei de rir ou hei de chorar, mas li agora esta tarde que a Formula Sochi, empresa que gere o projecto de construção e promoção do Grande Prémio da Rússia de Fórmula 1, declarou falência, o que coloca de imediato em causa a realização da prova russa, que está prevista para… novembro de 2014.
Contudo, isso é nada que assuste a Omega, que é a empresa mãe do grupo onde se insere a Formula Sochi.   Dmitry Erofeev, diretor de marketing da Omega, declarou à agência de informação Izvestia que esta alteração em nada influenciará a continuidade dos trabalhos no complexo do circuito em Sochi, e já revelou que tomaram as rédeas do projecto, assumindo todas as responsabilidades inerentes ao avanço das obras e promoção da corrida.
Apesar destas “garantias”, as preocupações dominam sobre não só este caso, como em muitos outros aspectos. Quando li no final da semana passada um artigo da alemã Motorsport-Total.com sobre a situação financeira das equipas de Formula 1, chega-se à conclusão de que, gastando como eles gastam, a competição terá vida curta. Especialmente quando das onze equipas, sete entrariam em falência em menos de cinco anos. E entre essas que andam apertadas de finanças, encontram-se… a McLaren e a Lotus-Renault.
Sabia que esta última tem um “buraco” de oitenta milhões de euros para tapar, e que esteve para ser vendida no final do ano passado, algo que foi impedida porque Kimi Raikkonen começou a ganhar corridas, mas a história da McLaren é a mais surpreendente, pois como os vi a lançar dois supercarros em menos de dois anos, julgava que estaria mais saudável. Mas quando vi que eles ficarão sem um grande patrocinador em 2014, com a saída da Vodafone, vi que eles precisam de alguém que leve para lá o equivalente. E claro, também um motor que os faça voltar a ter uma relação privilegiada. Daí a hipótese Honda, que viria com motor e – porque não? – um patrocínio que cobrisse esse buraco.
Fala-se que o famoso Acordo da Concórdia já está negociado e só falta assinar para ser real. Mas diga-se o que disserem, a Formula 1 tem de parar de gastar em coisas acessórias e passar a ser mais essencial, sob pena de que algum dia, a médio prazo, se imploda por si mesma. E por essas alturas, duvido que, por exemplo, Bernie Ecclestone ande por aí a tentar apagar os fogos…

As primeiras imagens do circuito de Sochi

Esta imagem vi hoje no blog do Joe Saward. São as primeiras imagens do que vai ser o circuito de Sochi, no Mar Negro, a partir de 2014, após a realização dos Jogos Olimpicos de Inverno. No projeto do inevitável Hermann Tilke haverá uma tribuna definitiva, um pouco à imagem do  – aborrecido – circuito de Abu Dhabi e o traçado andará à volta do parque olimpico que está a ser construido neste momento, com alguns projetos que aparentemente estarão um pouco atrasados em termos de prazos.
Mas Saward afirma que isso não é grande problema porque a região tem disponibilizados cerca de 190 milhões de dólares para gastar em tudo isto. Contudo, a pista só estará acabada após os Jogos Olimpicos, porque estes acontecerão em fevereiro e o Grande Prémio russo estará no calendário mais para o verão, que é a melhor altura do ano para receber, pois a cidade tem fama de ser uma “Cannes do Mar Negro”.
Resta saber se haverá um piloto russo para receber este Grande Prémio. Aparentemente, os mais recentes rumores sobre Vitaly Petrov colocam-no na Caterham, em substituição de Jarno Trulli, e sobre o seu futuro competitivo, ele não quer abrir o jogo…

Os detalhes do circuito russo

Quando soube da candidatura e subsequente acordo com o governo russo para acolher a Formula 1 na cidade russa de Sochi, no Mar Negro, espreitei para a página da cidade na Wikipédia e descorbri algo extremamente familiar: apesar de receber os Jogos Olimpicos de Inverno, é uma localidade famosa por ser extremamente dependente do turismo, desde o tempo dos czares. Em suma, é o Mónaco russo, sem ser uma cidade estado (apesar de estar não muito longe da Abkhazia, uma provincia separatista da Georgia…) e sem ter tantos milionários.
E com todas estas novidades, logo, fica-se a saber que o acordo com o governo russo irá custar à volta de 40 milhões de dólares por ano, apesar de nenhuma das partes ter dito qualquer valor. “Esse tipo de informação não costuma ser revelada. Diremos que são alguns biliões de rublos“, afirmou o primeiro-ministro Vladimir Putin.

Joe Saward, no seu blog, revelou alguns detalhes sobre o projecto. A ideia é construir um circuito urbano, aproveitando as instalações olimpicas. Projectado pela firma do costume, em principio o primeiro Grande Prémio só poderá ser corrido em 2015, a pedido do governo russo. Ecclestone disse que isto era uma forma de rentabilizar as instalações olimpicas após a realização dos Jogos. “Em todas as cidades olimpicas que visitei após a sua realização, praticamente esses locais estão voltados ao abandono. É muito importante que esse tipo de locais possem ser pensados e planeados e é claro, esto está a ser feito em Sochi“.
Putin reforçou: “É muito mais barato do que construir um circuito de raiz, no meio de nenhures. Custará bastante menos e permitirá usar todas as facilidades e infraestruturas que serão criadas pelos Jogos Olimpicos. Portanto, não haverá desperdicio de dinheiro“.
Quando se disse que isto era o concretizar de um velho sonho do Bernie, desconhecia até que ponto era tão velho. Putin disse que “o sr. Ecclestone disse-me que chegou a discutir este assunto em pessoa com Leonid Brezhnev“. O que significa que desde o final dos anos 70 que tinha este “sonho”…

Saward disse há uns tempos que a ideia das medalhas, que Ecclestone recorre de tempos a tempos, tem uma razão: Ecclestone deseja que a Formula 1 seja reconhecida como um desporto olimpico. Creio que Sochi seja a primeira cidade olimpica que acolhe um Grande Premio num perímetro olimpico. Claro, Barcelona já teve isso no Parc de Montjuich, mas a última prova foi em 1975, antes da sua realização, em 1992.
Aparentemente, vai ser algo que será feito com tempo e calma. Veremos se até lá não haverá nenhum problema grave, como andamos a ver na Coreia do Sul…

Noticias: Russia vai ter Grande Prémio a partir de 2014

O acordo foi anunciado hoje e como podem ver, foi celebrado com champanhe (não sei se houve caviar…): Bernie Ecclestone e o governo russo chegaram a um entendimento para albergar a Formula 1 a partir de 2014. O local? Sochi, no Mar Negro, o mesmo local onde vai acolher os Jogos Olimpicos de Inverno.
Aparentemente, o acordo – que vai durar cinco anos, segundo fontes governamentais – foi negociado entre ele e o primeiro ministro Vladimir Putin, numa altura em que o interesse pela categoria máxima do automobilismo tem uma forte subida com a entrada de Vitaly Petrov na Renault, onde está a fazer a sua temporada de estreia na competição.

Quanto ao circuito, provavelmente vai ser desenhado pelo suspeito do costume – o gabinete de Hermann Tilke – e dará aos russos três anos para construir esse circuito. A concretizar-se, será o culminar de um sonho antigo, pois desde o final dos anos 80 que Ecclestone sonhou com uma corrida na antiga União Soviética – falou-se de um circuito na actual Letónia – e depois na Russia, com um circuito numa ilha nos arredores de Moscovo. Mas, primeiro o colapso da União Soviética e depois as várias dificuldades económicas que o pais atravessou na década passada, entre outros motivos, inviabilizaram qualquer projecto de Formula 1 na antiga terra dos Czares.
Quando acontecer, outra dúvida se colocará, para saber que prova irá “cair” do calendário, pois este vai ficar limitado a vinte provas. Há alguns candidatos válidos para a porta de saída, como Istambul, por exemplo. Mas 2014 ainda é uma data distante…